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Carteira anticrise: Quanto deixar em renda fixa e ações e os melhores produtos para o cenário atual

Carteira anticrise: Quanto deixar em renda fixa e ações e os melhores produtos para o cenário atual

Diversificação pede títulos públicos, privados, fundos, ações e ETFs; visão de longo prazo é fundamental

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Foto: Shutterstock

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Ninguém questiona a importância da diversificação, mas diante de tantos produtos financeiros, qual a melhor alocação a se fazer e qual peso dar à renda fixa e variável? A Agência TradeMap ouviu especialistas para mostrar qual seria a “carteira ideal” no atual cenário econômico.

Essa carteira considera o investidor de perfil moderado – que é aquele que quer rentabilidade, mas também preza pela segurança – e que possui objetivos de médio e longo prazo.

Na hora de pensar na alocação, não dá para desprezar o fato de que a taxa Selic, hoje em 13,25% ao ano, deve se manter no patamar de dois dígitos por um bom tempo – ao menos até o final de 2023.

Nesse cenário, mesmo para um perfil moderado, a recomendação dos especialistas é que a carteira seja dividida em 85% dos investimentos em renda fixa e apenas 15% em renda variável. A título de comparação, uma carteira típica nos Estados Unidos é formada por 60% de renda variável e 40% de fixa – mas os americanos não sabem o que é taxa de juros de dois dígitos.

Rodrigo Cabraitz, analista de alocação da Claritas Investimentos, lembra que, independentemente do perfil, o investidor deve prezar pela diversificação nas duas classes de ativos.

Na parcela destinada à renda fixa, que é a maior, ele recomenda títulos públicos atrelados à inflação (Tesouro IPCA) e prefixados (Tesouro Prefixado) com vencimento no médio prazo, com vencimento entre 2026 e 2028.

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A justificativa é que as taxas estão atrativas, levando em conta um cenário em que a inflação convirja para a meta nos próximos anos e as taxas pagas atualmente não se repetirão.

As projeções do boletim Focus apontam para um IPCA de 7,54% neste ano e de 5,20% em 2023. Já o Tesouro IPCA 2026 pagava IPCA mais 6,31% ao ano em 19 de julho, e o Tesouro Prefixado 2029, 13,59% ao ano.

“Esse ganho real de 6% a 7% foi visto em poucos momentos e é algo que gostamos de carregar. Faz sentido para um investidor moderado de médio e longo prazo”, diz, ressaltando que o ideal é ficar com esses papéis até o vencimento.

Ainda nessa classe de ativos, o investidor também pode ter uma exposição em crédito privado, como debêntures, CRIs e CRAs (certificados de recebíveis imobiliários e agrícolas), e fundos multimercados macro em que os gestores tenham uma estratégia concentrada em juros.

“Quando há prêmio de juros e inflação descontrolada, os multimercados conseguem capturar bem esses ganhos”, explica.

Como comparação, Cabraitz cita o índice IHFA, que é um índice da Anbima para os fundos multimercados de gestão ativa e que acumula ganhos de 8,08% no ano, em comparação com os 6,09% do CDI (taxa interbancária próxima à Selic).

Em relação ao crédito privado e pensando em uma estratégia para médio e longo prazo, o ideal é optar por papéis com bom risco de crédito, que são aqueles emitidos por empresas que tenham rating acima de A (menor risco de inadimplência).

São as empresas que mesmo com a deterioração do cenário macroeconômico, com inflação e juros elevados, vão sofrer menos por terem baixo endividamento.

Já na parcela de renda variável, de apenas 15%, a sugestão é uma diversificação entre ações de empresas brasileiras e estrangeiras.

“No momento atual, faz mais sentido ter uma parcela maior de renda fixa, mas é preciso sim ter um pouco de Bolsa”, diz.

ETFs e fundos “long only”

A sugestão é que a exposição em Brasil seja feita por ETFs (fundos de índice), como o BOVA11, ou fundos da categoria “long only”, que são aqueles em que o gestor compra ativos apostando na valorização, sendo indicados para estratégias de longo prazo.

