As ações da Cisco caem mais de 10% na bolsa dos Estados Unidos depois de a empresa prever queda na receita do trimestre atual e vincular a estimativa a uma visão mais pessimista sobre a normalização da atividade econômica na China.
A previsão da Cisco é de que ela terá uma queda de 1,0% a 5,5% na receita do seu quarto trimestre fiscal – que termina em julho – em relação a igual período do ano passado.
O executivo-chefe da companhia, Chuck Robbins, disse durante uma teleconferência que a revisão decorrente dos efeitos que a Cisco já vem sentindo sobre os resultados, principalmente por causa da guerra na Ucrânia (que interrompeu as operações da empresa tanto no país como na Rússia) e das medidas da China para conter a Covid-19.
Desde o final de março, o governo chinês impediu que as pessoas saíssem de casa em várias regiões do país para evitar a disseminação da doença. “Estes lockdowns resultaram em uma escassez ainda mais severa de componentes críticos”, disse o executivo, referindo-se às peças que a companhia usa para montar seus equipamentos.
“Isto, em contrapartida, nos impediu de enviar produtos a clientes nos níveis que originalmente esperávamos. Achamos que o desempenho da nossa receita nos próximos trimestres é menos dependente da demanda e mais dependente da disponibilidade de oferta”, acrescentou. E, neste aspecto, a visão da Cisco é pessimista.
A empresa é altamente dependente da retomada das atividades na cidade chinesa de Xangai, porque é dali que vem boa parte dos componentes usados nas tomadas e fontes de energia dos equipamentos fabricados pela Cisco.
A cidade chinesa ainda está com áreas em lockdown, e prevê que essas restrições sejam removidas a partir de junho – mas nem isso consola a Cisco.
“Quando houver essa reabertura e permitirem a retomada do transporte logístico, achamos que haverá alto grau de congestionamento. Achamos que haverá grande competição pela capacidade dos portos e aeroportos”, afirmou Robbins.
“Nossa preocupação é que toda empresa por lá vai tentar exportar. Em alguns casos, muitas das fábricas conseguiram manter os funcionários trabalhando e os empregados estão trabalhando em dormitórios. Então elas têm os componentes prontos para serem despachados”, acrescentou.
“Também achamos que, uma vez que a carga vá para os portos e comece a chegar nos Estados Unidos, teremos risco de ver o que vimos em Los Angeles vários meses atrás”, disse Robbins, referindo-se ao congestionamento para entrada no porto.