Usiminas (USIM5) contraria previsão e divulga prejuízo por receita menor e desvalorização de ativos

O mercado já esperava um balanço fraco, mais ainda projetava lucro ao invés de prejuízo

Foto: Shutterstock/TTstudio

A Usiminas (USIM5) registrou prejuízo líquido de R$ 839 milhões no quarto trimestre de 2022, e reverteu o lucro de R$ 2,4 bilhões que havia registrado no período equivalente de 2021.

Boa parte das perdas foi motivada por uma redução de R$ 1,7 bilhão no valor dos ativos de siderurgia da Usiminas, após reavaliação recente feita pela companhia.

Essa perda – que não tem impacto no caixa, mas afeta o resultado final porque entra no balanço da empresa como uma despesa – foi parcialmente compensada por um aumento no valor de ativos de mineração, devido principalmente a melhores perspectiva do preço futuro de longo prazo do minério de ferro.

O prejuízo também foi motivado pela queda de 5% na receita líquida da Usiminas no quarto trimestre, a R$ 7,6 bilhões. Esta linha do balanço, porém, veio veio levemente acima das expectativas do mercado.

O mercado já esperava um balanço fraco, mais ainda projetava lucro ao invés de prejuízo. O BTG vislumbrava um lucro líquido de R$ 198 milhões, a Genial Investimetos esperava R$ 204 milhões e o Santander tinha uma expectativa de R$ 90 milhões positivos.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) ajustado teve queda de 76% na comparação anual, e atingiu R$ 579 milhões.

Já a margem Ebitda ajustada atingiu 7,6% entre outubro e dezembro de 2022, baixa de 23 pontos percentuais (p.p.) frente a margem registrada no quarto trimestre de 2021.

Produção da Usiminas

No quarto trimestre, o volume de produção do minério de ferro foi de 2,3 milhões de toneladas, uma redução de 6% em comparação ao quarto trimestre de 2021. Segundo a Usiminas, a queda ocorreu devido à manutenção programada realizada em uma das plantas de beneficiamento.

Essa manutenção, inclusive, preocupava agentes do mercado. Em agosto do ano passado, a Usiminas aprovou a alocação de R$ 1,1 bilhão em reparos emergenciais na coqueria 2 da usina de Ipatinga. O montante será distribuído ao longo dos próximos anos da seguinte forma: R$ 57 milhões ainda neste ano, R$ 97 milhões em 2023 e R$ 951 milhões de 2024 até 2026.

Na época, o BTG Pactual deixou de recomendar a compra do papel por acreditar que essa alocação traria uma perspectiva de lucros menores no futuro da companhia

De acordo com a Usiminas, em seu balanço, o CAPEX, ou seja, os investimentos da empresa, totalizou R$ 2,2 bilhões em 2022 justamente pelos R$ 611 milhões investidos nos preparativos para a reforma do Alto-Forno 3 da Usina de Ipatinga, que acontecerá em abril de 2023. “Até o final de 2022, já foram investidos R$ 1,2 bilhão para a reforma do equipamento”, disse a empresa.

Na siderurgia, a produção de aço bruto atingiu 650 mil toneladas no último trimestre de 2022, número 10% menor que o visto no ano anterior. A produção total de laminados foi de 1 milhão de toneladas, 14% abaixo do registrado no quarto trimestre de 2021.

Projeções para 2023

A Usiminas também divulgou uma projeção para os seus investimentos (Capex) em 2023, e afirmou que planeja R$ 3,2 bilhões de investimentos no período. No ano passado, a empresa projetava investir R$ 2,4 bilhões em 2023.

A maior parte, R$ 2,6 bilhões, irá para a unidade de siderurgia, enquanto a mineração receberá R$ 500 milhões e a transformação R$ 100 milhões. No Alto-Forno 3, a empresa pretende gastar R$ 1,2 bilhão.

Na produção, a empresa espera vender entre entre 8,5 e 9 milhões de toneladas de minério de ferro em 2023, em linha com as 8,6 milhões de toneladas vendidas em 2022.

Já para o aço, a Usiminas espera, no primeiro trimestre de 2023, uma faixa entre 950 mil e 1,05 milhão de toneladas.

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