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Petrobras (PETR4): governo ainda pode quebrar resistência a mudança nos preços, diz Moody’s

Petrobras (PETR4): governo ainda pode quebrar resistência a mudança nos preços, diz Moody’s

Para a agência, o mercado deve se atentar ao fato de que, o governo brasileiro controla a empresa, e, se quiser, pode alterar políticas

Petrobras (PETR4). Foto: Shutterstock

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A nova troca no comando da Petrobras (PETR4) causou volatilidade nos preços das ações da companhia, mas abalou pouco a perspectiva de que a empresa conseguirá resistir às pressões do governo para alterar o cálculo do preço dos combustíveis.

Contudo, para a agência de classificação de risco Moody’s,  o mercado deve ficar atento ao fato de que o governo brasileiro controla o capital da empresa, e, se quiser, pode alterar os controles internos que até então têm evitado interferência direta da União na política de preços.

A Moody’s ressalta que a governança da estatal é “robusta” e que isso, somado ao fato de que parte do mercado brasileiro de combustíveis é abastecido por importadoras, deve fazer com que a companhia continue com a política de cobrar, no mercado interno, os mesmos preços de combustíveis praticados no mercado internacional.

“No entanto, monitorar a independência dos membros do conselho e as decisões que eles tomarão para apoiar ou enfraquecer a governança corporativa da Petrobras será importante, porque o governo brasileiro controla o capital da companhia e pode mudar os controles internos se assim desejar”, afirmou a Moody’s.

A troca

Menos de dois meses após a nomeação de José Mauro Coelho para o comando da Petrobras, o governo decidiu substitui-lo e indicou Caio Paes de Andrade para o posto. Seria o quarto executivo a assumir a estatal durante o governo Bolsonaro e o terceiro a ocupar o posto somente em 2022.

A nova troca evidencia o descontentamento do presidente Jair Bolsonaro com a política de preços de combustíveis adotada pela companhia. Na avaliação dos analistas do BTG Pactual, em relatório publicado na terça-feira (25), o novo CEO enfrenta um dilema — “como preservar seu próprio emprego seguindo as políticas da empresa e sem comprometer a disponibilidade de combustível do Brasil?”.

O banco acredita que a paridade internacional de preços, política vigente na estatal, é importante para manter uma “oferta saudável de combustíveis para o país”. Contudo, isso vai exatamente contra o que o presidente Jair Bolsonaro já deixou claro que deseja.

Para a XP, a notícia da mudança é “negativa”, uma vez que essa rotatividade não é saudável para nenhuma empresa. Além disso, a corretora não vê uma mudança na política de preços de combustíveis da Petrobras.

“Primeiro, porque ainda vemos o estatuto da Petrobras blindando a empresa de subsidiar combustíveis como no passado, independentemente do CEO. Em segundo, Andrade é fortemente ligado a Paulo Guedes (ministro da Economia), que não é a favor de mudanças na política de preços de combustíveis”, argumentam os analistas da corretora em relatório publicado também na terça.

Apesar das frequentes mudanças de CEOs e conselheiros, a Moody’s enxerga que o governo “alega respeito à governança corporativa da Petrobras”.

“Acreditamos que os atuais controles internos robustos, além dos deveres fiduciários dos funcionários às regras de responsabilidade empresarial, incluindo aquelas relacionadas à Lei das Estatais do Brasil, protegem os credores”, finaliza a agência internacional.

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