O cenário de 2024 foi marcado por uma série de incertezas que impactaram diretamente a percepção dos investidores estrangeiros sobre o mercado brasileiro. A instabilidade fiscal no Brasil, combinada com as decisões de política monetária dos Estados Unidos, gerou um ambiente de cautela, resultando em baixa demanda por ativos brasileiros. Esse cenário de cautela persistiu até os primeiros dias de 2025, quando o fluxo de capital estrangeiro para a B3 ainda apresentava números negativos.
No entanto, entre os dias 16 e 17 de janeiro, a tendência de fluxo negativo foi invertida. Esse movimento de recuperação foi impulsionado principalmente pela venda de ações da Vale (VALE3) pela Cosan (CSAN3). A venda de sua participação de 4,05% na mineradora, que corresponde a mais de 173 milhões de ações, gerou um impacto positivo de mais de R$ 9 bilhões para o mercado.
Esse movimento impulsionou uma recuperação que se consolidou até o fim do mês, quando a B3 registrou um saldo positivo de R$ 6,8 bilhões, em comparação com o resultado de janeiro do ano anterior, quando o fluxo estrangeiro foi negativo em R$ 7,9 bilhões. Este é o maior valor investido pelos estrangeiros em um único mês desde agosto de 2024, quando o ingresso de recursos somou R$ 10,013 bilhões.
Ainda assim, o mercado continua atento aos fatores que influenciam as decisões dos investidores estrangeiros. A política fiscal do Brasil e as diretrizes monetárias dos Estados Unidos seguem no centro das discussões. No dia 29 de janeiro, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu, como esperado, elevar a taxa Selic em 1 ponto percentual, para 13,25%. Este foi o quarto aumento consecutivo da taxa, refletindo os esforços do governo brasileiro para controlar a inflação e garantir a estabilidade econômica. A decisão gerou reações no mercado, com expectativas de novos ajustes, caso a pressão inflacionária persista.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed) optou por manter sua taxa de juros na faixa de 4,25% a 4,50%, após uma série de três cortes consecutivos. Essa postura mais cautelosa ocorre em um contexto de inflação ainda resistente, embora o presidente Donald Trump tenha pressionado por cortes adicionais. Apesar de uma economia americana sólida, o Fed segue atento aos movimentos inflacionários, mantendo o mercado global em alerta quanto a futuros ajustes monetários.
Em relação ao comportamento do mercado, o Ibovespa, principal índice da B3, acumulou alta de 4,86% no mês de janeiro, embora tenha apresentado recuo de 0,61% no último dia do mês, fechando aos 126.135 pontos. Esse desempenho positivo foi reforçado pelas declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no dia 30 de janeiro, quando reafirmou o compromisso com a responsabilidade fiscal. Seu discurso reduziu as preocupações do mercado em relação ao futuro econômico do país.
Apesar das dificuldades internas e externas, o bom desempenho da B3 e o fluxo positivo de investimentos estrangeiros em janeiro indicam um fortalecimento da confiança no Brasil. O mercado continua atento aos próximos passos da política monetária, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, e aos impactos dessas decisões sobre a economia global. O mês de janeiro de 2025, portanto, fechou com um balanço positivo, gerando expectativas favoráveis para os próximos meses.
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