A Selic parou de subir, mas a taxa de juros a 13,75% ao ano ainda garante um cenário muito positivo para os investimentos em renda fixa. Entre os instrumentos mais acessíveis estão os títulos emitidos por instituições financeiras, como CDBs, LCIs e LCAs.
Esses são os papéis que possuem a garantia do FGC (Fundo Garantidor de Crédito), limitada a R$ 250 mil por CPF na mesma instituição financeira.
Eles também oferecem diferentes tipos de prazos e podem ser pós-fixados, prefixados ou atrelados à variação da inflação.
Na plataforma TradeMap é possível consultar quais as melhores opções para cada um desses papéis. Listamos as cinco melhores opções de cada uma das categorias, considerando aplicações de até R$ 5 mil.
No caso dos CDBs prefixados, é possível encontrar alternativas que pagam em torno de 15% ao ano, mas para prazos que superam os dois anos. As consultas foram feitas no dia 21 de setembro, quando já havia a expectativa majoritária de manutenção da Selic.
E quando se fala em renda fixa, o investidor deve levar em conta a incidência do IR (Imposto de Renda) sobre os rendimentos. A alíquota varia de acordo com o prazo que o dinheiro fica aplicado.
Quando o resgate é feito em até 180 dias, a alíquota é de 22,5%. Para o prazo entre 181 e 360 dias, cai para 20%. Ainda há duas faixas, 17,5% (361 a 720 dias) e 15% (acima de 721 dias) – LCIs e LCAs são isentas.
Risco de reinvestimento
Segundo Marina Renosto, chefe da mesa de renda fixa da Blackbird Investimentos, o encerramento do ciclo de alta de juros beneficia os investimentos em prefixados. No entanto, a alocação entre os tipos de indexadores irá depender do horizonte de investimento e também dos riscos.
“Não está escrito em pedra que a taxa de juros vai cair, mas é um bom momento para ter um pouco mais de prefixado”, diz.
Entre os riscos está o de a Selic voltar a subir. O comunicado do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) alertou que a taxa pode aumentar de novo “caso o processo de desinflação não transcorra como esperado”.
O menor risco está nos prefixados entre 2 e 5 anos. Se os juros passarem a cair a partir de meados do ano que vem, como esperado, o investidor garante um ganho maior acima da taxa básica. Por outro lado, se as expectativas forem frustradas, a perda será limitada.
“É importante ter vencimentos escalonados. Você balanceia os riscos da variação da taxa e também de reinvestimento”, diz Renosto.
O risco de reinvestimento é o investidor colocar todo o dinheiro em um vencimento curto, de dois anos. Passado esse prazo, o cenário de queda da Selic pode ter se confirmado e ele só encontrará papéis com retorno mais baixo.
A sugestão é que 25% da carteira de renda fixa fique em prefixado. No início do ano, essa fatia era menor, de cerca de 15%. A parcela maior segue no pós-fixado, com 40%, e 35% em títulos corrigidos pelo IPCA.
Os corrigidos pelo IPCA são aqueles que, além da variação da inflação, pagam uma taxa de juros. E qual a taxa de juros ideal? O que for acima do Tesouro IPCA, já que esse é o papel considerado de menor risco.
O Tesouro IPCA de prazo mais curto (2026) paga 5,65% ao ano. Os papéis bancários de maior retorno disponíveis na plataforma do TradeMap possuem prazos inferiores, mas taxas acima desse patamar.
Para prazos mais curtos, no entanto, o investidor deve levar em conta o risco de deflação, que já ocorreu nos meses de julho e agosto e deve se repetir em setembro.
“No caso de IPCA, dá para alongar os prazos um pouco mais, ter papéis acima de 5 anos nessas taxas (spread sobre o Tesouro IPCA atual). É uma proteção em relação à inflação”, diz Renosto.
O diretor de renda fixa da Empírica, Renato Lázaro Ramos, também considera que o juro real (acima da inflação) oferecido nos papéis que acompanham o IPCA estão atrativos.
“É um bom momento para assegurar um rendimento real por um bom prazo. Sou adapto desses papéis”, diz.
Reserva de emergência
Ramos reforça, no entanto, que isso só é válido para quem não terá necessidade de recurso no curto prazo e já tenha uma reserva de emergência.
Para esses casos, o recomendável é deixar o dinheiro em papéis pós-fixados.
“O CDI tem menos volatilidade. É onde deve ser deixado o dinheiro que pode ser usado a qualquer momento ou em um futuro próximo”, diz.
E mesmo com a perspectiva de queda de juros a partir de meados do ano que vem, o gestor considera que a renda fixa continuará atrativa por um bom período.
A expectativa do Focus é que a Selic cheque a 11,25% ao ano no final de 2023 e a 8% no final de 2024. Já a projeção para a Selic nos mesmos períodos é de 5,01% e 3,50%, respectivamente.