Trabalhador dos EUA está custando mais e produzindo menos – e essa mudança pode afetar juros do país

Com custo da mão de obra crescendo rápido, banco central americano tem motivos para continuar aumentando juros com força, diz Wells Fargo

Foto: Shutterstock

Os Estados Unidos criaram duas vezes mais empregos que o previsto em julho, mesmo em meio à contração da economia. No entanto, os trabalhadores estão custando mais caro e produzindo menos – e essa mudança pode significar demissões à frente e altas intensas nos juros do país no curto prazo. A avaliação é do banco americano Wells Fargo.

Em relatório enviado a clientes, as economistas Sarah House e Shannon Seery ressaltam que, no segundo trimestre, a produtividade dos trabalhadores americanos caiu 4,6% em termos anualizados. Isso depois de encolher 7,4% no primeiro trimestre – o maior declínio em 74 anos.

Elas ressaltam que o desempenho está fraco mesmo considerando um período de 12 meses, que suaviza o efeito negativo das quedas recentes. Nesse cálculo, a produtividade do trabalhador americano encolheu 0,4% até junho deste ano. Para fins de comparação, no período pré-pandemia, a produtividade crescia a um ritmo de 1,3%.

“Se os trabalhadores estão mais produtivos, as empresas conseguem pagar mais sem pressionar os lucros ou alimentar uma espiral [de aumento] de salários e preços. Não é isso que vemos hoje”, afirmam House e Seery.

De acordo com as economistas, o custo do trabalho ajustado pela produtividade subiu 10,8% no segundo trimestre em termos anualizados. A meta de inflação buscada pelo banco central dos EUA, o Federal Reserve, é de 2% ao ano. Isso significa que o custo da mão de obra deveria subir a um ritmo bem menor.

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“O Fed simplesmente não consegue chegar a uma inflação de 2% com esse tipo de produtividade e crescimento salarial”, afirmam as economistas do Wells Fargo, acrescentando que os dados dão espaço para o banco central americano continuar elevando os juros até que os aumentos de salário percam fôlego e a inflação desacelere.

Os dados mais recentes sobre o mercado de trabalho americano deixaram os investidores inclinados a esperar um aumento de 0,75 ponto porcentual na taxa básica de juros dos EUA em setembro, para a faixa de 3,00% a 3,25% ao ano. Antes de os números serem divulgados, a expectativa majoritária era de um aumento menos intenso, de 0,50 ponto porcentual.

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