Mesmo com a queda de produção e venda de derivados, na comparação anual, analistas afirmam que não houve surpresa nos resultados prévios da Petrobras (PETR4; PETR3) referentes ao terceiro trimestre deste ano, já que a maioria dos números pôde ser vista de forma antecipada na ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis).
No período, a estatal produziu 2,64 milhões de boed (barris de óleo equivalente ao dia), o que representa uma queda de 6,6% em comparação aos meses de julho, agosto e setembro de um ano antes. No Brasil, a produção atingiu 2,61 milhões de barris por dia (bpd), uma queda de 6,5% na mesma base comparativa.
As vendas de derivados, por sua vez, somaram 1,798 milhão de bpd no terceiro trimestre, queda de 7,6% na comparação anual. Ao mesmo tempo, as exportações de petróleo caíram 39,9% na mesma base comparativa, atingindo 363 mil bpd.
Em relação ao segundo trimestre, os números vieram em linha com o esperado, portanto, sem nenhuma surpresa negativa ou positiva, mesmo com o preço do petróleo Brent ficando ao redor de US$ 93 no período.
Na visão do Itaú BBA, o bom desempenho em novos ativos foi suficiente para compensar a menor produção anual causada pela redução da participação em Atapu e Sépia, localizados na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, além do descomissionamento e desmobilização do FPSO (navio-plataforma que produz, armazena e transfere petróleo e gás natural) Capixaba.
Dado o bom desempenho, mesmo com a parada para manutenção de algumas plataformas, que voltam a operar no último trimestre de 2022, a empresa reafirmou sua expectativa de atingir a produção prevista para este ano, que é de 2,6 milhões de barris de óleo equivalente ao dia.
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Para o BTG, a boa notícia do trimestre é que os grandes projetos como a plataforma P-68 e FPSO Guanabara estão crescendo rapidamente, com a primeira operando acima da capacidade nominal.
O banco ressalta que a produção do pré-sal correspondente a mais de 70% do total é outro ponto positivo, uma vez que confirma a alta qualidade dos campos e o respectivo baixo custo.
Do lado negativo, o BTG espera um Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) menor no terceiro trimestre, de US$ 13,9 bilhões na área de Exploração & Produção, como reflexo de patamar mais baixo do preço do Brent.
A XP, que também vê o resultado operacional como dentro do esperado, prevê um trimestre com Ebitda ao redor de US$ 17,6 bilhões.
Na área de refino, a corretora destacou o aumento sequencial de taxa de utilização das refinarias, atualmente em 86%, numa base de média móvel de 12 meses, patamar não visto desde o segundo trimestre de 2016. ((a gente sabe o que ocorreu nesse período?))
Em relatório desta terça-feira (25), o Bank of America alertou que, embora a Petrobras tenha muitos aspectos positivos, incluindo a probabilidade de uma forte geração de fluxo de caixa no trimestre, as incertezas estão mais relacionadas à alocação de capital da empresa após o segundo turno das eleições presidenciais.
Dividendos
Embora a maioria da previsão dos analistas seja de um Ebitda menor no terceiro trimestre, o pagamento de dividendo deve continuar em patamar elevado.
De acordo com o BTG, a Petrobras deve pagar US$ 6,5 bilhões em dividendos, ou seja, um dividend yield de 8%.
O dividend yield nada mais é do a taxa de retorno com os dividendos. O indicador relaciona os proventos distribuídos pela empresa e o preço das ações negociadas na Bolsa.
A XP, por sua vez, projeta um dividendo um pouco menor, de US$ 6 bilhões, ou R$ 2,4 por ação preferencial, o equivalente a 7% de dividend yield.
Por volta de 12h10, a ação preferencial da estatal operava em queda de 0,73%, a R$ 33,21, enquanto o papel ordinário caia 0,6%, negociado a R$ 36,52.