A produção industrial cresceu 0,6% em julho na comparação com junho, quando havia retraído 0,3%, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira (2) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Na comparação com julho de 2021, a produção industrial registrou queda de 0,5%. Ao longo de 2022, a indústria acumula queda de 2%, e em 12 meses o tombo é de 3%.
Os resultados vieram abaixo da expectativa do mercado. O consenso Refinitiv apontava para alta de 0,7% no mês e retração de 0,3% na comparação anual.
“O setor industrial ao longo do ano de 2022 vem mostrando uma maior frequência de resultados positivos. São cinco meses de crescimento em sete oportunidades”, explica o gerente da Pesquisa, André Macedo.
Segundo o pesquisador, o resultado foi influenciado positivamente pelos estímulos lançados pelo governo federal para aquecer a economia.
Das quatro grandes categorias do setor, duas tiveram resultados positivos. A maior variação positiva veio de bens intermediários (2,2%) que eliminou a perda do mesmo valor acumulado nos meses de maio e junho. Já os bens de consumo semi e não duráveis cresceram 1,6% após queda de 0,9% em junho.
No caminho oposto, o setor de bens de consumo duráveis retraiu 7,8% e o de bens de capital caiu 3,7%.
Segundo Macedo, o saldo negativo na indústria é reflexo da restrição de oferta de insumos e componentes eletrônicos e da retração do consumo das famílias.
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“São juros e inflação em patamares mais elevados. Isso aumenta os custos de crédito, diminui a renda disponível por parte das famílias e faz com que as taxas de inadimplência permaneçam em patamares mais elevados”, aponta.
Apesar das recentes melhoras no mercado de trabalho, o alto número de brasileiros sem emprego também prejudica o avanço da atividade industrial.
“Mesmo com a redução das taxas de desocupação nos últimos meses ainda se percebe um contingente elevado de trabalhadores fora desse mercado de trabalho e uma piora nas condições de emprego que são gerados”, afirma.