Na parcela internacional, a indicação é que seja feita por meio de ETFs, mas como exposição ao dólar, ou seja, o investidor vai ganhar a variação do índice, por exemplo, o índice americano S&P 500, mais as quedas ou altas da moeda americana.

Marcelo Lara, gestor da Journey Capital, também sugere uma alocação de 85% em renda fixa e 15% em variável, mas ressalta que os produtos e prazos vão variar de acordo com o momento de vida do investidor e o patrimônio disponível para investimento.

Como exemplo, ele cita que mesmo para um perfil moderado, a estratégia de um investidor de 25 anos será diferente daquele que possui 60 anos, assim como a diversificação para um patrimônio de R$ 100 mil terá menos opções do que aqueles que já possuem R$ 3 milhões.

“Excluindo a reserva de emergência, o investidor deve saber o objetivo de seu investimento e qual o seu momento de vida. Se está visando a longevidade, por exemplo, é possível ter mais ativos atrelados à inflação”, conta.

Para garantir o crescimento real do patrimônio e proteção em relação às volatilidades no Brasil, Lara sugere 60% em títulos públicos e privados corrigidos pela inflação, 25% em outras categorias da renda fixa e 15% em renda variável.

“Para o longo prazo, é difícil ter mais de 15% em renda variável quando há opções mais seguras pagando inflação mais 5,5% ou 6% ao ano”, diz, acrescentando que esse nível de remuneração garante dobrar o patrimônio em pouco menos de 12 anos.

Lara conta que o mais comum é avaliar a carteira dos investidores e identificar uma concentração de renda variável bem acima dos 15%, o que não está condizente com o perfil de um investidor moderado no Brasil.

Nesses casos, é preciso ser feita uma realocação do perfil, mas é preciso encontrar os melhores momentos de mercado, em especial com as ações ou ativos que são considerados de boa qualidade.

Maior risco

Na visão de Alexandre Brito, sócio da Finacap Investimentos, o investidor de perfil moderado que der um menor peso ao atual cenário econômico pode ter uma exposição em renda variável um pouco maior, já que o foco está no longo prazo.

No entanto, a renda fixa ainda continuará sendo predominante, respondendo a 60% do patrimônio.

Essa fatia pode ter 20% de pós-fixados com liquidez imediata, como o Tesouro Selic, fundos DI com taxa de administração de no máximo 0,20% ou CDBs (certificados de depósito bancário) de um grande banco que paguem a partir de 100% do CDI (taxa próxima à Selic) e liquidez diária.

Já uma parcela de 25% pode estar em pós-fixados sem liquidez imediata, como CDBs que paguem acima de 120% do CDI, LCIs e LCAs, que possuem o benefício da isenção tributária, fundos de renda fixa com crédito privado ou títulos privados (letras financeiras, CRIs, CRAs e debêntures).

Para completar os 60% da renda fixa, Brito sugere 15% do patrimônio aplicado em títulos de longo prazo corrigidos pela inflação.

“Vai depender do momento de apetite ao risco do cliente. Nesse caso, ele pode ter uma exposição maior em prefixados, mas o risco também é maior”, diz.

O prefixado tem o risco da variação dos juros. Atualmente, o Tesouro Prefixado 2033 paga juros de 13,69%. O risco nesse caso é a Selic nesse período ficar em um patamar muito acima disso.

A parcela da renda variável, de 40%, também deve ter uma diversificação relevante.

A sugestão é que 30% fiquem em ações no Brasil, via fundos ou ETFs.

“A Bolsa está barata, mas isso não significa que o Ibovespa vai se recuperar agora ou no próximo ano. Vemos como uma oportunidade para o longo prazo.”

A parcela de renda variável conta ainda com 5% em ações no exterior e outros 5% em fundos imobiliários.

Embora a sugestão seja de uma carteira para o longo prazo, em que o investidor consegue atenuar com essa exposição as variações de curto prazo, Brito reconhece que há a demanda por realocações quando o cenário piora ou melhora muito.

Nesse caso, essa carteira permite uma variação de até 10%, ou seja, a parcela de renda fixa poderia subir para 70% e a de renda variável, cair para 30%.

“Normalmente, quando bolsa sobe, todo mundo é agressivo. Quando cai, todo mundo é conservador”, conta.

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