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Petrobras (PETR4) retoma venda de 3 refinarias em meio a embate sobre preço de combustíveis

Petrobras (PETR4) retoma venda de 3 refinarias em meio a embate sobre preço de combustíveis

Refinaria Abreu e Lima (PE), Refinaria Presidente Getúlio Vargas (PR), e Refinaria Alberto Pasqualini (RS), serão vendidas

Refinaria da Petrobras

Refinaria Presidente Bernardes, da Petrobras em Cubatão (SP). Foto: Shutterstock

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Gustavo Nicoletta

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Gustavo Nicoletta

A Petrobras (PETR4) anunciou na noite de segunda-feira (27) que reiniciará o processo de venda de três refinarias que, juntas, representam 23% da capacidade nacional de refino de petróleo. São elas a Refinaria Abreu e Lima (RNEST), em Pernambuco, Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, e Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul.

Os valores que a Petrobras planeja obter com as vendas não foram divulgados pela companhia.

A Repar possui capacidade para processar 208 mil barris de petróleo por dia, o que representa 9% da capacidade de refino do Brasil. Junto com ela, também serão vendidos 476 quilômetros de oleodutos e cinco terminais de armazenagem.

A Refap tem a mesma capacidade de processamento de petróleo que a Repar (208 mil barris por dia), e também será vendida com ativos logísticos – 260 quilômetros de oleodutos e dois terminais.

A RNEST é a refinaria com a menor capacidade – pode processar 130 mil barris de petróleo por dia, o que representa 5% da capacidade nacional de refino -, e possui associadas a ela 101 quilômetros de oleodutos e um terminal de armazenagem.

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Esse processo faz parte do plano de desinvestimento da estatal em suas refinarias. De acordo com a empresa, a ideia é se desfazer de ativos que representam 50% da capacidade de refino nacional, o equivalente a 1,1 milhão de barris de petróleo processado por dia.

Plano de venda de refinarias da Petrobras

O plano contempla a venda, além destes campos citados acima, os seguintes: Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), Refinaria Gabriel Passos (REGAP), Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP), Refinaria Landulpho Alves (RLAM), Refinaria Isaac Sabbá (REMAN) e a Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (LUBNOR).

Destas, a Petrobras já vendeu a Lubnor, a RLAM, a RNEST e a SIX. No caso da primeira, a venda foi concluída em maio por US$ 34 milhões para a Grepar, valor que o BTG Pactual considerou barato, estimando que o ativo valha cerca de US$ 59 milhões.

Na opinião do banco, a venda da Lubnor não é significativa para o plano de desinvestimento da Petrobras, uma vez que esta é a menor refinaria contida no plano de desinvestimento.

No caso da Refinaria Landulpho Alves, em dezembro do ano passado, a venda rendeu US$ 1,8 bilhão à estatal. A refinaria foi adquirida pela MC Brazil Downstream, empresa do grupo Mubadala Capital.

De acordo com o presidente da Petrobras na época, Joaquim Silva e Luna, a conclusão da venda refletiu a importância da gestão de portfólio e fortaleceu a estratégia da companhia.

Ja a SIX foi comprada em novembro do ano passado pela F&M Resources por US$ 33 milhões. A unidade vendida possui capacidade de processamento de 5,8 mil toneladas por dia de xisto, com foco na produção de óleo combustível, nafta, gás combustível, gás liquefeito de petróleo (GLP) e enxofre. 

Embate sobre preço de combustíveis

A retomada na venda das refinarias da Petrobras ocorre em meio a críticas do governo federal dirigidas à empresa por causa da política de preços para os combustíveis.

Sob as regras atuais instituídas pela petrolífera, o valor de venda destes produtos no Brasil precisa ser equivalente ao praticado no mercado internacional.

O problema é que, pouco depois de atingirem o menor nível em quase duas décadas em março de 2020 por causa da pandemia de Covid-19, os preços do petróleo vêm aumentando quase ininterruptamente.

Esta alta se acentuou mais recentemente, primeiro porque a economia mundial e a demanda pela commodity tiveram uma recuperação, depois porque EUA e Europa deixaram de comprar petróleo da Rússia após o país invadir a Ucrânia, forçando uma situação de aperto na oferta.

Com o petróleo mais caro, os combustíveis também subiram de preço e contribuíram que a inflação no Brasil ficasse muito além do nível considerado aceitável pelo Banco Central. E isso, em ano de eleição, transformou a política de preços da Petrobras numa dor de cabeça para o presidente Jair Bolsonaro.

Ontem, o conselho de administração da companhia elegeu um novo presidente – Caio Mário Paes de Andrade. Ele é a terceira pessoa indicada pelo governo federal a assumir o comando da empresa neste ano.

Antes dele, passaram pelo cargo Joaquim Silva e Luna e José Mauro Coelho. Ambos deixaram o cargo em meio a pressões do Planalto para que a empresa abandonasse a atual política de preços de combustíveis.

Na ata da reunião do Comitê de Pessoas da Petrobras, a empresa afirma que questionou Andrade se ele foi orientado pelo governo federal a alterar a política de preços. O indicado ao cargo, que ocupava o cargo de Secretário Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia, negou.

“Não tenho qualquer orientação específica ou geral do acionista controlador ou qualquer outro acionista no sentido de alteração da política de preços praticados pela companhia”, disse ele, em resposta escrita enviada à Petrobras.

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