TradeLetter Semanal | 02 – 08 Agosto 2026

Fonte: Shutterstock/ranjith ravindran

Radar Macro & Mercados

A semana foi marcada pelo avanço das negociações diplomáticas no Oriente Médio, com o Irã anunciando um acordo com Omã para estabelecer uma nova rota de navegação no Estreito de Ormuz, embora tenha condicionado a reabertura efetiva da passagem à suspensão das restrições americanas aos portos iranianos. Em paralelo, os EUA removeram sanções de empresas iraquianas ligadas à Guarda Revolucionária Islâmica, em um movimento associado aos esforços diplomáticos em curso. No campo econômico, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,00% ao ano, dando continuidade ao ciclo de flexibilização monetária. Nos EUA, o payroll de julho registrou perda líquida de 23 mil vagas, resultado bem abaixo das expectativas, em uma semana marcada também por dados mistos do mercado de trabalho e pela manutenção da expansão do setor de serviços pelo 25º mês consecutivo. No cenário eleitoral brasileiro, duas pesquisas divulgadas por institutos distintos apontaram resultados diferentes para um eventual segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.


Dólar Ptax (07/08): R$ 5,0908 | Na semana: +0,27% | Em agosto: +0,27% | Em 2026: -7,48% | Em 12 meses: -6,83%
Euro Ptax (07/08): R$ 5,8845 | Na semana: +0,61% | Em agosto: +0,61% | Em 2026: -9,04% | Em 12 meses: -7,48%



Fechamento semanal – em %



Irã fecha acordo com Omã sobre rota em Ormuz, mas reabertura depende dos EUA: O governo iraniano anunciou ter firmado um acordo com Omã para estabelecer uma nova rota de navegação no Estreito de Ormuz, com coordenadas geográficas acordadas por ambas as partes. Pelo entendimento em fase de elaboração, os navios entrariam no Golfo Pérsico por uma rota controlada pelo Irã e sairiam por uma rota controlada por Omã, com cobrança de taxas de serviço. No entanto, o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei, afirmou que a conclusão do acordo não significaria a reabertura imediata da passagem, uma vez que os fatores que tornam o estreito inseguro continuam existindo, em referência ao bloqueio naval imposto pelos EUA e aos ataques americanos contra o Irã. As autoridades iranianas condicionaram a reabertura ao levantamento das restrições americanas aos portos do país. Um funcionário americano afirmou que os EUA permanecem comprometidos com o retorno ao status quo anterior à guerra, no qual nenhuma das partes controla as rotas de navegação.

EUA removem sanções de empresas iraquianas ligadas à Guarda Revolucionária: O Departamento do Tesouro dos EUA, por meio do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros, removeu as sanções que pesavam sobre a Fly Baghdad Airlines Company, sua subsidiária Iraq Express, duas aeronaves operadas pela companhia e o presidente-executivo da empresa, Bashir Abd al Kazim Alwan Al-Shabani. As sanções haviam sido impostas em 2024 em razão de vínculos com a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. Um funcionário do Tesouro afirmou que a medida não representa mudança na política americana em relação ao Irã ou a organizações designadas como terroristas, e que a decisão foi motivada por alterações no comportamento da companhia aérea.


Copom reduz Selic para 14,00% ao ano pelo quarto corte consecutivo de 0,25 p.p.: O Comitê de Política Monetária reduziu a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, de 14,25% para 14,00% ao ano, mantendo o ritmo de cortes adotado nas três reuniões anteriores. O Banco Central avaliou que a inflação segue em desaceleração gradual, com o IPCA acumulando 4,64% em 12 meses, ainda acima do teto da meta de 4,50%, e que o Boletim Focus reduziu pela quinta semana consecutiva a projeção para o IPCA de 2026, agora em 5,03%. O Copom reiterou que a magnitude total do ciclo de flexibilização será definida com base na evolução dos indicadores e destacou que as expectativas de inflação ainda desancoradas e os riscos do cenário externo exigem cautela.

Payroll de julho registra perda líquida de 23 mil vagas, bem abaixo do esperado: O relatório de emprego dos EUA mostrou queda de 23 mil vagas na folha de pagamento não agrícola em julho, resultado bem abaixo da projeção de 85 mil postos e inferior à média mensal de criação de 34 mil empregos observada nos 12 meses anteriores. Os dados de maio e junho foram revisados para baixo, em conjunto, em 103 mil vagas. A taxa de desemprego permaneceu praticamente estável, em 4,1%, e o rendimento médio por hora avançou 3,2% em 12 meses. Os principais fatores de queda foram a educação do governo local, com recuo de 50 mil vagas, o comércio varejista e as atividades financeiras.

Setor privado dos EUA cria 44 mil vagas em julho, abaixo das expectativas: O relatório ADP mostrou criação de 44 mil vagas no setor privado americano em julho, abaixo da projeção do mercado. O resultado reforçou os sinais de desaquecimento do mercado de trabalho americano.

