As ações de operadoras de shoppings centers fecharam o pregão desta quarta-feira, 12, na liderança do Ibovespa, impulsionadas por dados que sugerem uma retomada sólida no volume de vendas e pelo alívio no mercado de juros futuros.
O motor por trás da queda nos juros futuros foi Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos EUA, divulgado nesta quarta-feira, que desacelerou o ritmo de alta mensal pela segunda vez consecutiva, de 0,8% em novembro para 0,5% em dezembro.
A desaceleração da inflação em dezembro deve ajudar a diminuir ainda mais a preocupação dos investidores com a remoção acelerada de estímulos à economia pelo banco central dos Estados Unidos, o Federal Reserve. Ontem, parte desses receios foi afastada pelo próprio presidente da instituição, Jerome Powell, que descartou um corte nestes incentivos no primeiro semestre deste ano, embora tenha reiterado a necessidade de os juros do país subirem.
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O alívio em relação à alta de juros leva também a uma queda nas taxas futuras, o que é benéfico para ações de shoppings.
No fechamento, a liderança partia de Iguatemi (IGTI11), com alta de 8,31%, a R$ 17,46; seguida de Multiplan (MULT3), que avançou 6,55%, a R$ 18,07; BR Malls (BRML3), com ganhos de 5,93%, a R$ 7,68; Aliansce Sonae (ALSO3), que subiu 5,33%, a R$ 19,36; e JHSF (JHSF3), que acumulou alta de 4,77%, a R$ 4,83.
Apesar da alta do dia, em 12 meses, todos os papéis têm quedas. A mais expressiva parte de JHSF, com recuo de 28,2%, e a menor baixa é da Multiplan (-14%).
De acordo com uma pesquisa do Bank of America (BofA), divulgada em relatório distribuído nesta quarta, os dados de vendas no período de Natal suportam sua aposta em uma recuperação estável para os shoppings brasileiros.
O BofA aponta ainda que, mesmo que os dados sugiram que os hábitos de compras online adquiridos durante a pandemia possam perdurar, eles não devem crescer em detrimento às visitas aos shoppings.
Ainda que a maioria dos entrevistados para a pesquisa do banco tenha comprado pelo menos parte de seus presentes online, poucos realizaram suas compras exclusivamente por esse canal, indicando, na análise do BofA, que o “novo normal” é uma combinação de varejo online e físico.
Além disso, o banco ressalta que as compras não são o principal motivo por trás das visitas aos shoppings — a maioria dos consumidores que frequentam shoppings está em busca de experiências de lazer, seguidas por restaurantes.
Outro ponto observado pelo banco é a recuperação mais rápida das vendas em shoppings voltados para classes mais altas. Segundo a pesquisa do BofA, a maior parcela dos consumidores de alta renda gastou mais neste Natal do que no do ano passado, enquanto apertos no orçamento e alta nos preços seguraram as compras das classes mais baixas.
Com isso, esses shoppings têm mais chances de poder cobrar aluguéis mais caros de seus lojistas neste ano, superando até mesmo os níveis pré-pandemia.
O BofA ressalta, no entanto, que a renovação das preocupações com a Covid-19, diante do recente aumento de casos, pode ser um fator de risco. “Os consumidores podem ficar mais cautelosos se os casos continuarem acelerando, mas a ampla vacinação e as doses de reforço devem mitigar o impacto”, diz o relatório.
Vale ressaltar, também, que, embora 92% dos consumidores consultados pelo banco tenham voltado a visitar os shoppings, 72% ainda não tem a mesma frequência de antes da pandemia.
Prévia da Multiplan
A prévia operacional da Multiplan para o quarto trimestre, publicada na manhã desta quarta-feira, é outro fator que evidencia a resiliência dos shoppings, na análise da Genial Investimentos.
“Esperamos que ao longo de 2022 o setor continue se recuperando devido ao relaxamento das restrições nos estados. Mesmo com a nova onda de Covid-19 e gripe recentemente, esperamos poucas novas restrições para o setor”, disse a equipe de analistas da corretora, em relatório.
As vendas do shopping registraram, pela primeira vez, volumes superiores aos pré-pandemia, com R$ 5,6 bilhões, alta de 8,1% em relação ao quarto trimestre de 2019.
O aluguel em mesmas lojas, medido pelo índice SSR, atingiu crescimento de 41,4% em relação ao quarto trimestre de 2019, período anterior à pandemia de coronavírus. A taxa de ocupação, por sua vez, aumentou para 95,3%.
A Genial recomenda compra para a Multiplan, com preço-alvo de R$ 25%. A XP Investimentos também reiterou sua recomendação de compra para o papel em comentários nesta quarta, com preço-alvo de R$ 28.