Os saques da caderneta de poupança atingiram R$ 5,35 bilhões em fevereiro e, no acumulado dos dois primeiros meses do ano, R$ 25,02 bilhões. Esse é o maior volume já registrado para o período desde 1995, quando o Banco Central (BC) deu início a essa série de dados.
E para onde está indo esse dinheiro todo? O cenário macroeconômico ajuda a explicar os saques bilionários.
O movimento de alta dos juros estimula os investidores a procurarem alternativas mais rentáveis.
Quem tem recursos aplicados na caderneta de poupança recebe uma remuneração de 6,17% ao ano mais a variação da TR (taxa referencial), que atualmente está zerada. Ao mês, a rentabilidade é de 0,56%.
Mesmo sendo isenta do Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos, a tradicional caderneta acaba apresentando um retorno abaixo de outras alternativas também consideradas seguras, como o Tesouro Selic 2025, que está pagando a taxa básica mais 0,0550%.
A taxa Selic está em 10,75% ao ano e até o final de 2022 deve chegar a 12,25%, segundo o relatório Focus do BC. Nesse cenário, a tradicional caderneta acaba sendo pouco competitiva. Já a poupança está pagando a sua rentabilidade máxima.
Fundos de renda fixa em alta
A busca por retornos mais atrativos é ilustrada pela captação dos fundos de renda fixa. No ano, essas carteiras tiveram aportes acima dos resgates que totalizaram R$ 64,09 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Já a indústria de fundos como um todo está com captação positiva de R$ 2,39 bilhões (isso porque saiu um volume excessivo das carteiras de ações e multimercados).
Outro fator macroeconômico é a inflação. As famílias de menor renda acabam tendo que recorrer à reserva financeira para conseguir saldar as despesas cotidianas.
Apesar do resgate recorde no mês passado, a poupança acumula um saldo total de R$ 1,016 trilhão. A título de comparação, o patrimônio dos fundos de previdência privada é de R$ 1,058 trilhão.