Payroll calibra expectativas para juros e vendas do varejo – veja o que importa hoje

Investidores ainda acompanham movimentações de Lula e Bolsonaro na campanha eleitoral e pesquisas

Foto: Shutterstock/Champ008

Após uma semana em que predominou o sentimento de que o Federal Reserve, o banco central americano, não irá moderar o ritmo de aperto nos juros, todos os olhos do mercado estarão voltados nesta sexta-feira (7) para a divulgação de dados do payroll de setembro, que mostrarão o comportamento do emprego na maior economia do mundo.

Os investidores esperam a criação de entre 250 mil e 275 mil vagas, o que representaria uma desaceleração em relação a agosto, e que a taxa de desemprego se mantenha em 3,7%. O relatório será publicado às 9h30, e se mostrar um mercado de trabalho mais aquecido do que o previsto pode elevar ainda mais as perspectivas de aumento dos juros nos Estados Unidos.

Uma leitura forte também colocaria ainda mais pressão de alta sobre o dólar, que começou a semana em forte queda após o primeiro turno das eleições presidenciais mas recuperou parte do terreno nos últimos dias exatamente pelo pessimismo internacional. Outros dados que serão publicados nos EUA nesta sexta são os estoques no atacado e de crédito ao consumidor.

Às 7h55, os índices futuros americanos operavam mistos: o Dow Jones estava em leve alta de 0,09%, o S&P 500 era negociado em queda de 0,11% e o Nasdaq caía 0,42%. No mesmo horário, o Euro Stoxx 50, principal índice europeu, caía 0,14%.

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Por que isso importa? 

Como o Fed tem duplo mandato (combater a inflação e promover o pleno emprego), os dados do payroll são acompanhados com atenção redobrada pelos investidores. Um mercado de trabalho muito ou pouco aquecido pode indicar mais ou menos pressões sobre a inflação, o que pode sinalizar um banco central mais ou menos agressivo com os juros.

Varejo e eleições

Por aqui, os investidores acompanham a divulgação dos dados de vendas do varejo em agosto, que serão publicados logo mais, às 9h, pelo IBGE. Após uma queda de 0,6% da indústria no mês retrasado, analistas projetam que um leve recuo do comércio no período.

O número deve ajudar a determinar o comportamento da atividade econômica no início do segundo semestre, revelando se o aumento da taxa básica de juros brasileira, a Selic, já chegou com mais força ao consumo.

Analistas do Boletim Focus projetam um crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) de 2,7% em 2022, uma expansão bem maior do que os 1,5% estimados há três meses. Para 2023, a aposta é em um crescimento de 0,53%.

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De olho no 2º turno

Os investidores continuam monitorando o cenário eleitoral para o segundo turno e os apoios que vêm sendo anunciados ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

Ontem, uma nova pesquisa da Genial/Quaest mostrou Lula na liderança das intenções de voto, com 48%, contra 41% de Bolsonaro. Nesta sexta, será divulgada ainda a primeira pesquisa Datafolha do segundo turno.

Os economistas Pedro Malan, Persio Arida, Edmar Bacha e Armínio Fraga anunciaram apoio à Lula e ao seu candidato a vice, Geraldo Alckmin (PSD), e o mercado aguarda eventuais acenos do candidato a uma política fiscal responsável.

Malan destacou essa necessidade ao Estadão, em texto publicado nesta sexta. “É preciso ter responsabilidade não só na área monetária e cambial, mas fiscal também”, afirmou.

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