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Vale e bancos derrubam Ibovespa, que cai 0,8%

Vale e bancos derrubam Ibovespa, que cai 0,8%

Mineradoras e siderúrgicas têm forte queda seguindo a baixa no preço do minério de ferro

Foto de placa da Vale, com foco no logo para matéria da Ibiuna

Foto: Divulgação

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Depois de ter fechado em alta no pregão anterior, o Ibovespa operava em queda de 0,81% por volta das 13h15 desta terça-feira, dia 28, aos 104.699 pontos. O índice era derrubado por preocupações em torno do cenário político e fiscal do Brasil e pela queda da Vale (VALE3).

A queda do Ibovespa vai na contramão do exterior, onde a maioria das bolsas opera em alta. Em Wall Street, o S&P 500 tinha alta de 0,13%; o Dow Jones, de 0,45%; e o Nasdaq, leve baixa de 0,18%. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50 subia 0,55% e o DAX, da Alemanha, tinha alta de 0,81%.

O mercado segue repercutindo as preocupações em torno da variante Ômicron do coronavírus, porém com algumas notícias positivas no radar, o que dá ânimo aos investidores internacionais.

Na noite de ontem, o CDC (Centro para Prevenção e Controle de Doenças) dos EUA reduziu a recomendação de isolamento para pessoas que testam positivo para Covid-19, mas não apresentam sintomas, de dez para cinco dias.

“Não vemos medidas mais duras, tanto na América do Norte quanto aqui no Brasil, em relação à restrição de mobilidade. Isso favorece a bolsa americana, mas não tem força suficiente para impulsionar a bolsa brasileira neste momento”, diz Waldir Morgado, sócio da Nexgen Capital.

No Brasil, o principal dado do dia foi a taxa de desemprego, que caiu para 12,1% no trimestre finalizado em outubro, sexta queda consecutiva e um nível melhor que o esperado por analistas, que previam recuo para 12,3%. A renda média dos trabalhadores, por sua vez, foi de R$ 2.449, queda de 4,6% em relação ao trimestre encerrado em setembro.

Para analistas, a taxa de desemprego continua indicando uma tendência de recuperação para o mercado de trabalho. Entretanto, esse número pode se deteriorar a partir do ano que vem, em um cenário de juros em alta e inflação corroendo o poder de compra.

“Entendemos que a piora recente do cenário para a atividade econômica não está sendo capturada pelos dados de mercado de trabalho. Assim, entendemos que as perspectivas positivas para o curto prazo podem mudar de direção a partir do próximo ano, lembrando que historicamente a atividade precede o movimento do mercado de trabalho”, afirmou a equipe de analistas do BTG Pactual Digital.

Na visão de Morgado, pesam ainda sobre o índice as preocupações em torno do cenário fiscal. Em protesto à decisão do governo de privilegiar reajustes salariais para policiais federais, 738 auditores da Receita Federal já entregaram seus cargos de chefia, afetando alfândegas, portos, aeroportos e fronteira. Ainda que o impacto seja pequeno, surgem preocupações de um possível represamento para janeiro.

Destaques do pregão

As maiores quedas do índice eram de Assaí (ASAI3), Grupo NotreDame Intermédica (GNDI3) e Localiza (RENT3), com recuos de 3,59%, 2,88% e 2,85%, respectivamente. Na ponta oposta, Cielo (CIEL3), BR Malls (BRML3) e Banco Pan (BPAN4) lideravam as altas, com ganhos de 3,21%, 2,53% e 1,91%.

As ações do Assaí caem em um movimento de realização de lucros do mês de dezembro, que foi de alta para o papel.

A Vale (VALE3) pesava sobre o Ibovespa, caindo 2,8%, a R$ 76,74, seguindo a baixa nos preços do minério de ferro. Além disso, a Samarco, joint venture da mineradora com o grupo BHP, e seus credores não chegaram a um acordo de recuperação judicial. As negociações devem continuar, segundo comunicado.

Empresas siderúrgicas também caem seguindo o preço do minério. CSN (CSNA3) operava em baixa de 0,08%, a R$ 24,90, enquanto Usiminas (USIM5) recuava 2,46%, a R$ 14,67, e Gerdau (GGBR4) perdia 1,36%, a R$ 26,83.

Os papéis de grandes bancos também ajudam a derrubar o índice, na análise de Morgado. Bradesco (BBDC4) tinha baixa de 0,31%, a R$ 19,40; Banco do Brasil (BBAS3), de 0,85%, a R$ 29,03; Santander (SANB11), de 0,49%, a R$ 30,59; e Itaú (ITUB4), de 0,42%, a R$ 21,47.

Outra baixa significativa era das ações da Copasa (CSMG3), que perdiam 1,94%, a R$ 12,65, um dia depois do anúncio de que a companhia pode pagar uma indenização seis vezes maior do que estava esperando em um processo trabalhista movido pelo principal sindicato de empregados.

A revisão do valor poderá ter uma influência direta no bolso dos acionistas, segundo a Genial Investimentos, que acredita que a Copasa poderá ser “mais conservadora” na distribuição de dividendos para o próximo trimestre.

A alta da BR Malls, por outro lado, segue os dados de vendas acima do esperado para o período de Natal. A Multiplan (MULT3) subia 0,21%, a R$ 18,93, enquanto Iguatemi (IGTI11) tinha leve recuo de 0,06%, a R$ 18,26.

A Petrobras (PETR4) tinha alta de 0,17%, a R$ 20,80, depois de assinar contrato com a Aguila Energia e Participações, em conjunto com a Sonangol, para a venda da participação em um bloco exploratório terrestre na Bacia Potiguar, por US$ 750 mil.

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