Investimentos em janeiro de 2025: Brasil brilha, mas desafios globais preocupam

Em janeiro de 2025, o Ibovespa subiu 4,86%, impulsionado pelo alívio nos juros e compromisso fiscal. Cenário global ainda exige cautela.

Shutterstock/Thapana_Studio

Após um 2024 desafiador para os ativos brasileiros, os investimentos em janeiro de 2025 começaram com um cenário mais positivo, impulsionado por fatores internos e externos. O Ibovespa, principal índice da B3, registrou uma alta expressiva de 4,86% no primeiro mês do ano, refletindo o alívio na curva futura de juros e um tom mais moderado do governo em relação à política fiscal. Esse movimento sugere uma possível mudança no ciclo de aperto monetário, o que tem atraído investidores de volta aos ativos de risco.

Investidores estrangeiros impulsionam a B3 em janeiro, com o maior saldo positivo desde agosto de 2024.

Fatores que impulsionaram o mercado em janeiro

  1. Sinalização do Copom: Apesar do aumento da taxa Selic para 13,25% na primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em 29 de janeiro, o comunicado da instituição foi interpretado como um indicativo de que o ciclo de alta dos juros pode estar próximo do fim. Isso reduziu a precificação dos juros futuros, beneficiando ativos de maior risco.

  2. Compromisso com a Responsabilidade Fiscal: Declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçando o compromisso com a disciplina fiscal ajudaram a melhorar a confiança dos investidores. Essa postura foi crucial para sustentar o otimismo no mercado.

No ranking dos investimentos mais rentáveis de janeiro, quatro dos cinco ativos de melhor desempenho foram brasileiros, refletindo essa mudança de humor do mercado. Confira os destaques:

Os investimentos campeões de janeiro

1º – MSCI Brasil (+12,71%)

O MSCI Brasil, índice de referência do iShares MSCI Brazil (EWZ), foi, sem dúvida, o grande destaque do mês, registrando um retorno de 12,71%. A valorização foi impulsionada principalmente pelo setor financeiro, com ações como Nubank, Banco Inter, XP e PagBank puxando os ganhos. Além disso, o rebalanceamento da carteira do índice em setembro, incluindo ações de empresas brasileiras negociadas no exterior, também contribuiu significativamente para o desempenho.

2º – Stoxx 600 (+6,87%)

Por outro lado, o índice europeu Stoxx 600 avançou 6,87% em janeiro, puxado pelas ações do setor de tecnologia. Nesse sentido, o destaque foi o grupo Hexagon, que registrou um resultado trimestral acima das expectativas. Além disso, sinais de um possível corte nos juros pelo Banco Central Europeu (BCE) em março incentivaram ainda mais a tomada de risco.

3º – B3 BR+ (+6,17%)

Já o índice B3 BR+, que tem uma composição semelhante ao Ibovespa, mas inclui algumas BDRs (ações de empresas brasileiras listadas no exterior), também teve um bom desempenho, subindo 6,17%. Nesse contexto, o movimento de queda na curva futura de juros favoreceu ativos de maior risco, impulsionando esse resultado.

4º – Small Caps (+6,11%)

No segmento de empresas menores, o índice de Small Caps, que reúne companhias de menor capitalização de mercado, subiu 6,11% em janeiro. Entre os principais destaques, a CVC (CVCB3) avançou 42,75%, enquanto a Azul (AZUL4) teve uma alta expressiva de 29,94%. Ambas foram impulsionadas pela queda nos juros futuros. Além disso, a Azul também se beneficiou do avanço em sua reestruturação financeira, o que reforçou seu bom desempenho no mês.

5º – IBRX-100 (+4,92%)

Por fim, o IBRX-100, que reúne as 100 ações mais negociadas da Bolsa brasileira, também apresentou um desempenho positivo, subindo 4,92%. Empresas ligadas ao consumo e tecnologia foram os principais destaques, especialmente CVC (CVCB3), Azul (AZUL4), Totvs (TOTS3) e Cury (CURY3), que se beneficiaram do cenário econômico mais favorável.

