Redes de shoppings têm a maior capacidade para pagar dívidas desde 2017; Aliansce (ALSO3) é destaque

Balanços do terceiro trimestre mostraram que, na média do setor, dívida líquida é 1,6 vez maior que a geração de caixa em 12 meses

Foto: Shutterstock/Vibhin Periye

As redes de shoppings com ação negociada na Bolsa, como Aliansce Sonae (ALSO3) e Iguatemi (IGTI11), nunca estiveram tão bem posicionadas, nos últimos cinco anos, para pagar suas dívidas.

Segundo levantamento feito pelo time de analistas do Itaú BBA, o nível de alavancagem do setor – indicador que mede o quanto as empresas geram de caixa em relação ao que somam em dívidas – está no melhor nível desde 2017.

Os balanços das empresas para o terceiro trimestre mostraram que, na média do setor, a dívida líquida é 1,6 vez maior que a geração de caixa em 12 meses, o menor patamar desde 2017 e contra uma proporção de 2,1 vezes registrada no segundo trimestre.

Vale lembrar que a geração de caixa é medida pelo Ebitda, o indicador que calcula o lucro da empresa sem considerar as despesas com impostos, juros, depreciações e amortizações, em uma tentativa de encontrar o lucro operacional da empresa, retirando desembolsos que não estão relacionados ao negócio. Trata-se de quanto a empresa é capaz de adicionar em caixa.

Já a dívida líquida representa a dívida total menos o valor que está em caixa no momento em que a conta foi feita. Trata-se de esforço para saber qual seria a dívida “real” da empresa se a gestão usasse tudo o que tem em caixa para pagar parte da dívida total.

De acordo com o Itaú BBA, as duas redes de shoppings que mais puxam o nível de alavancagem para baixo são a Aliansce Sonae e o Iguatemi. O indicador da Aliansce caiu pela metade no terceiro trimestre, para 0,6 vez, de 1,2 vez no intervalo de abril a junho. E a alavancagem do Iguatemi diminuiu a proporção para 1,8 vez, de 3,1 vezes.

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No caso do Iguatemi, os analistas responsáveis pelo relatório, Daniel Gasparete, André Dibe e Alejandro Fuchs, afirmam que a empresa se beneficiou recentemente da oferta de ações (follow-on) realizada em setembro. A operação levantou R$ 720 milhões para o negócio, dando uma turbinada no caixa da companhia.

Eles ressaltam que o Ebitda gerado por metro quadrado no setor também tem evoluído após o arrefecimento da pandemia de Covid-19, o que sugere uma diminuição da diferença de desempenho entre os shoppings.

“Isto pode ser parcialmente atribuído às melhores margens de receita operacional líquida (NOI, na sigla em inglês) nos shoppings que são menos premium”, escrevem os analistas.

No caso da Aliansce Sonae, a receita operacional líquida atingiu R$ 238 milhões no terceiro trimestre, 23% acima do nível registrado no mesmo período de 2019, antes da pandemia. A margem Ebitda ficou em 74,1%, 4,78 pontos percentuais (p.p.) a mais do que em igual trimestre do ano passado e 5 p.p acima do patamar visto em igual intervalo de 2019.

O levantamento feito pelo Itaú BBA considerou as redes Aliansce Sonae, Iguatemi, brMalls e Multiplan.

Aliance Sonae e brMalls estão em processo de fusão, com operação aprovada neste mês pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A expectativa das duas companhias é que a transação seja concluída em janeiro. Até lá, os negócios seguem independentes.

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