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Saques da poupança batem recorde e atingem R$ 19,7 bilhões em janeiro

Saques da poupança batem recorde e atingem R$ 19,7 bilhões em janeiro

Selic alta estimula migração de investimentos; fundos de renda fixa receberam R$ 22,4 bilhões no mês passado

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Os saques da caderneta de poupança atingiram R$ 19,67 bilhões em janeiro. O o resgate é o maior já registrado em um único mês desde o início da série, iniciada em 1995 pelo Banco Central (BC). O recorde anterior era de janeiro de 2021, quando os aportes superaram os resgates em R$ 18,15 bilhões.

O mês de janeiro tradicionalmente tem resgates elevados, dado que as famílias têm uma série de compromissos nesse período do ano, como os pagamentos de impostos. No entanto, o cenário macroeconômico também corrobora para os saques.

O movimento de alta dos juros estimula os investidores a procurem alternativas mais rentáveis. A taxa Selic está em 10,75% ao ano e até o final de 2022 deve se aproximar dos 12%. Nesse cenário, a tradicional caderneta acaba sendo pouco competitiva.

Um dos sinais dessa migração é a captação dos fundos de renda fixa durante o mês de janeiro. Essas carteiras tiveram aportes acima dos resgates que totalizaram R$ 22,42 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Outros fatores que contribuem para a saída de recursos da poupança é a inflação e desemprego em patamares elevados. As famílias de menor renda acabam tendo que recorrer à reserva financeira para conseguir saldar as despesas cotidianas.

Apesar do resgate recorde no mês passado, a poupança acumula um saldo total de R$ 1,016 trilhão. A título de comparação, o patrimônio dos fundos de previdência privada é de R$ 1,054 trilhão.

Remuneração

O brasileiro que tem recursos aplicados na caderneta de poupança recebe uma remuneração de 6,17% ao ano mais a variação da TR (taxa referencial), que atualmente está zerada. Ao mês, a rentabilidade é de 0,56%.

A poupança, mesmo com rendimentos isentos do Imposto de Renda (IR), tem um retorno abaixo de outras alternativas também consideradas seguras, como o Tesouro Selic 2024, que está pagando a taxa básica (10,75% ao ano) mais 0,0728%.

Outra alternativa mais vantajosa ao investidor na comparação com a poupança é a oferta de papéis de bancos. É possível encontrar CDBs com remuneração de 120% do CDI, que tem taxa equivalente à Selic. Por serem instrumentos de renda fixa, há a incidência de IR sobre os rendimentos, mas ainda assim o rendimento líquido é mais vantajoso que o entregue pela poupança.

Tanto a poupança como os produtos bancários (CDBs e as letras de crédito agrícola e imobiliária, conhecidas como LCIs e LCAs) possuem a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) , que é a cobertura que o investidor recebe caso a instituição venha a quebrar ou sofrer intervenção do BC. Essa proteção é limitada a R$ 250 mil por investidor e instituição financeira.

Mas caso o investidor queira fazer a migração, é bom ficar atento aos prazos ofertados pelos demais instrumentos financeiros, já que nem todos possuem liquidez diária, como a poupança, ou seja, o recurso pode ser resgatado a qualquer momento.

No entanto, vale ressaltar que o rendimento da poupança incide só na data de aniversário da aplicação. Se a aplicação for feita em 4 de fevereiro, por exemplo, o investidor só terá acesso ao rendimento dela se fizer o saque dos recursos da poupança em 4 de março. Se o valor for sacado antes, o rendimento do mês será perdido.

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