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Pior março em 19 anos: produção de veículos encerra mês em queda de 7,8%

Pior março em 19 anos: produção de veículos encerra mês em queda de 7,8%

Mau desempenho é reflexo de juros altos e quebras nas cadeias globais de produção

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As montadoras registraram em março mais um mês de desempenho ruim na produção de veículos, mostram dados divulgados nesta sexta-feira (8) pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

A produção entre janeiro e março registrou uma queda de 17% comparada ao primeiro trimestre do ano passado. Na comparação do mês passado com o mesmo período de 2021, a queda é de 7,8%.

Assim como em janeiro, março registrou o pior número dos últimos 19 anos.

O número é reflexo da alta dos juros básicos no Brasil, aumento da inflação e da guerra entre Rússia e Ucrânia, que junto com a pandemia de coronavírus vem provocando quebra nas cadeiras de fornecimento. 

Isso se reflete também nos licenciamentos de novos veículos, que registraram queda de 22,5% ante o mesmo período no ano passado. No acumulado do ano, a queda foi de 23,2%.

A Anfavea aponta que esse recuo não é exclusivo do mercado brasileiro: é um problema na cadeia global de produção de veículos. Nos EUA, na comparação de março de 2021 com o mesmo período deste ano, a queda é de 22,2%, já a Itália registrou uma queda de 29,6%.

“Todos os mercados, mercados relevantes, uns mais e outros menos tiveram queda no período, então não é um problema exclusivo do Brasil”, afirmou Luiz Carlos Moraes, presidente da entidade.

Juros e inflação

Segundo ele, um dos principais causadores desse recuo é o crescimento da inflação e o aumento da taxa de juros. Além disso, a escassez de semicondutores continua impactando o setor, que também foi afetado pela Guerra na Ucrânia e segue com as sequelas da fase mais aguda da pandemia.

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“O Brasil tem um dos maiores crescimentos de taxa de juros real [descontada a inflação do período], e nossa maior preocupação é essa calibragem [juros descontada a inflação”, afirmou o executivo. “A gente entende que inflação não pode voltar ”.

Moraes já havia alertado em meses anteriores que o grande risco era a elevação na taxa básica de juros da economia, que por estar acima do esperado gerou um desaquecimento do mercado, já que não houve nenhum tipo de contrapartida para aliviar o orçamento dos consumidores.

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