Tesouro Direto tem operações suspensas no “day after” das eleições

Antes da paralisação, títulos prefixados e com retornos atrelados à inflação subiam em relação ao pregão de sexta-feira

Foto: Shutterstock/rafastockbr

Em um dia de volatilidade nos mercados após Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ganhar as eleições presidenciais, a negociação dos títulos do Tesouro Direto foi suspensa na manhã desta segunda-feira (31), em meio às incertezas em torno da equipe econômica do vencedor e do não reconhecimento até agora do resultado do pleito pelo presidente Jair Bolsonaro (PL).

A paralisação da negociação de títulos prefixados e atrelados à inflação é uma praxe quando a volatilidade do mercado de juros está elevada, já que os preços e as taxas são atualizados três vezes por dia. A ideia dessa regra é evitar uma defasagem muito grande entre as taxas praticadas e as indicadas no Tesouro Direto, protegendo o investidor. Nesses períodos, o investidor consegue negociar apenas títulos do tipo Tesouro Selic.

A suspensão aconteceu às 11h04. Com base nos preços das 9h40, todas as taxas mostravam alta na comparação com o fechamento de sexta-feira (28). O Tesouro Prefixado 2025, por exemplo, era negociado a uma taxa de 11,92% ao ano, um avanço em relação aos 11,85% do pregão anterior, enquanto o prêmio anual do título prefixado com vencimento em 2029 atingiu 12% (ante 11,91% do pregão anterior).

Entre os papéis com rendimentos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA 2026 era negociado a uma taxa real de 5,59% antes da suspensão, avançando em relação ao fechamento da sexta-feira, quando o título pagava 5,56% ao ano. O aumento foi notado também nos vencimentos mais longos, com o Tesouro IPCA 2035, por exemplo, sendo negociado a 5,85%, acima dos 5,80% anteriores.

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A margem apertada de vitória de Lula, os receios com a tensão política nos próximos dias e a dúvida sobre qual será a equipe econômica do novo governo também levaram o dólar e os juros futuros a subirem mais cedo, mas esse movimento se inverteu no fim da manhã.

Por volta das 11h30, os contratos de juros DI com vencimento em janeiro de 2026 caíam 7 pontos-base, a 11,59%. Já o dólar futuro recuava 0,88%, negociado a R$ 5,25.

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