Maiores altas e baixas do Ibovespa na semana

Fonte: Shutterstock/Alf Ribeiro

A semana foi marcada pela repercussão de indicadores econômicos relevantes e pela evolução do cenário geopolítico no Oriente Médio. No Brasil, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,16% em junho, abaixo da expectativa do mercado, de 0,31%, e desacelerou em relação à alta de 0,58% registrada em maio. Com o resultado, a inflação acumulou alta de 3,36% no ano e de 4,64% em 12 meses. Nos Estados Unidos, o mercado acompanhou a divulgação da balança comercial, que registrou déficit de US$ 77,6 bilhões em maio, levemente abaixo da expectativa dos analistas.

No cenário externo, as tensões no Oriente Médio voltaram a se intensificar ao longo da semana, com novas trocas de ataques entre Estados Unidos e Irã, aumentando as preocupações em torno do Estreito de Ormuz e da oferta global de petróleo.

Maiores altas: 


A CSN Mineração (CMIN3) liderou os ganhos da semana, com valorização de 21,35%. O desempenho foi impulsionado pela melhora das perspectivas para o setor de mineração, em meio à recuperação dos preços do minério de ferro no mercado internacional. Apesar de o Citi ter reduzido o preço-alvo da companhia, o banco destacou que os volumes de vendas permaneceram fortes ao longo do segundo trimestre e elevou suas projeções para o preço do minério de ferro em 2027. Além disso, a expectativa de resultados resilientes e a perspectiva de melhora do cenário para a commodity contribuíram para fortalecer o otimismo dos investidores em relação às ações da companhia.

O Magazine Luiza (MGLU3) acumulou alta de 17,30% na semana. A valorização foi impulsionada pelo anúncio de que o canal de compras da companhia no WhatsApp, desenvolvido em parceria com a Meta e o Google e baseado em inteligência artificial, superou R$ 100 milhões em vendas acumuladas em apenas oito meses de operação. A plataforma alcançou 7,7 milhões de usuários únicos e registrou uma taxa de conversão três vezes superior à dos canais digitais tradicionais da varejista, reforçando as perspectivas para sua estratégia digital.

A Ultrapar (UGPA3) acumulou alta de 11,55% na semana. O desempenho foi impulsionado pela perspectiva de melhora das margens das distribuidoras de combustíveis, após a forte queda das importações de diesel em junho, cenário que reforça a perspectiva de margens mais elevadas para as distribuidoras de combustíveis. Além disso, o Bank of America elevou a recomendação das ações de neutra para compra e aumentou o preço-alvo de R$ 34 para R$ 37, destacando a expectativa de margens recordes, forte geração de caixa e maior potencial de distribuição de dividendos, reforçando o otimismo dos investidores em relação à companhia.

A Azzas 2154 (AZZA3) acumulou alta de 11,44% na semana. A valorização foi impulsionada pela contratação do Morgan Stanley para avaliar alternativas estratégicas envolvendo a marca Farm Rio, movimento interpretado pelo mercado como uma possível monetização do principal ativo da companhia. O otimismo também foi sustentado pelas perspectivas de crescimento internacional da marca, que já obtém mais de R$ 1 bilhão em receita no exterior e segue ampliando sua presença nos Estados Unidos e na Europa. A expectativa de destravamento de valor da Farm Rio reforçou a percepção dos investidores de que o potencial da marca ainda não está totalmente refletido na avaliação da companhia, favorecendo o desempenho das ações ao longo da semana.

 

Maiores quedas: 


A MRV (MRVE3) recuou 7,73% na semana. A companhia divulgou sua prévia operacional do segundo trimestre de 2026, com crescimento de 3,5% nas vendas líquidas da operação brasileira. Apesar do avanço, o mercado avaliou os números com cautela, uma vez que os lançamentos ficaram abaixo das expectativas e a geração de caixa permaneceu aquém do esperado por parte dos analistas. Além disso, as incertezas em torno da operação da Resia, nos Estados Unidos, continuaram pressionando a percepção dos investidores sobre a companhia.

A Marfrig (MBRF3) recuou 7,33% na semana. As ações permaneceram pressionadas após ampliarem o movimento corretivo observado nas últimas sessões, em um ambiente de realização de lucros após a forte valorização recente. O mercado também manteve cautela com as perspectivas para a companhia, diante da ausência de novos catalisadores positivos e da continuidade da pressão vendedora sobre os papéis ao longo da semana.

A Direcional (DIRR3) recuou 7,00% na semana. A companhia divulgou sua prévia operacional do segundo trimestre de 2026, com resultados considerados mistos pelo mercado. Apesar da resiliência das vendas no segmento Minha Casa Minha Vida (MCMV), os lançamentos e as vendas líquidas ficaram abaixo das expectativas dos analistas, principalmente em função do desempenho mais fraco da Riva e do impacto da Copa do Mundo de Clubes nas vendas de junho. Ainda assim, Itaú BBA, Bradesco BBI e XP Investimentos mantiveram uma visão positiva para a companhia, destacando a atratividade da ação, a expectativa de geração de caixa e o potencial de crescimento no médio prazo.

A Vale (VALE3) recuou 5,91% na semana. O desempenho foi pressionado após o Morgan Stanley reduzir a recomendação das ações de compra para neutra e revisar para baixo suas estimativas para a companhia. O banco destacou um cenário mais desafiador para o mercado global de minério de ferro, diante da expectativa de menor produção de aço, principalmente na China, além da elevação dos custos operacionais e dos fretes marítimos, que seguem pressionados pelo cenário geopolítico.

A semana foi marcada pela repercussão de indicadores econômicos e pelo cenário geopolítico no Oriente Médio, que influenciaram o comportamento dos mercados ao longo do período. No mercado acionário, o desempenho das empresas refletiu principalmente fatores específicos, como recomendações de analistas, prévias operacionais, perspectivas para diferentes setores e eventos corporativos, que determinaram as maiores altas e baixas do Ibovespa na semana.

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