Gasolina tem novo espaço para redução de preço. Quanto pode cair?

Defasagem em relação ao mercado internacional está em 6%, segundo a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis)

Foto: Shutterstock

O preço da gasolina ainda tem espaço para cair em 2022 e isso pode contribuir para a redução das expectativas de inflação. A estimativa é que a defasagem entre o valor cobrado pela Petrobras e o em vigor no mercado internacional esteja em 6% atualmente, segundo dados da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).

“Os preços de combustíveis são especialmente relevantes porque, além de constituírem parcela relevante da cesta de consumo, balizam de forma mais célere as expectativas”, diz Gabriel Floriano, estrategista do Levante Investimentos.

O percentual entre o preço cobrado pela petroleira no Brasil e a PPI (Preço de Paridade Internacional) varia dia a dia, já que depende da cotação do barril de petróleo e do dólar.

“A Abicom mostra que ainda tem espaço para cortar e isso pega em cheio as expectativas para o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) “, afirma Eduardo Magozo, gestor de renda fixa da Garde.

O reajuste mais recente anunciado pelo Petrobras  (PETR3; PETR4) referente à gasolina ocorreu no dia 1º de setembro. Ao todo, foram quatro em cerca de dois meses. Todos com redução dos preços.

Como o combustível tem o maior peso individual (6,7%) na composição do IPCA, qualquer alteração de preço nesse produto acaba tendo uma influência maior no índice de inflação, mesmo que outros itens não registrem alteração de preço.

Isso já foi visto em julho e agosto, quando o indicador registrou deflação de 0,68% e 0,36%, respectivamente, em relação ao mês anterior.

A última pesquisa Focus mostra, inclusive, que os agentes do mercado financeiro estão reduzindo as projeções para o IPCA. O Focus projeta uma inflação de 6,40% para 2022 e de 5,17% para o ano que vem.

Quanto mais perto as expectativas estiveram da meta de inflação – em 3,5%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, para 2022 – , maior a chance do Banco Central (BC) flexibilizar a política monetária, ou seja, reduzir a taxa básica de juros, a Selic, atualmente em 13,75% ao ano.

Queda na bomba

No ano, dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo) mostram que o litro da gasolina está, em média, no patamar de R$ 5,17 nos postos de gasolina, uma queda de 14% em 12 meses. No mesmo período, o etanol recuou 19,5%.

Por outro lado, o GLP (gás liquefeito de petróleo), presente no gás de cozinha, acumula uma alta de 19,2%. Na segunda-feira (12), a Petrobras anunciou uma redução de 4,7% nesse produto.

Floriano, da Levante, destaca, porém, que algo das reduções de preço ocorridas na gasolina pode ser revertido em 2023, já que decorre em parte das medidas tributárias que foram tomadas neste ano.

“Vale lembrar que parcela significativa da queda de combustíveis do IPCA deste ano está associada à renúncia fiscal sobre ICMS, que deverá ser revista a partir do próximo ano, de modo que há um aumento contratado em [produtos] monitorados para o próximo ano.”

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