As ações do Twitter negociadas nos Estados Unidos abriram o pregão em queda de quase 8% depois de o empresário Elon Musk desistir de comprar a companhia, alegando dificuldades para obter dados sobre a proporção de contas falsas ou spam dentro da rede social.
“Essa informação é fundamental para os negócios e para a performance financeira do Twitter”, disse Mike Ringler, assessor de Musk na transação, num documento publicado na noite de sexta-feira (8), para justificar o fim das negociações.
“Algumas vezes o Twitter ignorou os pedidos de Musk, às vezes os rejeitou por razões que parecem injustificadas, e às vezes afirmou entregar as informações, mas forneceu dados incompletos ou inúteis”, completou.
A equipe de Musk foi além, alegando que o Twitter não só falhou em oferecer informações importantes, como também fez declarações falsas e que induzem ao erro, nas quais o bilionário confiou antes de fechar o acordo para comprar a empresa.
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O executivo-chefe do Twitter, Parag Agrawal, disse que o conselho de administração da companhia está “comprometido em concluir a transação sob os preços e termos que havia sido negociados com Musk” e que pretende levar o assunto à Justiça. “Estamos confiantes que vamos prevalecer”, acrescentou.
Na madrugada desta segunda-feira (11), Musk usou sua conta no Twitter para ironizar as declarações de Agrawal. Ele publicou uma montagem com fotos suas rindo acompanhadas do texto: “Disseram que eu não poderia comprar o Twitter. Então eles não divulgaram informações sobre os bots. Agora querem me forçar a comprar o Twitter no tribunal. E agora terão que divulgar as informações sobre os bots no tribunal.”
— Elon Musk (@elonmusk) July 11, 2022
Por volta das 10h50, as ações do Twitter negociadas na bolsa americana Nasdaq caíam 7,7%, para US$ 33,95 – preço menor que o de US$ 39,31 registrado em 1º de abril, data que antecedeu os primeiros movimentos de Musk para comprar a companhia.
No mesmo horário, os BDRs (recibos de ação) do Twitter negociados na B3 caíam 6,3%, para R$ 90,84, cotados também ligeiramente abaixo do preço de fechamento de 1º de abril, de R$ 91,36.
Relembre o caso
A negociação para compra do Twitter começou no início de abril, quando Musk se tornou um dos principais acionistas da companhia, ao adquirir 9% das ações. Na ocasião, de acordo com um documento publicado pelo Twitter na SEC (a Comissão de Valores Mobiliários americana), o bilionário comprou cerca de 73,5 milhões de papéis da companhia pelo valor de US$ 2,9 bilhões.
Posteriormente, Musk recusou um assento no conselho de administração do Twitter, mesmo depois de ter insinuado que faria mudanças na empresa após se tornar um acionista relevante.
A indicação de Musk para o conselho do Twitter foi anunciada no dia 5 de maio e seu ingresso no colegiado seria formalizado no dia 9, mas Agrawal, executivo-chefe da companhia, divulgou um comunicado dizendo que o dono da Tesla havia recusado o cargo.
Vale ressaltar que Musk sempre fez críticas públicas à rede social, chegando a afirmar no passado que o Twitter estaria prejudicando a democracia ao não aderir aos princípios de liberdade de expressão.
Depois de recusar a posição no conselho, começaram a surgir os boatos de que Musk iria comprar a empresa. Segundo uma notícia da Reuters do dia 25 de abril, o Twitter fecharia a venda por cerca de US$ 43 bilhões em dinheiro. Na mesma data, o jornal americano The Wall Street Journal informou que a rede social e o dono da Tesla haviam se reunido para discutir uma proposta e que o valor teria chegado a US$ 46,5 bilhões.
O dono da Tesla confirmou depois a operação de compra, por cerca de US$ 44 bilhões.
Sob os termos do acordo, Musk pagaria US$ 54,20 por ação da empresa. O valor à época representava um acréscimo de 38% em relação ao preço de fechamento da ação do Twitter em 1º de abril – o último pregão antes de o empresário anunciar que havia comprado 9% na empresa.
Pelos termos acertados, Musk fecharia o capital do Twitter, que tem ações negociadas em Bolsa desde o fim de 2013.
Quase 20 dias depois de anunciar a aquisição, contudo, Musk afirmou em 13 de maio que o acordo para a compra estava temporariamente suspenso, e de lá até o fim da semana passada, quando desistiu da operação, fez comentários sugerindo que poderia reduzir a oferta inicial feita pela companhia.