Com a margem mais apertada da história, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito presidente da República ontem com 50,9% dos votos, superando seu adversário, o presidente Jair Bolsonaro (PL). Com o resultado, os ativos brasileiros nas bolsas internacionais caem com força, e a expectativa é que o mercado opere na defensiva, à espera de indicações de quem será a equipe econômica a partir de janeiro e de sinais de como será a transição de poder nos próximos meses.
Ontem, os presidentes da Câmara, Arthur Lira, e do Senado, Rodrigo Pacheco, reconheceram a vitória do ex-presidente, e o presidente dos EUA, Joe Biden, soltou uma nota parabenizando Lula meia hora depois do anúncio do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Bolsonaro, entretanto, ainda não reconheceu o resultado do pleito, e não recebeu seus ministros na noite deste domingo (30).
Em discurso, Lula afirmou que a vitória não pode ser atribuída somente a ele e o PT, e sim à frente ampla que se formou em torno do seu nome para derrotar o presidente. Sem nenhuma indicação de qual será o seu ministro da Economia, e em um cenário de tendência de mais intervenção em estatais, os ativos brasileiros caem com força lá fora.
Por volta das 7h50, o EWZ, principal ETF do Brasil na bolsa de Nova York, tombava 4,90%. Os ADRs (recibos de ações negociadas no exterior) da Petrobras (PETR3, PETR4) desabavam cerca de 10%.
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Balanços
Além do pós-eleições, o mercado brasileiro será influenciado na semana pela bateria de balanços do terceiro trimestre que serão informados nos próximos dias, incluindo a própria Petrobras.
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Além da estatal, outras 13 empresas vão soltar os números do período, com destaque para Cielo (CIEL3), CSN (CSNA3), CSN Mineração (CMIN3), Prio (PRIO3), Fleury (FLRY3), Pão de Açúcar (PCAR3), Lojas Renner (LREN3) e Multiplan (MULT3).
Confira abaixo a lista completa:
Decisão do Fed
Na próxima quarta-feira (2), dia de feriado de Finados no Brasil, o Federal Reserve, o banco central americano, informa a nova taxa de juros dos Estados Unidos. A maior parte dos analistas espera uma nova alta de 0,75 ponto percentual, que pode ser a última dessa magnitude.
Segundo dados do CME Group, 47,9% dos investidores acreditam que o Fed conseguirá reduzir o ritmo para 0,50 ponto no final do ano, com a inflação dando alguns sinais de desaceleração. Apesar disso, a inflação na maior economia do mundo continua rodando em um patamar elevado.
Na semana passada, foi divulgado o PCE (índice de preços para despesas de consumo pessoal) de setembro, que mostrou avanço de 0,3% no mês passado. Já o núcleo do indicador, que exclui itens de preços mais voláteis, como energia e alimentos, subiu 0,5%, dentro do esperado por analistas ouvidos pela Reuters.
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Além disso, os mercados acompanham com lupa a divulgação da criação de vagas e ganho médio por hora nos Estados Unidos em outubro, dados que serão informados na sexta-feira (4). O desempenho do mercado de trabalho é importante para determinar como está o ritmo da economia e as pressões inflacionárias dos salários.
Na quinta (3), será divulgada ainda a nova taxa de juros do Reino Unido pelo BoE (Banco da Inglaterra), que toma a primeira decisão de política monetária após a renúncia de Liz Truss do cargo de premiê e sua substituição por Rishi Sunak.
Por volta das 8h20, os índices futuros americanos operavam em queda: o Dow Jones caía 0,31%, o S&P 500 recuava 0,38% e o Nasdaq perdia 0,52%. No mesmo horário, o índice europeu Euro Stoxx 50 subia 0,22%.
Veja abaixo a agenda completa:
Segunda-feira
Às 7h, a zona do euro informa a prévia do CPI (índice de preços ao consumidor) de outubro.
Às 8h25, o Banco Central publica o Boletim Focus, com projeções do mercado para inflação, juros, câmbio e PIB.
Terça-feira
Às 8h, o Banco Central divulga a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do BC).
Às 9h, o IBGE informa a produção industrial de setembro.
Quarta-feira
Mercado brasileiro fechado pelo feriado de Finados.
Às 15h, o Federal Reserve, o banco central dos EUA, informa a nova taxa de juros americana.
Quinta-feira
Às 7h, a zona do euro informa a taxa de desemprego do bloco em setembro.
Às 9h, o BoE (Banco da Inglaterra) divulga a nova taxa de juros do Reino Unido.
Às 9h30, o DoL (Departamento de Trabalho dos EUA) divulga o número atualizado de pedidos de auxílio desemprego.
Sexta-feira
Às 9h30, os Estados Unidos informam a taxa de desemprego e ganho médio por hora dos americanos em outubro.