O Itaú Unibanco (ITUB4), que terminou 2022 com um nível de rentabilidade de 20,3% (ROE, na sigla em inglês), acima dos 19,3% do ano anterior, deverá apresentar um retorno ainda maior em 2023, em torno de 21%, caso as previsões do banco para o ano se confirmem. A estimativa é de Conrado Rocha, sócio e gestor de ações da Polo Capital.
O aumento da rentabilidade se daria mesmo com a expectativa de uma maior despesa para proteger o banco de eventuais calotes em empréstimos concedidos, as chamadas provisões para devedores duvidosos (PDDs), que costumam crescer quando há um cenário de maior risco de crédito e alta da inadimplência.
Em projeção divulgada na noite de terça-feira (7), o Itaú informou que espera elevar as provisões em 2023 para algo entre R$ 36,5 bilhões e R$ 40,5 bilhões, o que seria uma expansão de 13% a 25% em relação ao volume de 2022, de R$ 32,3 bilhões.
Por outro lado, o banco estima que a margem financeira com clientes – que representa o quanto a instituição soma em ganhos nas operações de crédito – terá expansão de 13,5% a 16,5% em 2023, em um cenário no qual a carteira de crédito total teria avanço de 6% a 9%.
“Por mais que as provisões subam em 2023, com um aumento do risco, isso é mais do que compensado pelo crescimento da carteira combinado ao aumento de margem, que dá um ROE de 21%”, disse o gestor à Agência TradeMap na manhã desta quarta-feira (8).
Se conseguir manter uma rentabilidade superior a 20% em 2023, o Itaú mostrará uma maior resiliência ao mercado em comparação com os outros grandes bancos privados do Brasil, o Bradesco e o Santander, que já em 2022 sofreram uma queda brusca em suas taxas de retorno, em razão do cenário de maior risco.
O Santander, que já divulgou o balanço completo do ano passado, viu a rentabilidade cair de 21,2% em 2021 para 16,3% em 2022. O Bradesco, embora só vá divulgar os números do ano todo na quinta-feira (9), acumula, até o terceiro trimestre de 2022, uma taxa de 16,3%, abaixo dos 18,3% de igual intervalo do ano anterior.
Rocha também viu de forma positiva a decisão do Itaú de incluir no balanço do quarto trimestre uma provisão que cobre 100% do que o banco teria a receber da Americanas (AMER3), ainda que a crise da varejista só tenha estourado em janeiro deste ano. “Isso é bom porque já limpa o balanço para 2023”, disse o gestor.
A Americanas tem uma dívida de cerca de R$ 3 bilhões. Ao provisionar 100% desse valor, é como se o Itaú estivesse considerando a possibilidade não receber mais nada, preparando-se para o pior.
Para fazer isso, no entanto, o Itaú não precisou separar R$ 3 bilhões a mais em provisões. O banco usou R$ 1,7 bilhão que já estava provisionado no balanço e “transferiu” para o caso Americanas e adicionou de fato mais R$ 1,3 bilhão em provisões novas.
Não fosse por isso, calcula Rocha, o Itaú teria lucrado R$ 8,5 bilhões. “É um resultado impressionante e o Itaú mostrou que está bem”, disse o profissional.
No quarto trimestre, o Itaú teve lucro líquido de R$ 7,6 bilhões, alta de 7,1% em relação a igual período do ano anterior, mas queda de 5,1% em comparação ao terceiro trimestre.
O gestor, contudo, colocou como ponto de atenção a carteira de crédito do Itaú para o segmento corporativo, de grandes empresas. O índice de inadimplência dessa carteira, ele ressaltou, está no menor nível da história, abaixo de 0,1%, e, como os juros devem permanecer elevados por mais tempo, contribuindo para o arrefecimento da economia, a tendência, acredita, é que essa taxa de inadimplência volte a subir em algum momento.
Por volta das 11h30, as ações do Itaú lideravam as altas do Ibovespa, com valorização com 5,26%, a R$ 25,84.