Petrobras (PETR4), IPCA-15 e exterior pressionam e Ibovespa cai após três altas seguidas

Por volta de 12h30 (de Brasília), o principal índice da B3 recuava 1,56%, aos 108.636 pontos

Foto: Pixabay

Após três altas seguidas, o Ibovespa voltou a recuar nesta terça-feira (24), pressionado pela troca no comando da Petrobras (PETR4), o resultado prévio da inflação de abril e as quedas nas bolsas americanas. Por volta de 12h30 (de Brasília), o principal índice da B3 recuava 1,56%, aos 108.636 pontos.

No mesmo horário, as maiores quedas ficavam com CVC (CVCB3), que recuava 6%, Embraer (EMBR3), que perdia 5,61%, Positivo (POSI3), que caia 6% e Azul (AZUL4), com baixa de 5,19%.

Essas companhias, altamente voltadas para o consumo, são pressionadas pelo resultado do IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) divulgados na manhã desta terça pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O número, apesar de ter desacelerado em relação a março, trouxe uma alta de 0,59%, acima das expectativas do mercado.

Na visão de Eduarda Korzenowski, economista da Somma Investimentos, a divulgação trouxe números complicados. De acordo com o IBGE, todos os grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram aumento nos preços, exceto habitação.

“Continuamos a ver surpresas positivas na atividade econômica, mas a inflação continua negativa. Devemos ter uma elevação de juros na próxima reunião do Banco Central, com chance de deixar a porta aberta para novos ajustes”, argumentou Korzenowski.

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Internamente, a divulgação também mexeu com a curva de juros. Dados da plataforma do TradeMap mostram que tanto os títulos de juros com vencimento de curto prazo quanto de longo prazo sobem nesta terça.

Os títulos com vencimento para 2022 sobem 3 pontos-base, enquanto os juros para 2023, 2025 e 2028 sobem 21, 28 e 25 pontos-base, respectivamente.

Fonte: TradeMap
Fonte: TradeMap

Petrobras em destaque

Na sequência das baixas, os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4) recuavam 4,70% enquanto os ordinários (PETR3) perdiam 3,96%, ajudando a pressionar o Ibovespa, uma vez que a estatal tem grande peso no índice — cerca de 12% de todos os papéis negociados. A queda é consequência de mais uma troca no comando da empresa.

Ontem, o governo federal anunciou, menos de dois meses após a nomeação de José Mauro Coelho, a troca da liderança da estatal e indicou Caio Paes de Andrade para o posto. Ele se tornará o quarto comandante durante o governo.

A troca evidencia o descontentamento do presidente Jair Bolsonaro com os preços de combustíveis praticados pela companhia. Na visão de Régis Chinchilla e Eliz Sapucaia, analistas da Terra Investimentos, essa iniciativa traz essa volatilidade aos papéis, já que “reacende os temores de alterações na política de preços”.

Para a XP, a notícia da mudança é “negativa”, uma vez que essa rotatividade não é saudável para nenhuma empresa. Além disso, a corretora não vê uma mudança na política de preços de combustíveis da Petrobras.

“Primeiro, porque ainda vemos o estatuto da Petrobras blindando a empresa de subsidiar combustíveis como no passado, independentemente do CEO. Em segundo, Andrade é fortemente ligado a Paulo Guedes (ministro da Economia), que não é a favor de mudanças na política de preços de combustíveis”, argumentam os analistas André Vidal e Junia Gama, em relatório publicado nesta terça.

Na avaliação dos analistas do BTG Pactual, Thiago Duarte, Pedro Soares e Bruno Lima, em relatório publicado também nesta terça, o novo CEO enfrenta um dilema — “como preservar seu próprio emprego seguindo as políticas da empresa e sem comprometer a disponibilidade de combustível do Brasil?”.

O banco acredita que a paridade internacional de preços, política vigente na estatal, é importante para manter uma “oferta saudável de combustíveis para o país”. Contudo, isso vai exatamente contra o que o presidente Jair Bolsonaro já deixou claro que deseja.

Quedas nos EUA também pressionam

Por aqui, o mau humor do mercado também é reflexo de um sentimento negativo lá fora. Nos Estados Unidos, os principais índices acionários caíam em bloco — Dow Jones recuava 1,29%, S&P 500 perdia 2,19% e o Nasdaq desvalorizava 3,47%.

Para os analistas da Terra Investimentos, o último índice, que é composto principalmente por empresas de tecnologia, tem a queda mais acentuada após a Snap cortar projeções de receita e lucro para os próximos meses, alegando um cenário macroeconômico desfavorável.

A empresa, dona da rede social Snapchat, emitiu um alerta sobre o cenário conturbado para seus lucros futuros nesta segunda-feira (23) e disse que planeja desacelerar as contratações e os gastos no futuro. Na Bolsa de Nova York, as ações da companhia despencavam 40,17% nesta terça.

Além disso, a economista da Somma ressalta que os investidores estrangeiros continuam a monitorar indícios de desaceleração econômica frente as altas de juros nos EUA e na Europa, além da retomada chinesa pós lockdowns no país.

No Velho Continente, os principais índices acionários também recuavam. O FTSE 100, de Londres, desvalorizava 0,32%, o DAX, da Alemanha, caía 1,62% e o Euro Stoxx 50, que reúne companhias de todo continente, perdia 1%.

As poucas altas do dia

As principais altas do dia ficavam com PetroRio (PRIO3) e 3R Petroleum (RRRP3), com ambas valorizando 1,95%. O movimento pode demonstrar um movimento de investidores saindo de Petrobras e partindo para as concorrentes, para se manter ainda expostos às petrolíferas.

Relembre:

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Além delas, o setor de energia elétrica subia em bloco. Taesa (TAEE11) crescia 1,27%, CPFL (CPFE3) ganhava 1,18% e Eneva (ENEV3) apontava em 0,78% para cima.

Segundo Chinchila, essas empresas ficam na expectativa da votação na Câmara dos Deputados a respeito do projeto que considera essenciais bens e serviços relativos a combustíveis, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo, impedindo a aplicação de alíquotas de tributos iguais às de produtos listados como supérfluos.

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