TradeLetter Semanal | 05 – 11 Julho 2026

Fonte: Shutterstock/oatawa

Radar Macro & Mercados

A semana foi marcada pela ruptura do frágil cessar-fogo entre EUA e Irã. Após novos ataques norte-americanos contra alvos iranianos e retaliações de Teerã contra bases dos EUA no Bahrein e no Kuwait, o presidente norte-americano, Donald Trump, declarou o acordo encerrado e o governo americano impôs novas sanções ao Irã, incluindo o congelamento de ativos de facilitadores financeiros ligados ao regime. A escalada voltou a colocar o Estreito de Ormuz no centro das preocupações do mercado. Em paralelo, Israel repassou aos EUA informações de inteligência sobre um suposto plano iraniano para assassinar Trump, revelação que adicionou nova camada de tensão ao conflito. No campo econômico, o IPCA de junho surpreendeu positivamente, registrando alta de 0,16%, bem abaixo da projeção de 0,31%. Nos EUA, a balança comercial de maio registrou déficit de US$ 77,6 bilhões, resultado ligeiramente melhor que o esperado, mas ainda refletindo o impacto das tarifas sobre o fluxo de importações.


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Trump declara fim do cessar-fogo com o Irã em meio a nova escalada militar: O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou encerrado o acordo provisório firmado com o Irã em junho. A ruptura ocorreu após os EUA retomarem bombardeios contra alvos iranianos, em resposta a ataques atribuídos a Teerã contra embarcações comerciais no Estreito de Ormuz. O Irã revidou com mísseis e drones contra 85 instalações militares americanas no Bahrein e no Kuwait, incluindo a derrubada de um drone MQ-9. O governo americano também revogou a licença que permitia ao Irã comercializar petróleo sob os termos do acordo, com prazo até 17 de julho para encerrar as transações em andamento. Apesar da declaração, Trump não descartou a continuidade das negociações, e o Catar intensificou os esforços de mediação para evitar nova escalada. Em publicação posterior na Truth Social, o presidente confirmou que o Irã pediu para manter o diálogo e que os EUA concordaram, mas reiterou que o cessar-fogo está encerrado.

Israel repassa a EUA inteligência sobre suposto plano iraniano para assassinar Trump: A inteligência israelense compartilhou com Washington informações sobre um suposto plano recente do Irã para assassinar o presidente norte-americano, Donald Trump, segundo o Wall Street Journal. Autoridades americanas afirmaram que os EUA já monitoravam um fluxo constante de informações sobre possíveis ameaças contra Trump nas semanas anteriores, mas que o alerta israelense era novo. Membros da comunidade de inteligência americana avaliaram que a informação pode fazer parte de uma tentativa de Israel de influenciar as decisões de Trump sobre o nível de pressão militar contra o Irã. 

EUA impõem novas sanções ao Irã e ampliam pressão financeira sobre o regime: O governo norte-americano impôs uma nova rodada de sanções ao Irã, tendo como alvo o facilitador financeiro Ali Ansari, apontado pelo Departamento do Tesouro como responsável por uma ampla rede global de ativos em benefício do líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, e de outras figuras relevantes. As medidas também atingiram casas de câmbio iranianas acusadas de movimentar bilhões de dólares anuais em nome de bancos sancionados. As novas sanções se somam à revogação da licença que permitia ao Irã exportar petróleo e aos bombardeios realizados pelos EUA contra alvos iranianos ao longo da semana, compondo um conjunto de ações retaliatórias após os ataques iranianos a embarcações comerciais no Estreito de Ormuz. Apesar da escalada, Trump reiterou que as negociações com Teerã continuarão.


IPCA de junho surpreende e registra menor leitura do ano: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo variou 0,16% em junho, resultado bem abaixo da projeção do mercado de 0,31% e dos 0,58% registrados em maio. Com o dado, o indicador acumula alta de 3,36% no ano e de 4,64% em 12 meses, patamar inferior à projeção de 4,80% e abaixo dos 4,72% do período anterior. O grupo Habitação liderou as altas, com variação de 0,63%, puxado pela energia elétrica residencial. Na direção oposta, Alimentação e Bebidas recuou 0,24%, com destaque para as retrações do café moído e das frutas. O resultado impulsionou o Ibovespa e abriu espaço para discussões sobre o ritmo do ciclo de flexibilização monetária.

 

Balança comercial dos EUA registra déficit de US$ 77,6 bilhões em maio: O resultado veio levemente abaixo da projeção do mercado de US$ 78,3 bilhões, mas representou deterioração de US$ 23,0 bilhões frente aos US$ 54,6 bilhões de abril. O agravamento refletiu queda de US$ 10,5 bilhões nas exportações, que somaram US$ 317,7 bilhões, combinada ao avanço de US$ 12,5 bilhões nas importações, totalizando US$ 395,3 bilhões. No acumulado do ano, no entanto, o déficit recuou 40,6% frente ao mesmo período de 2025, impulsionado por alta de 11,7% nas exportações e queda de 2,1% nas importações.

Ibovespa registra maior valorização diária desde março: O Ibovespa encerrou a semana em alta acumulada de 2,18%, com o pregão de sexta-feira registrando valorização de 2,97%, aos 177.866 pontos, o melhor desempenho diário desde 23 de março, quando o índice havia avançado 3,24%. O movimento foi impulsionado pelo IPCA de junho, que veio significativamente abaixo das expectativas do mercado.


Ibovespa — Maiores Altas e Baixas da Semana

Maiores Altas 

Maiores Baixas 


Análise dos Destaques da Semana

Melhor Desempenho: CSN Mineração (CMIN3)

Preço de Fechamento (10/07/2026): R$ 5,23 | Variação Semanal: +21,35% – A valorização foi impulsionada pela recuperação dos preços do minério de ferro no mercado internacional e pela melhora das perspectivas para o setor de mineração. O Citi reduziu o preço-alvo da companhia, mas destacou que os volumes de vendas permaneceram fortes ao longo do segundo trimestre e elevou suas projeções para o preço do minério de ferro em 2027. A expectativa de resultados resilientes e a perspectiva de melhora do cenário para a commodity reforçaram o otimismo dos investidores.

Pior Desempenho: MRV (MRVE3)

Preço de Fechamento (10/07/2026): R$ 5,01 | Variação Semanal: -7,73% – A queda ocorreu após a divulgação da prévia operacional do segundo trimestre de 2026, que registrou crescimento de 3,5% nas vendas líquidas da operação brasileira. Apesar do avanço, os lançamentos ficaram abaixo das expectativas e a geração de caixa permaneceu aquém do esperado pelos analistas. As incertezas em torno da operação da Resia, nos Estados Unidos, continuaram pressionando a percepção dos investidores sobre a companhia.



Nota:
As informações desta newsletter têm caráter informativo e não constituem recomendação de investimento.


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Destaques da semana

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