A queda na receita com tarifas e o nível elevado de despesas para se proteger de perdas com empréstimos deixaram os resultados do Bradesco (BBDC4) abaixo das estimativas do mercado, o que faz as ações da companhia registrarem as maiores perdas dentre os componentes do índice Ibovespa nesta quarta-feira (9). Por volta das 11h20 (de Brasília), as ações preferenciais do Bradesco caíam 6,78%, para R$ 21,18, enquanto as ordinárias recuavam 6,31%, para R$ 17,68.
O Bradesco encerrou o último trimestre do ano passado com lucro líquido recorrente de R$ 6,6 bilhões, queda de 2,8% em relação a igual período do ano anterior. Especialistas esperavam um número mais forte. Segundo o Goldman Sachs, o resultado ficou 10% abaixo da estimativa do banco e foi 5% inferior ao que estava previsto pelo consenso do mercado.
“O desvio em relação às nossas estimativas foi uma combinação de tarifas menores e provisões e despesas operacionais maiores” do que se projetava, afirmou o Goldman Sachs em relatório. O banco disse também que a previsão de resultados divulgada pelo Bradesco, que implica expectativa de lucro líquido de R$ 28 bilhões em 2022, também ficou aquém do esperado.
O UBS-BB ressaltou que a previsão para os resultados de 2022 foi menos positiva que a sugerida durante o Investor Day do Bradesco, e que embora tenha apresentado alguns indicadores positivos – como crescimento na carteira e nas margens de crédito e nos resultados com seguros -, a qualidade dos ativos do banco piorou.
A XP Investimentos concorda com esta avaliação. Em relatório, ressaltou que o Bradesco aumentou as provisões contra perdas em grande parte devido ao crescimento da carteira de crédito, mas viu a inadimplência crescer e registrou queda no índice de cobertura – o que significa que houve redução na capacidade de as reservas contra perdas cobrirem a inadimplência com empréstimos.
“Isso nos leva a acreditar que há mais espaço para provisões nos próximos trimestres”, disse a XP Investimentos em relatório.
Apesar da avaliação negativa sobre os resultados do Bradesco, nenhuma das três instituições recomenda a venda das ações do banco.
O UBS-BB atribui recomendação de compra, com preço-alvo em R$ 29, assim como o Goldman Sachs, que calcula um preço-alvo um pouco menor, de R$ 26. A XP Investimentos também estipula o preço-alvo em R$ 26, mas com recomendação neutra.
Dados da Refinitiv disponíveis na plataforma TradeMap mostram que, dentre 15 recomendações de especialistas, 12 são para compra das ações, três são para manutenção do papel em carteira e nenhuma é para a venda dos papéis.
