XP (XPBR31) cai 5,9% após Itaúsa (ITSA4) vender ações e apanha nas redes com SAF do Cruzeiro

Corretora sofre críticas nas redes sociais por seu papel na negociação de venda do Cruzeiro a Ronaldo

Foto: Divulgação

Os BDRs da XP investimentos (XPBR31) operavam em forte queda nesta quarta-feira (23), depois de a Itaúsa (ITSA4) ter se desfeito do equivalente a R$ 1,8 bilhão em ações da corretora – e sinalizar que as vendas devem continuar.

Não bastasse isso, a corretora tem apanhado nas redes sociais depois de uma reportagem do portal GE, da Rede Globo, apontar fragilidades no contrato de venda do Cruzeiro para o ex-jogador de futebol Ronaldo. A XP foi contratada pelo Cruzeiro para assessorá-la na negociação.

Por volta das 13h, os BDRs da companhia eram negociados em baixa de 5,92%, a R$ 153,65, enquanto suas ações negociadas nos Estados Unidos (XP) tinham baixa de 4,12%, a US$ 31,77.

A holding Itaúsa vendeu 12 milhões de ações classe A da XP, o que corresponde a 2,14% do capital total da companhia. Com isso, a participação da holding na XP passou a ser de 11,51%.

“A alienação decorre da decisão estratégica da companhia de reduzir sua participação na XP, conforme divulgado anteriormente, por não se tratar de ativo estratégico”, diz a Itaúsa, em fato relevante publicado na manhã desta quarta-feira (23). A holding cita também a necessidade de recompor seu caixa após investimentos recentes.

O movimento já era antecipado pelo mercado, depois de o presidente-executivo da Itaúsa, Alfredo Setubal, ter comunicado, durante a teleconferência de resultados do quarto trimestre, em fevereiro deste ano, que faria novas vendas de ações da corretora.

Segundo o executivo, a XP não é um investimento estratégico para a Itaúsa, que busca diversificação para além do setor de serviços financeiros. “Entendemos que o Itaú per si já é um investimento super relevante na área de serviços financeiros. Então nossa ideia é ir reduzindo participação na XP para fazer compensações de despesas da holding”, explica.

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Além disso, a Itaúsa sinalizou, no fato relevante de hoje, que poderá vender mais 24 milhões de ações da XP ao longo de 2022, a depender das condições de mercado.

A previsão da Itaúsa é que a venda anunciada nesta quarta-feira impacte seus resultados do primeiro trimestre de 2022 em cerca de R$ 1,1 bilhão.

E o Cruzeiro?

A XP Investimentos tem enfrentado críticas nas redes sociais desde que uma matéria do GE, publicada na madrugada de hoje, expôs termos do contrato de compra da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Cruzeiro para o ex-jogador Ronaldo, que vem sendo intermediada pela corretora.

O contrato em questão é um pré-acordo assinado em dezembro pelo Cruzeiro e por Ronaldo, que envolve a compra de 90% do clube.

A constatação do jornalista Rodrigo Capelo, que assina a matéria, e de boa parte do público nas redes sociais, é que o contrato favorece o ex-jogador em detrimento do clube. O grande problema é que a XP foi contratada pelo Cruzeiro para auxiliá-lo em sua venda, e não por Ronaldo.

Quando a venda foi anunciada, a XP havia comunicado ao mercado que Ronaldo investiria R$ 400 milhões no clube nos próximos anos. Um dos pontos mais polêmicos é o fato de, segundo o contrato, Ronaldo ter a obrigação de aportar R$ 50 milhões no negócio, mas não precisar desembolsar os R$ 350 milhões restantes.

Além disso, o ex-jogador pode obrigar a associação a recomprar os ativos de futebol do clube pelo mesmo valor que ele tiver gastado, caso seja constatado que não foram tomadas providências para reestruturar seu endividamento.

Outros aspectos que chamam a atenção são seis “condições suspensivas” presentes no contrato para proteger os interesses de Ronaldo, mas nenhuma para proteger o clube.

Procurada pela reportagem do GE, a equipe do ex-jogador afirmou: “Ronaldo recebeu da XP (contratada pelo Cruzeiro), assim como outros players do mercado, um cenário de oferta para a possível aquisição da SAF. Dentro do que entendeu justo, considerando a gigantesca dívida do clube, fez sua proposta formal.”

Já Sérgio Rodrigues, presidente do Cruzeiro, afirmou, em resposta à reportagem, que o clube teve conhecimento de uma segunda proposta, mas que confia na qualidade da XP para assessorá-lo na escolha dos termos mais sustentáveis para o clube ao longo do tempo.

Rodrigues se refere a uma proposta alternativa, que foi recusada por recomendação da XP, mas cujos valores e condições não foram divulgados.

Em nota oficial, a XP Investimentos reiterou que os R$ 400 milhões acordados serão pagos por Ronaldo, mas que houve “imprecisões técnicas e interpretações errôneas” na descrição do contrato feita por conselheiros.

Em seu texto, o jornalista aponta que a grande culpada pelos termos que desfavorecem o Cruzeiro é a XP, e acusou a corretora de tentar confundir a torcida do Cruzeiro e o mercado com a promessa dos R$ 400 milhões em investimentos.

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