Navegue:
Financiamento de veículo cai pelo 10º mês seguido, apesar de juro mais barato de bancos de montadoras

Financiamento de veículo cai pelo 10º mês seguido, apesar de juro mais barato de bancos de montadoras

Número total de financiamentos recua 9,2% no acumulado do primeiro semestre

miniatura veículo e moedas

Foto: Shutterstock

Por:

Compartilhe:

Por:

A escalada da taxa Selic e a inflação em alta têm dificultado o financiamento de veículos, o que levou a uma queda de 13% no número de automóveis financiados em junho na comparação com igual mês de 2021. Essa foi a décima baixa consecutiva na base anual e a maior desde dezembro, quando chegou a 16,8%.

Para quem não tem como comprar um carro à vista, uma das alternativas é procurar os bancos de montadoras, que costumam oferecer taxas mais atrativas que os grandes bancos – mas destinadas apenas aos zero quilômetro.

Dados do Banco Central (BC) relativos aos dias 5 a 11 de julho mostram que as menores taxas de juros nessa modalidade de crédito (financiamento de veículos) estão com os bancos de montadoras.

A mais baixa é a do Banco Volkswagen, 1,18% a mês (o equivalente a 15,05% ao ano). Já a maior pertence ao PSA, que financia as vendas de veículos da Peugeot e Citroën, com taxa de 1,85% ao mês (ou 24,54% ao ano).

Entre os grandes bancos de varejo, a menor taxa é a da Caixa, 1,79% ao mês. O BV, que é uma das instituições mais atuantes na concessão de crédito para a compra de veículos, informou ao BC uma taxa de 2,19%.

Incentivo para vender mais

A justificativa para essa diferença de taxas reside no fato de as montadoras precisarem garantir a demanda da produção. Para isso, aceitam financiar os clientes a taxas mais baixas que o resto do mercado.

Mas mesmo optando por instituições em que os custos sejam menores, o consumidor vai se deparar com condições mais restritivas, como a exigência de uma entrada mais elevada.

“Os bancos estão mais seletivos na concessão e há uma redução natural do volume dos financiamentos. Essa seletividade ocorre porque os juros e a inflação corroem a renda das famílias”, diz Miguel José Ribeiro dos Santos, diretor executivo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças).

Leia mais:
Mercado já aposta em Selic acima de 14%; até onde vai a alta dos juros?

Em resumo, os bancos veem que é maior o risco de inadimplência ao financiar um veículo no momento em que as famílias estão com a renda pressionada. Para evitar o calote, dificultam o acesso ao crédito, aumentando os juros ou exigindo percentuais de entrada maiores.

É esse maior receio, junto com a escassez de algumas peças nas montadoras, que justifica a queda de 13,1% no financiamento de veículos em junho na comparação com igual mês de 2021. O número caiu de 516 mil para 449 mil.

Já no acumulado do primeiro semestre, a queda é de 9,2%, para 2,6 milhões de veículos, segundo dados da B3, que possui uma central registradora dessas operações.

Ao considerar apenas os emplacamentos, o principal indicador da venda de veículos zero quilômetro, os números também mostram esse recuo, ao mesmo tempo que juros e inflação sobem.

Recomposição

Flávio Suchek, diretor-executivo da área de varejo do Banco BV, reconhece que a indústria de financiamentos trabalha com um patamar de juros mais elevados para os próximos dois anos, o que causou um ajuste, para cima, das taxas. No caso do BV, a taxa de juro, segundo o BC, está em 2,19% ao mês em julho. Um ano antes, estava em 1,68%.

O BV não é a única instituição que majorou suas taxas. As do Itaú passaram de 1,44% ao mês, em julho de 2021, para 2,12% agora. Nos bancos de montadoras, o movimento foi similar, embora menos acentuado. O Banco Volkswagen registrava taxa de 1,08% há um ano, e agora está em 1,18%. No caso do Banco GM, passou de 1,44% para 1,72% no mesmo período.

“Para os próximos dois anos, o cenário tende a ser de juros nos patamares atuais. Como resultado, o mercado de financiamento se ajustou, incluindo o BV, para manter spreads equilibrados”, diz.

Os spreads correspondem à diferença entre o custo de captação dos bancos e o que é efetivamente cobrado pelos clientes.

Segundo o executivo, o aumento dos juros promovido nas linhas de financiamento de veículos foi feito apenas para acompanhar o aumento do custo de captação, que seria uma taxa próxima à Selic, e não para aumentar essa margem (spread).

Com o crédito mais caro e a renda pressionada pela inflação, Suchek afirma que cresce a demanda dos consumidores por prazos de financiamento de até 60 meses. Segundo ele, essa busca se intensificou no segundo trimestre.

Em relação à entrada, o executivo afirma que elas variam de acordo com o perfil do cliente, mas que o objetivo é manter a carteira “saudável”, ou seja, ter um menor risco de aumento da inadimplência.

“Houve ajuste do apetite de crédito a partir desse período, o que percebemos no mercado como um todo, e temos conseguido manter uma carteira de crédito em veículos saudável.”

⇨ Acompanhe seus ganhos e gastos e cuide melhor do seu dinheiro. Baixe o GranaMap!

Compartilhe: