Petrobras (PETR4): qual a visão do mercado sobre Jean Prates, indicado à presidência da estatal

Apesar de ser um senador eleito pelo PT, mesmo partido do presidente Lula, Prates tem um currículo inteiramente pautado no setor de petróleo e gás

Foto: Shutterstock/Arnaldo Jr

Entra governo e sai governo e temos a certeza de que mudanças nas empresas estatais vão acontecer. E, normalmente, o mercado fica atento a duas indicações: a do presidente da Petrobras (PETR4; PETR3) e a do presidente do Banco do Brasil (BBAS3), duas das maiores empresas listadas da Bolsa brasileira.

No terceiro ato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a situação não é diferente. Então vamos falar de Petrobras, que é o nosso foco.

Mesmo depois de vender refinarias, a empresa ainda é a maior produtora de combustíveis do Brasil, e suas decisões em relação aos preços da gasolina e do diesel podem acelerar ou diminuir o ritmo da economia nos modais rodoviários.

E é exatamente por isso que o mercado está preocupado.

No último governo, a Petrobras manteve a política de equiparar o preço doméstico dos combustíveis ao do mercado internacional. Isso contribuiu para que a empresa apresentasse lucros e dividendos estratosféricos nos últimos anos. Porém, a expectativa agora é que com Jean Paul Prates, indicado por Lula à presidência da estatal, essa diretriz mude um pouco de figura.

Para Eduardo Nishio, head de research da Genial Investimentos, a escolha de Prates para comandar a Petrobras reforça que a política de preços de combustíveis deve ser alterada ao longo dos próximos meses.

Nishio explica ainda que a reviravolta na tributação de combustíveis com a manutenção de alíquota zero de impostos federais à gasolina e ao diesel mostra que o atual governo está mais preocupado em evitar desgastes vindos da alta dos preços na bomba do que com a austeridade fiscal.

“O cenário ainda se mostra bastante incerto, entretanto as assimetrias apontam que 2023 será um ano turbulento”, aponta o executivo da Genial.

Leia também:
Petrobras e BB desabam na Bolsa após discurso e decreto de Lula

Adriano Pires, sócio-fundador do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), um dos mais respeitados especialistas do setor de petróleo e gás no Brasil e que chegou a ser indicado para à presidência da estatal durante o governo de Jair Bolsonaro, vê a indicação de Prates para o comando da Petrobras como boa, uma vez que ele é um profundo conhecedor do setor.

“Tem todos os requisitos para fazer um excelente trabalho à frente da Petrobras. Parece que o principal desafio para os próximos quatro anos da Petrobras será olhar mais para o gás natural, estabelecendo uma política que reduza a atual reinjeção, e, com isso, aumente a oferta nacional de gás”, explica Pires.

Pelo conhecimento do setor, o sócio do CBIE afirma que Prates ainda pode ajudar em outras frentes, como na criação de um Fundo de Estabilização de preços ou um imposto regulatório.

“Investir em fontes renováveis faz sentido nesse momento de transição. Um grande desafio será convencer o governo da importância de se realizar os leilões de petróleo e gás na margem equatorial”, analisa Pires.

A margem equatorial é a parte da costa brasileira que engloba os estados do Amapá, Pará, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte. A Petrobras vem defendendo a exploração da região há alguns anos.

Na visão do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás), principal representante da indústria de petróleo e gás no Brasil, Prates possui largo currículo acadêmico e experiência consolidada no setor, aliada à grande capacidade de diálogo amplamente demonstrada no exercício de seu recente mandato como senador pelo estado do Rio Grande do Norte.

“As empresas associadas ao IBP se colocam à disposição para apoiar as futuras ações da maior empresa brasileira direcionadas ao progresso do setor que há décadas gera riquezas e milhões de postos de trabalho, funcionando também como importante vetor de progresso tecnológico e de impulso para as economias regionais”, diz a nota.

Quem é Jean Prates e qual o seu histórico no setor de petróleo e gás

Prates é advogado e economista, com mestrado em Planejamento Energético e Gestão Ambiental pela Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, além de mestrado em Petróleo e Gás pelo Instituto Francês de Petróleo.

Apesar de ser um senador eleito pelo PT, mesmo partido do presidente Lula, Prates tem um currículo inteiramente dedicado ao setor de petróleo e gás.

Ele tem mais de 37 anos de experiência assessorando empreendimentos públicos-privados nas áreas de petróleo, gás, biocombustíveis e energia renovável. Prates é coautor do marco regulatório e de royalties para o setor de energia no Brasil.

Além disso, fundou o Cerne (Centro de Estratégias em Energia e Recursos Naturais), dedicado a ajudar o governo e as empresas a implementarem a inclusão social e estratégias multilaterais de investimento nesses setores.

No Senado, o possível futuro presidente da Petrobras pautou o seu mandato por um forte envolvimento na área de energia. Prates se tornou senador em 2019, após a renúncia de Fátima Bezerra, de quem era suplente. Bezerra deixou o cargo para assumir como governadora do Rio Grande do Norte.

Prates, que também integrou a equipe de transição de Lula, falou diversas vezes à imprensa durante a campanha do petista que a principal ação da Petrobras no novo governo deveria ser sobre o preço dos combustíveis.

Segundo ele, porém, a mexida no preço dos combustíveis não se dará de forma intervencionista, e é preciso incentivar o interesse do investidor de longo prazo. Na prática, se isso se consolidar, soará como uma música para o mercado.

Além dos combustíveis, Prates chegará ao posto tendo que lidar com outra pauta, a de dividendos, uma vez que nos últimos anos, devido à alta do preço do barril do óleo no mercado internacional, a Petrobras conseguiu distribuir aos seus acionistas remuneração digna de grandes empresas privadas.

O que diz a Petrobras sobre o possível novo presidente

Em comunicado do dia 30 de dezembro, data da indicação de Prates para a presidência da companhia, a Petrobras disse ao mercado que ainda não foi comunicada formalmente da indicação do senador.

“Seguindo os trâmites usuais de indicação de administradores da companhia, o nome do indicado deverá passar pelos procedimentos internos de governança da Petrobras. No caso do presidente e demais membros da diretora executiva, a indicação final dependerá da aprovação pelo conselho de administração, nos termos da lei e do estatuto social da companhia”.

Importante destacar que Caio Paes de Andrade, atual presidente da Petrobras, tem mandato até abril deste ano, mas pode renunciar antes. Isso porque a própria companhia anunciou nos últimos dias de 2022 que o executivo aceitou o convite do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, para compor o atual governo paulista.

Por volta de 14h40, as ações da estatal apresentavam forte queda no primeiro pregão de 2023. Os papéis preferenciais caiam 5,59%, a R$ 23,13, enquanto as ações ordinárias tinham queda de 6,46%, a R$ 26,23, segundo dados da plataforma TradeMap.

Compartilhe:

Leia também:

Destaques econômicos – 02 de abril

Nesta quarta (02), o calendário econômico apresenta importantes atualizações que podem influenciar os mercados. Confira os principais eventos e suas possíveis repercussões:   04:00 –

Mais lidas da semana

Uma newsletter quinzenal e gratuita que te atualiza em 5 minutos sobre as principais notícias do mercado financeiro.