Maiores altas e baixas do Ibovespa na semana 

Fonte: Shutterstock/Alf Ribeiro

Ao longo da semana, os investidores repercutiram a temporada de balanços do segundo trimestre, a divulgação de indicadores econômicos relevantes no Brasil e nos Estados Unidos e os desdobramentos do conflito no Oriente Médio.

No cenário doméstico, a atenção dos investidores se voltou para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,00% ao ano, mantendo o ritmo de cortes das últimas reuniões. O Banco Central adotou um tom cauteloso, sem sinalizar os próximos passos da política monetária, enquanto a continuidade da desaceleração das expectativas de inflação, refletida na quinta redução consecutiva da projeção do IPCA de 2026 no Boletim Focus, reforçou a percepção de um cenário inflacionário mais favorável. Além disso, a balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,07 bilhões em julho, abaixo das expectativas do mercado.

No cenário internacional, os investidores acompanharam os dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos. O payroll mostrou fechamento de 23 mil vagas em julho, contrariando a expectativa de criação de 85 mil postos, enquanto as revisões negativas dos meses anteriores reforçaram os sinais de desaceleração da economia norte-americana. Ainda assim, a taxa de desemprego permaneceu praticamente estável, em 4,1%.

Também estiveram no radar os desdobramentos das negociações envolvendo o conflito no Oriente Médio e o Estreito de Ormuz. Ao longo da semana, declarações de autoridades dos Estados Unidos e avanços nas discussões entre Irã e Omã sustentaram expectativas de uma solução diplomática para a reabertura da importante rota de transporte de petróleo. No entanto, a divulgação de um projeto de lei no Parlamento iraniano para restringir a entrada de embarcações dos Estados Unidos e de Israel no estreito, somada aos ataques dos houthis no Iêmen, voltou a elevar as preocupações com a segurança da região e com a oferta global da commodity.

Maiores altas

 


Como a maior alta da semana, o Fleury (FLRY3) avançou 10,56%. O desempenho foi impulsionado pela divulgação de resultados acima das expectativas no segundo trimestre de 2026, com crescimento da receita, do Ebitda e do lucro líquido. A forte geração de caixa, os ganhos de eficiência operacional e o anúncio do pagamento de juros sobre capital próprio (JCP) reforçaram a percepção positiva dos investidores em relação à companhia.

A Raiadrogasil (RADL3) figurou entre os principais destaques positivos da semana, com alta de 9,42%. O desempenho foi impulsionado pela divulgação de resultados positivos no segundo trimestre de 2026, com crescimento robusto da receita, avanço das vendas em mesmas lojas, ganhos de participação de mercado e forte expansão dos canais digitais. Além disso, a companhia registrou forte geração de caixa e manteve a rentabilidade, reforçando a confiança dos investidores na continuidade do crescimento dos negócios.

A Embraer (EMBJ3) encerrou a semana com valorização de 6,48%. O desempenho foi impulsionado pela aprovação de um financiamento de até R$ 3,7 bilhões pelo BNDES para apoiar a exportação de até 19 aeronaves E195-E2 para a canadense Porter Airlines. Além disso, a companhia anunciou a venda de duas aeronaves militares KC-390 Millennium para a Força Aeroespacial Colombiana, reforçando sua presença internacional no segmento de defesa e as perspectivas para novos contratos no mercado externo. A expectativa pela divulgação dos resultados do segundo trimestre também contribuiu para sustentar o otimismo dos investidores em relação às ações.

A Cury (CURY3) também registrou desempenho positivo, com avanço de 4,22% na semana. O desempenho foi impulsionado pela recuperação das ações após o forte movimento de queda observado nas semanas anteriores, em um cenário de ausência de novos catalisadores negativos e de expectativa pela divulgação dos resultados do segundo trimestre. O ambiente mais favorável para ativos de risco e o posicionamento antecipado de investidores antes do balanço também contribuíram para a valorização dos papéis.

Maiores quedas

 

 

Como a maior queda da semana, a Marcopolo (POMO4) recuou 14,88%. O desempenho foi pressionado pela divulgação de resultados abaixo das expectativas no segundo trimestre de 2026, com queda das margens e do lucro líquido. A rentabilidade foi impactada principalmente por um mix de vendas menos favorável, com maior participação de micro-ônibus, menor volume de exportações e pressão de custos, aumentando a cautela dos investidores em relação aos próximos trimestres.

A Magazine Luiza (MGLU3) encerrou a semana em baixa de 12,52%. O desempenho foi pressionado pela divulgação dos resultados do segundo trimestre de 2026, que mostraram o retorno ao prejuízo e uma queda de 11,9% nas vendas do e-commerce. Apesar do crescimento das lojas físicas e da manutenção da rentabilidade operacional, o ambiente competitivo no comércio eletrônico e o desempenho mais fraco do canal digital reforçaram a cautela dos investidores em relação à companhia.

A Cosan (CSAN3) também registrou queda de 9,83% na semana. O desempenho foi pressionado pelos desdobramentos da recuperação extrajudicial da Raízen, homologada pela Justiça, que abriu caminho para a reestruturação de uma dívida de R$ 61,4 bilhões. O plano prevê a conversão de parte da dívida em ações e a redução das participações da Shell e da Cosan na companhia, além da reorganização societária com a divisão da Raízen em duas empresas.

A Lojas Renner (LREN3) completou a lista das principais baixas da semana, com recuo de 8,90%. O desempenho foi pressionado pela divulgação de resultados abaixo das expectativas no segundo trimestre de 2026 e pela redução do guidance de crescimento da receita para o ano. O fraco desempenho das vendas, aliado à revisão das projeções em um ambiente de maior concorrência e consumo mais desafiador, aumentou o ceticismo dos investidores em relação ao ritmo de crescimento da companhia nos próximos trimestres.

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