JOLTS de junho aponta queda nas vagas abertas nos EUA: O número de vagas abertas nos Estados Unidos encerrou junho em 7,359 milhões, abaixo da projeção do mercado de 7,500 milhões e dos 7,594 milhões registrados em maio. A retração reforça o quadro de acomodação gradual do mercado de trabalho americano.

PMI de serviços dos EUA atinge 54,1 pontos em julho, no 25º mês consecutivo de expansão: O índice de gerentes de compras do setor de serviços registrou 54,1 pontos em julho, mantendo o setor em território de expansão pelo vigésimo quinto mês consecutivo e sinalizando resiliência da demanda doméstica apesar do ambiente de juros elevados.

PMI industrial supera expectativas em julho, com 55,6 pontos: O índice da indústria avançou para 55,6 pontos, acima da projeção do mercado, sinalizando aceleração da atividade manufatureira e contrariando o movimento de desaquecimento observado nos dados de emprego da semana.

Balança comercial dos EUA registra déficit de US$ 73,3 bilhões em junho: O resultado veio acima da projeção do mercado e refletiu o comportamento das importações e exportações de bens e serviços em um contexto de tarifas elevadas e tensões no Estreito de Ormuz.

Balança comercial do Brasil registra superávit de US$ 7,07 bilhões em julho, abaixo do esperado: O resultado ficou abaixo da projeção de US$ 8,40 bilhões, com exportações de US$ 34,119 bilhões, alta de 6,2% na comparação anual, e importações de US$ 27,052 bilhões, avanço de 7,6%. No acumulado do ano, o superávit chegou a US$ 49,039 bilhões, com exportações acumulando alta de 10,5%. As vendas para os EUA recuam 12,2% no acumulado do ano, reflexo direto das tarifas impostas por Washington.

B3 volta a registrar entrada líquida de capital estrangeiro em julho: Após dois meses consecutivos de saldo negativo, o fluxo de investidores estrangeiros na Bolsa voltou a ser positivo em julho, com entrada líquida de R$ 4,31 bilhões nos mercados primário e secundário. O saldo acumulado no ano chegou a R$ 41,04 bilhões, o melhor resultado para o período entre janeiro e julho desde 2023.


Eleições 2026

Nexus/BTG mostra Lula em empate técnico com Flávio Bolsonaro no segundo turno: Levantamento do Nexus/BTG divulgado no início da semana aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em empate técnico com o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno das eleições presidenciais, com 46% das intenções de voto contra 45% do adversário. A diferença de 1 ponto fica dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais. Na pesquisa estimulada, Lula lidera com 41%, contra 37% de Flávio Bolsonaro. A pesquisa ouviu 2.002 eleitores entre 31 de julho e 2 de agosto e está registrada no TSE sob o protocolo BR-02874/2026.

Genial/Quaest mostra Lula à frente de Flávio Bolsonaro no segundo turno: Levantamento da Genial/Quaest aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno, com 44% das intenções de voto contra 39% do adversário. A vantagem de 5 pontos supera a margem de erro de 2 pontos percentuais. Na pesquisa estimulada, Lula lidera com 39%, contra 30% de Flávio Bolsonaro. O levantamento ouviu 2.004 eleitores entre 31 de julho e 3 de agosto e está registrado no TSE sob o protocolo BR-06591/2026.


Ibovespa — Maiores Altas e Baixas da Semana

Maiores Altas

Maiores Baixas 


Análise dos Destaques da Semana

Melhor Desempenho: Fleury (FLRY3)

Preço de Fechamento (07/08/2026): R$ 18,95 | Variação Semanal: +10,56% – A valorização foi impulsionada pela divulgação de resultados acima das expectativas no segundo trimestre de 2026, com crescimento da receita, do Ebitda e do lucro líquido. A forte geração de caixa, os ganhos de eficiência operacional e o anúncio do pagamento de juros sobre capital próprio reforçaram a percepção positiva dos investidores em relação à companhia.

Pior Desempenho: Marcopolo (POMO4)

Preço de Fechamento (07/08/2026): R$ 4,52 | Variação Semanal: -14,88% – A queda foi pressionada pela divulgação de resultados abaixo das expectativas no segundo trimestre de 2026, com queda das margens e do lucro líquido. A rentabilidade foi impactada por um mix de vendas menos favorável, com maior participação de micro-ônibus, menor volume de exportações e pressão de custos, aumentando a cautela dos investidores em relação aos próximos trimestres.



Nota:
As informações desta newsletter têm caráter informativo e não constituem recomendação de investimento.


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Destaques da semana

Veja os principais eventos da semana e suas possíveis consequências: Segunda-feira (10/08) 08:30 – Brasil Boletim FocusO Banco Central do Brasil divulgará o Boletim Focus

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