A disparada das taxas de títulos prefixados atraiu os investidores e aumentou em 40% o volume líquido de títulos vendidos por meio do Tesouro Direto em julho na comparação com o mês anterior. Em contrapartida, as opções indexadas à taxa básica de juros, a Selic, perderam popularidade, segundo dados divulgados pelo governo nesta sexta-feira (26).
O movimento de alta dos juros em julho foi induzido pela perspectiva de aumento das taxas no exterior e pela percepção de que a inflação levará mais tempo para desacelerar no Brasil em 2023, visto que algumas medidas para amenizar a alta de preços neste ano devem ter o efeito contrário no ano que vem, quando deixarem de vigorar.
Com isso, as taxas de juros dos títulos prefixados para 2025 e 2029 registraram no mês passado os maiores níveis desde que estes dois papéis começaram a ser negociados, passando de 13% ao ano.
Isso se somou à perspectiva de que a alta nos preços perderia fôlego gradualmente, aumentando o retorno real proporcionado pelos títulos prefixados, e à expectativa de que no Brasil os juros provavelmente parariam de subir nos próximos meses – o que diminuiu o apelo dos títulos do Tesouro Direto vinculados à taxa básica de juros, a Selic.
Neste contexto, as opções prefixadas (LTN) fecharam julho com vendas líquidas de R$ 123 milhões, 41% acima dos R$ 87,8 milhões registrados em junho. O bom desempenho, porém, não se repetiu nos prefixados com juros semestrais (NTN-F), que registraram a retirada de R$ 76 milhões em julho, ante aporte de R$ 50,9 milhões no mês anterior.
Apesar de ainda representarem a maior fatia das vendas do Tesouro Direto, as vendas líquidas do Tesouro Selic retraíram quase 3% em julho (R$ 818,3 milhões) contra junho (R$ 842,5 milhões).
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A despeito do aumento das vendas líquidas, a participação dos investidores do Tesouro Direto no prefixado ficou estável em 12,9%, enquanto a busca pela Selic caiu para 49,4%, ante 55,3% no mês passado.
O movimento de queda das participações na Selic reflete a percepção do mercado de que o Banco Central deve encerrar o ciclo de alta dos juros no atual patamar de 13,75% ao ano em vez de continuar elevando a taxa.
Os papéis do Tesouro Direto indexados à taxa básica de juros são os mais indicados em momentos de forte incerteza e de expectativa de alta de juros, pois a remuneração que oferecem aumenta na mesma proporção.
O alto grau de liquidez e o acompanhamento da taxa de juros também fazem com que os papéis indexados à Selic sejam os mais recomendados para investidores mais conservadores e para a construção de uma reserva de emergência.
Mercado também comprou mais proteção contra inflação
As vendas líquidas dos papéis atrelados à inflação também cresceram em julho. No caso dos títulos IPCA+ (NTN-B Principal), o aumento foi de 55% na comparação com junho, para R$ 630 milhões,
Já os títulos vinculados à inflação com juros semestrais (NTN-B) encerraram o mês com venda líquida de R$ 249 milhões, alta de 74% ante os R$ 144,4 milhões registrados no mês anterior.
O movimento se explica pelo fato de as taxas oferecidas por estes títulos terem atingido em julho o maior nível desde o final de 2016, acompanhando o mesmo movimento de alta que impulsionou as taxas dos títulos prefixados.
A diferença, neste caso, é que além dos juros elevados, os investidores que compraram os papéis ainda garantiram proteção contra a inflação nos próximos anos.