 

Investimentos que desapontaram em janeiro

Enquanto os ativos brasileiros se destacaram, por outro lado, alguns investimentos enfrentaram um cenário desafiador:

1º – Ethereum (-7,22%)

A resposta dos investidores reflete a preocupação global com as novas tarifas de importação anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Além do impacto no comércio, essas tarifas podem elevar a inflação no país, o que, por sua vez, aumenta a chance de uma política monetária mais rígida nos próximos meses. Como consequência, surgem desafios adicionais para a indústria de criptomoedas. Diante desse cenário, a aversão ao risco se intensificou ainda mais, levando os investidores a buscar ativos considerados mais seguros.

2º – Dólar (-5,85%)

Após uma forte valorização em 2024, o dólar iniciou 2025 com uma queda de 5,85% frente ao real. No ano anterior, o real acumulou uma desvalorização de 21,82% em relação ao dólar Ptax, taxa usada como referência em contratos nas bolsas internacionais. Esse movimento refletiu, principalmente, uma profunda desconfiança na responsabilidade fiscal do governo, o que, por sua vez, aumentou a pressão sobre a moeda brasileira.

No entanto, em janeiro de 2025, o cenário mudou devido a uma combinação de fatores internos e externos. No Brasil, o recesso parlamentar trouxe uma certa calmaria ao mercado, melhorando o sentimento dos investidores. Enquanto isso, nos Estados Unidos, a postura econômica mais moderada adotada por Donald Trump em seu novo mandato contribuiu para a valorização do real. Apesar desse início positivo, o cenário ainda exige cautela, especialmente se o governo não implementar novas medidas para conter o crescimento dos gastos públicos.

3º – Euro (-5,70%)

A desvalorização do euro frente ao real pode ser explicada, antes de mais nada, pela estagnação econômica da zona do euro no quarto trimestre de 2024. Com o PIB inalterado e consumidores demonstrando maior cautela, o crescimento da região ficou comprometido. Além disso, preocupações com o enfraquecimento do mercado de trabalho e o risco de uma guerra comercial com os EUA intensificaram os temores de uma recuperação econômica mais demorada. Como resultado, o euro sofreu pressão negativa ao longo do período.

4º – BDRX (-4,23%)

O índice BDRX, que acompanha o desempenho de BDRs na B3, enfrentou dificuldades principalmente devido à queda de grandes empresas de tecnologia dos Estados Unidos. Entre os destaques negativos, Nvidia (-17,75%), Apple (-10,89%) e Microsoft (-9,15%) foram particularmente impactadas pela ascensão da inteligência artificial chinesa DeepSeek. Essa nova tecnologia, com custos operacionais significativamente menores, ameaça o domínio das gigantes ocidentais no setor, gerando forte pressão sobre suas ações. Diante desse cenário, a desvalorização das grandes empresas de tecnologia refletiu negativamente no desempenho do índice BDRX.

5º – IFIX (-3,07%)

Por fim, o IFIX, índice que mede o desempenho dos fundos imobiliários, registrou uma queda de 3,07% em janeiro. Esse desempenho negativo foi influenciado tanto pela alta da Selic quanto pelo veto do governo à isenção tributária para FIIs, fatores que aumentaram a incerteza no setor. Como consequência, a percepção dos investidores foi impactada negativamente, gerando pressão sobre os preços dos fundos imobiliários. Essa combinação de fatores resultou no desempenho desfavorável do índice no primeiro mês de 2025.

Otimismo com cautela

Janeiro de 2025 trouxe uma recuperação significativa para o mercado brasileiro, com o Ibovespa e outros índices locais registrando altas expressivas. A redução da percepção de risco fiscal e o alívio na curva futura de juros foram fundamentais para o bom desempenho dos investimentos no primeiro mês do ano. No entanto, o cenário global ainda apresenta desafios, como a estagnação econômica na Europa, tensões comerciais entre EUA e China, e a crescente concorrência no setor de tecnologia.

Para investidores, o momento exige cautela e atenção às políticas fiscais do governo brasileiro, bem como aos movimentos globais que podem impactar os ativos de risco. Os resultados de janeiro de 2025 mostram que, apesar do otimismo, é essencial monitorar os riscos externos e as decisões internas que afetam o mercado financeiro.

 

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