Afinal de contas, qual deve ser o ritmo de aumento de juros nos Estados Unidos daqui para a frente, em um cenário em que a inflação parece desacelerar mas o mercado de trabalho está aquecido? Os mercados globais passaram a semana inteira aguardando um discurso que acontece nesta sexta-feira (26), às 11h, para ter uma resposta mais clara a essa pergunta.
Esse é o horário em que Jerome Powell, o presidente do Federal Reserve (banco central dos EUA), falará na conferência anual de banqueiros centrais que acontece em Jackson Hole, cidade americana no estado de Wyoming.
Historicamente, os comandantes do Fed costumam fazer no simpósio sinalizações que se assemelham às feitas em dias de decisões de política monetária, daí o peso dado pelas bolsas ao evento.
Na ata da última reunião do Fomc, quando os juros americanos subiram 0,75 ponto, o colegiado de política monetária deixou o ritmo do próximo aumento em aberto, condicionando os próximos passos a indicadores econômicos.
Um desses dados é o PCE (índice de preços de gastos com consumo) dos EUA em julho, que é o indicador de inflação mais acompanhado pelo Federal Reserve e que será publicado uma hora e meia antes da fala de Powell, às 9h30. Analistas ouvidos pela Reuters esperam uma alta de 0,3% na comparação com junho.
Por enquanto, a expectativa da maior parte do mercado é que Powell indique uma nova alta agressiva no próximo encontro, em setembro. Se sinalizar que o ritmo pode diminuir para 0,50 ponto, as bolsas tendem a subir, mas não é o mais provável, na avaliação de analistas.
Por volta das 8h, os índices futuros americanos operam em queda: o Dow Jones recuava 0,29%, o S&P 500 caía 0,42% e o Nasdaq perdia 0,54%. No mesmo horário, o Euro Stoxx 50, principal índice europeu, estava em queda de 0,38%.
Por que isso importa?
A alta de juros tende a ser má notícia para os mercados de ações. Com taxas maiores, a renda fixa costuma ganhar apelo entre os investidores em detrimento da renda variável. Além disso, juros mais altos encarecem os financiamentos das empresas, aumentando despesas e reduzindo o volume de recursos para investimento e remuneração dos acionistas.
Agenda de Campos Neto
Por aqui, os investidores acompanham a fala do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, em evento da 1618 Investimentos às 9h.
Na quarta-feira (24), o IPCA-15 de agosto surpreendeu negativamente o mercado. Apesar de ter registrado a maior queda de preços da história, o índice mostrou uma desinflação (redução do percentual da alta de preços) lenta de bens industriais e os serviços, principal vetor atual da inflação, pressionados.
Após o dado, o mercado passou a precificar que a taxa básica de juros, a Selic, hoje em 13,75% ao ano, demorará mais a cair em 2023.