Com uma visão cética para as operadoras de saúde em 2023, a XP alterou a recomendação da Rede D’Or (RDOR3) de compra para neutro e o preço-alvo, de R$ 28,3 para R$ 28,8 ao fim deste ano, uma valorização de 1,9% em relação ao fechamento desta terça-feira (24).
Segundo os analistas Rafael Barros e Raphael Elage, a aquisição da SulAmérica pode impulsionar o plano de crescimento orgânico agressivo da empresa, mas a ação atualmente está precificada de forma justa, uma vez que as sinergias de custos e despesas com a aquisição são limitadas.
Em relatório, a XP ressalta que o negócio da Rede D’Or tende a se tornar mais complexo daqui para frente, com o mudança de perfil de crescimento após a aquisição. Além disso, as operadoras de planos de saúde estão sob pressão, diante dos níveis de sinistralidade mais altos de todos os tempos, destaca.
“Não vemos uma recuperação ocorrendo no curto prazo, uma vez que provavelmente exigirá aumentos de preços, mix e rotatividade de portfólio”, afirmam os analistas.
Na visão da corretora, para lidar com a situação atual, as operadoras de planos de saúde estão aumentando as glosas (faturamento não recebido ou recusados), alongando os prazos de pagamento e ajustando os preços abaixo da inflação. “As medidas afetam a receita, as margens e o ciclo de conversão de caixa dos prestadores.”
Diante desse cenário desfavorável, a XP vê como arriscado o plano da Rede D’Or de entregar 5,9 mil novos leitos organicamente de 2023 a 2025, sendo que 36% dessa expansão é representada por projetos greenfield.
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Para se ter uma ideia, desde 2020, no auge da pandemia de Covid-19, o mercado de planos de saúde vem crescendo de forma consistente, devido ao aumento da necessidade por serviços médicos. Porém, os analistas afirmam que esse aumento deve perder força devido às incertezas macroeconômicas, dado que o emprego e a renda familiar média podem ser afetados, limitando o potencial de crescimento do mercado.
Por fim, um movimento visto com certa frequência nos últimos anos e que deve cessar, de acordo com a XP, é a consolidação do setor. Para os analistas, o índice de alavancagem dos prestadores de saúde aumentou significativamente – para mais de 5 vezes a dívida líquida em relação ao Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em alguns casos – após um processo agressivo de consolidação.
Por volta de 12h10, o papel ordinário da maior rede hospitalar vertical do país operava em baixa de 2,67%, a 28,04.