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Itaúsa (ITSA4) mira aquisições em setores de energia renovável e concessões

Itaúsa (ITSA4) mira aquisições em setores de energia renovável e concessões

Crescimento no lucro de todas as companhias do portfólio e venda de ações da XP impulsionaram os ganhos

Fachada de prédio da Itaúsa, com foco no logo

Foto: Divulgação

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Depois de todas as empresas em que a Itaúsa (ITSA4) detém participação reportarem resultados positivos no quarto trimestre de 2021, impulsionando o lucro da holding para R$ 4,12 bilhões, alta de 53% em relação ao mesmo período de 2020, a companhia agora está de olho em compras nos setores de energias renováveis e concessões.

Segundo Alfredo Setúbal, presidente e diretor de Relações com Investidor da Itaúsa, em teleconferência sobre os resultados na manhã desta terça-feira (15), a companhia vê nestes setores oportunidades de realizar investimentos sólidos, de boa performance, de boa geração de caixa e que paguem dividendos.

“O que se pode esperar são investimentos sólidos em empresas líderes, que no seu conjunto mostrem a importância da Itaúsa nas suas áreas de atuação”, declarou o executivo.

Crescimento em todas as empresas do portfólio

O grande motor dos resultados da Itaúsa foi o Itaú Unibanco (ITUB4), empresa de maior peso no portfólio da holding. Nos resultados do banco, a Itaúsa destaca as evoluções na estratégia de atendimento físico e digital (physical) e na integração de canais, os investimentos em tecnologia e ganhos de eficiência operacional, o crescimento da carteira de crédito e a expansão do banco digital Iti, que atingiu 14,6 milhões de clientes.

Outro destaque foi a NTS, na qual a Itaúsa aumentou sua participação na companhia para 8,5% em abril, com a saúda da Petrobras (PETR4) do quadro de acionistas. O principal feito da empresa ao longo do ano, segundo a holding, foi a internalização da operação e da manutenção de seus gasodutos.

A companhia teve alta de 14% no lucro líquido do trimestre, para R$ 777 milhões, e de 21% nos ganhos do ano, para R$ 3,06 bilhões.

A Copa Energia, por sua vez, apresentou avanços importantes no processo de integração e captura de sinergias entre as subsidiárias Copagaz e Liquigás e se destacou pelo reposicionamento de sua marca corporativa, disse a Itaúsa.

A companhia reverteu o prejuízo de R$ 2 milhões no quarto trimestre de 2020 e registrou lucro de R$ 43 milhões no mesmo período de 2021, fechando o ano com ganhos de R$ 198 milhões, acima dos R$ 140 milhões do ano anterior.

A Aegea, de que a Itaúsa adquiriu fatia de 12,88% em julho, se destacou pelo sucesso no leilão dos blocos 1 e 4 da CEDAE-RJ, que fez a companhia dobrar sua capacidade de atendimento, e pelo início antecipado das operações das SPEs Águas do Rio 1 e 4.

Ainda que o lucro líquido anual, de R$ 501 milhões, tenha ficado um pouco abaixo dos R$ 504 milhões registrados em 2020, os ganhos do quarto trimestre tiveram alta, e subiram de R$ 51 milhões para R$ 191 milhões.

A Alpargatas (ALPA4), por sua vez, apresentou como destaques a aquisição da Rothy’s e a venda da Osklen, focando em negócios com mais rentabilidade, os avanços na estratégia digital e de internacionalização e a aceleração do crescimento da marca Havaianas. O resultado foi de alta no lucro líquido do trimestre, de R$ 54 milhões para R$ 294 milhões, e no ano, de R$ 140 milhões para R$ 690 milhões.

Em fevereiro deste ano, a Itaúsa manifestou o compromisso de subscrever e integralizar 27.720.403 ações da Alpargatas na oferta prioritária anunciada pela varejista.

Também no varejo, a Dexco (DXCO3), na avaliação da Itaúsa, foi capaz de ampliar seus níveis de eficiência, aumentar sua exposição e negócios de maior valor agregado, reposicionar a marca corporativa, iniciar um novo ciclo de expansão e embarcar em um novo projeto de celulose, que será concluído dentro do prazo e do orçamento estipulados.

O lucro líquido do negócio no trimestre foi de R$ 581 milhões, contra R$ 302 milhões no mesmo período de 2020, e os ganhos do ano foram de R$ 1,726 bilhão, alta em relação aos R$ 454 milhões de 2020.

Venda de ações da XP também somou

Outro fator que ajudou os números da Itaúsa foi a venda de parte de sua fatia na XP (XPBR31), equivalente a R$ 1,2 bilhão. Depois dos últimos desinvestimentos, que devem continuar neste ano, a holding detém 13,67% do capital da XP.

Segundo Alfredo Setubal, a XP não é um investimento estratégico para a Itaúsa, que busca diversificação para além do setor de serviços financeiros. “Entendemos que o Itaú per si já é um investimento super relevante na área de serviços financeiros. Então nossa ideia é ir reduzindo participação na XP para fazer compensações de despesas da holding”, explica.

Com tudo isso, a Itaúsa encerrou 2021 com lucro de R$ 12,1 bilhões, crescimento de 68% em relação ao ano anterior. O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) recorrente de 19,9% também foi destaque, depois de subir 6,6% em relação ao registrado em 2020.

O presidente da companhia chama atenção ainda para o endividamento, que, apesar de ter crescido devido à emissão de debêntures para a aquisição de participações na Copa e na Aegea, continua em um patamar confortável, de acordo com o executivo.

Outro destaque foi o dividend yield, que encerrou o exercício de 2021 a 5,5%, crescimento em relação aos 4,2% do ano anterior.

Ação segue descontada

Apesar dos resultados, o desconto das ações da holding em relação ao valor de marcado de suas participações aumentou para 21,5%, ante 20,9% no terceiro trimestre. “Seguimos acreditando no fechamento do desconto, dado que ineficiências da holding justificam somente 10,7% de desconto”, disse a equipe de analistas da Genial Investimentos, em comentários ao mercado.

A companhia tem a mesma opinião, segundo Alfredo Setubal: “Nossos investimentos somam R$ 100 bilhões, e a companhia no fim do ano valia R$ 89 bilhões na Bolsa. Continuamos achando esse desconto exagerado, até porque todas as empresas têm apresentado ROEs muito altos. Não vemos uma justificativa válida para esse desconto.”

O mercado, de uma maneira geral, parece concordar com essa análise. De acordo com dados da Refinitiv disponíveis na plataforma TradeMap, oito das 10 casas de análise consultadas recomendam compra para a ação, enquanto apenas duas indicam a manutenção do papel na carteira.

A mediana dos preços-alvo dos analistas é de R$ 13,17, o que representa alta de 26% em relação ao preço do fechamento de segunda-feira (14), de R$ 10,48.

Por volta das 12h30 desta terça-feira, o papel era negociado em alta de 0,86%, a R$ 10,57.

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