O BC (Banco Central) oficializou o lançamento do Real Digital nesta segunda-feira (6), com a apresentação das diretrizes dos primeiros testes da moeda. A expectativa da autarquia é disponibilizar o novo produto até o fim de 2024.
Segundo o BC, serão feitos experimentos com o Real Digital, com foco no atacado, o Real Tokenizado, mirando nas transações em varejo e também com a negociação de títulos públicos.
Segundo o coordenador da iniciativa do Real Digital, Fabio Araujo, a principal vantagem do novo produto será a democratização do sistema financeiro brasileiro com a redução de custos e o aumento de competitividade.
“Esse ambiente reduz custos de serviços que hoje são muito caros, como as operações compromissadas que são usadas apenas por bancos. A iniciativa pode reduzir o custo do crédito, melhorar o rendimento dos investimentos e criar um potencial de entrada de novos participantes”, afirmou, em coletiva à imprensa.
Como exemplo prático para o uso do Real Digital, o coordenador citou o mercado de venda títulos públicos. Com a nova medida, investidores do mercado primário e secundário poderão aprimorar as suas transações de forma mais ágil.
“Apesar de toda a velocidade, o usuário terá me mãos m canal muito simples. Da mesma foram que temos o Pix para serviços de pagamento, a plataforma do real digital será focada em serviços financeiros”, afirmou Araujo.
Inicialmente, os testes serão feitos em um ambiente controlado e sem a participação de agentes de fora. O cronograma do BC prevê a realização de um workshop no início de abril para a ampliação do debate.
A expectativa é que alguns bancos e outras instituições financeiras sejam convidadas para integrar os testes a partir de maio. Os requisitos para a entrada das empresas e demais instituições serão apresentados no evento de abril.
As experimentações devem ser desenvolvidas ao longo de 12 meses, com a avaliação dessa etapa prevista para março do ano que vem.
Real Digital é cripto?
Apesar do ambiente virtual, o Real Digital não será uma criptomoeda. O novo produto integra o rol de CBDC (Moedas Digitais de Bancos Centrais), ou seja, terá as mesmas características da “moeda oficial” emitida pelo BC.
Conforme a autarquia, a emissão do Real Digital será voltada para simplificar formas de pagamento para dar suporte ao serviço financeiro pela criação de tokens, ou seja, a versão digital de ativos do “mundo real”.
“Este projeto não tem foco em criptos. É um ativo do mundo real que foi trazido para essa plataforma para aumentar a eficiência. É uma disrupção na negociação de ativos, e a plataforma do Real Digital é uma pedra fundamental nesta mudança”, explica Araujo.
Fases do teste
Os testes do Real Digital serão feitos na plataforma Hyperledger Besu, que tem base na tecnologia da blockchain Ethereum. Neste primeiro momento, o BC deve focar os esforços nos benefícios da programabilidade oferecida pela plataforma.
Segundo o chefe do departamento de informática da autarquia, Haroldo Jayme Cruz, a atenção dos técnicos estarão voltadas para as características de privacidade e segurança dos participantes.
“A plataforma tem capacidade de adição de novos modos, além de ser um código-aberto, que é importante para se ter a capacidade de competição”, afirmou.
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