Maiores altas e baixas do Ibovespa na semana

Fonte: shutterstock/Alf Ribeiro

O mercado encerrou a semana em meio ao aumento das incertezas geopolíticas e à piora das perspectivas para a atividade econômica brasileira. No cenário internacional, investidores acompanharam as negociações entre Estados Unidos e Irã, ainda sem avanços concretos, enquanto as tensões envolvendo o Estreito de Ormuz seguiram elevando os preços do petróleo e reforçando preocupações com a inflação global.

No Brasil, o mercado também repercutiu os desdobramentos envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e a possibilidade de acordo de delação premiada. Além disso, o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br), considerado uma prévia do PIB, recuou 0,70% em março na comparação mensal, resultado pior que a expectativa de queda de 0,20% projetada pelo mercado.

Confira as maiores altas e baixas do Ibovespa na semana.

Altas:

A Azzas 2154 (AZZA3) subiu 9,92% na semana. A companhia confirmou, em resposta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a contratação do Itaú BBA como assessor financeiro para avaliar potenciais oportunidades estratégicas envolvendo a empresa, suas controladas e ativos. Segundo a companhia, o processo possui caráter preliminar e exploratório, sem qualquer definição sobre eventual operação. Além disso, investidores reagiram positivamente às informações de que assessores de Alexandre Birman e Roberto Jatahy discutem uma possível reorganização societária envolvendo a companhia. Segundo o Valor Econômico, o plano em análise poderia transformar a Azzas em três empresas listadas separadamente, reduzindo parte das incertezas relacionadas à disputa entre os principais sócios da fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma.

A Lojas Renner (LREN3) avançou 9,84% na semana, após divulgar resultados do primeiro trimestre em linha com as expectativas do mercado. Apesar de tendências mais fracas de receita, a companhia apresentou forte desempenho de margem bruta no varejo. O mercado também repercutiu a decisão do governo de revogar o imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, medida que beneficia plataformas estrangeiras como Shein e AliExpress. Embora a mudança tenha gerado preocupação inicial entre investidores do setor de varejo de moda, analistas destacam que o movimento já era amplamente esperado pelo mercado, limitando efeitos negativos adicionais sobre as ações da companhia.

A Brava Energia (BRAV3) teve alta de 8,74% na semana. Recentemente, a companhia reportou prejuízo líquido de R$ 350 milhões no primeiro trimestre, revertendo lucro registrado um ano antes. Apesar disso, a receita líquida avançou 9% na comparação anual, para R$ 3,13 bilhões, enquanto o Ebitda cresceu 52%, somando R$ 1,63 bilhão. A companhia também afirmou que o Brasil atravessa um momento favorável para atração de investimentos globais em meio ao cenário geopolítico internacional, mas alertou para a necessidade de previsibilidade regulatória no setor de óleo e gás.

A Usiminas (USIM5) avançou 4,65% na semana. A companhia divulgou resultados do quarto trimestre levemente acima das expectativas do mercado, com receita líquida consolidada de R$ 6,1 bilhões. Além disso, o Goldman Sachs elevou a recomendação das ações de neutra para compra, citando melhora nas perspectivas para o setor siderúrgico brasileiro e o posicionamento da empresa para capturar esse cenário mais favorável.

Baixas:

A Hapvida (HAPV3) recuou 9,13% na semana, pressionada pelas preocupações do mercado com o avanço da judicialização no setor de saúde suplementar. Dados recentes apontam aumento expressivo no número de ações judiciais envolvendo operadoras de planos de saúde, elevando riscos financeiros e pressionando margens do segmento. No primeiro trimestre de 2026, a companhia registrou crescimento relevante nos bloqueios judiciais líquidos, refletindo o aumento das disputas relacionadas à cobertura médica.

A Cosan (CSAN3) caiu 7,74% na semana. Apesar de sinais de melhora apresentados no balanço do primeiro trimestre de 2026, investidores repercutiram declarações do CEO Marcelo Martins durante teleconferência de resultados, ao afirmar que é razoável considerar que a holding deixe de existir entre três e cinco anos, com os acionistas passando a deter participações diretas nos ativos investidos pela companhia. Posteriormente, Rubens Ometto, fundador e presidente do conselho, afirmou que a fala foi mal interpretada e negou qualquer possibilidade de encerramento das operações da holding. Além disso, o mercado segue acompanhando o processo de redução de alavancagem da companhia, incluindo potenciais negociações envolvendo sua participação na Rumo (RAIL3).

A Minerva (BEEF3) caiu 7,58% na semana após o Itaú BBA rebaixar a recomendação das ações de compra para neutra e reduzir o preço-alvo de R$ 9 para R$ 5,50 ao final de 2026. Segundo o banco, a decisão reflete uma postura mais cautelosa diante da piora na visibilidade para o mercado brasileiro de carne bovina, em meio a incertezas relacionadas a custos, exportações e demanda internacional.

A RD Saúde (RADL3) recuou 7,38% na semana. A companhia informou que o pagamento de Juros sobre Capital Próprio (JCP), no valor bruto total de R$ 140,7 milhões, aprovado anteriormente, será realizado em 29 de maio de 2026. O JCP é uma forma de remuneração aos acionistas contabilizada como despesa financeira, permitindo benefício fiscal à companhia, enquanto os investidores sofrem tributação de 15% na fonte sobre os valores recebidos.

Na semana, o mercado repercutiu principalmente fatores ligados ao cenário macroeconômico, mudanças regulatórias e revisões de expectativas por analistas. Entre as altas, empresas ligadas ao varejo e indústria foram beneficiadas por perspectivas mais favoráveis e movimentos estratégicos, enquanto as quedas refletiram preocupações com judicialização, alavancagem financeira e deterioração de perspectivas setoriais.

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