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Papéis atrelados à inflação lideram ganhos em novembro e renda fixa segue na preferência dos gestores

Papéis atrelados à inflação lideram ganhos em novembro e renda fixa segue na preferência dos gestores

Na direção oposta, Bitcoin e Ifix apresentaram as maiores perdas do mês

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A perspectiva de menor crescimento do PIB brasileiro, as incertezas no cenário político e fiscal e o surgimento da nova variante do coronavírus trouxeram maior cautela aos investidores e acentuaram o desempenho já fraco da bolsa brasileira em novembro, enquanto o cenário de inflação e taxa Selic em alta continua a beneficiar as aplicações em renda fixa, que lideraram os ganhos em novembro.

Soma-se a isso o contexto internacional, até então positivo, que deve se tornar menos favorável para mercados emergentes com o Federal Reserve, o banco central americano, com potencial para acelerar a redução dos estímulos à economia.

Apesar de o preço dos ativos brasileiros já estarem muito descontados, o cenário daqui para frente, com as eleições de 2022 se aproximando, deve ser de maior volatilidade. Por isso, gestores de recursos recomendam uma carteira mais defensiva, com a diversificação do risco Brasil com a alocação em ativos no exterior e em títulos de renda fixa.

Para o diretor de crédito do Julius Baer Family Office, Jean-Pierre Cote Gil, os preços dos ativos domésticos refletem hoje um cenário político negativo, ainda que acredite que o crescimento das chances de um candidato à presidência com perfil mais moderado, de terceira via, possa ajudar o mercado.

De qualquer forma, passada a incerteza eleitoral em 2022, Cote Gil avalia que 2023 deverá ser um ano positivo para os mercados. “Seja qual for o candidato eleito, ele vai ter que compor uma coalização política. Não visualizo um cenário de ruptura em 2023”, diz.

Nesse ambiente, o diretor de crédito destaca que o importante é ter calma, não tomar decisões em cima do ruído do dia a dia e olhar para a performance dos ativos no médio e no longo prazo. “Tem espaço para ganhar dinheiro em 2023, mas tem que ter estômago para passar por 2022”, afirma.

Títulos indexados à inflação lideram ganhos em novembro

Investimento Rentabilidade no mês Rentabilidade no ano
IMA-B5+ 4,47% -6,23%
IMA-B5 2,50% 3,75%
IRF-M 1,79% -3,81%
IDIV 0,89% -7,89%
IMA-S* 0,62% 3,86%
CDI 0,59% 3,63%
Poupança 0,44% 2,48%
Ouro (B3) 0,47% 1,27%
Nasdaq ** 0,30% 20,70%
Dólar (Ptax) -0,41% 8,14%
BDRX -0,67% 31,40%
S&P 500 ** -0,83% 22,37%
Ibovespa  -1,53% -14,37%
Índice Small Caps -2,29% -19,26%
IFIX -3,64% -10,26%
Bitcoin*** -5,99% 114,26%

Fonte: Anbima, B3, BC e Trademap. *Desempenho dos títulos públicos atrelados a Selic;**Variação em dólar;***Cotação plataforma Trademap/Biscoint

Os títulos Tesouro IPCA+ lideraram os ganhos em novembro. Esses papéis pagam uma taxa prefixada mais a variação da inflação. Se por um lado os índices de inflação continuam a subir, o avanço da discussão para aprovação da PEC dos Precatórios no Senado, que pode reduzir a incerteza sobre o Orçamento para 2022 ainda que o desenho final não seja o melhor para a sustentabilidade das contas públicas, trouxe um alívio na pressão de alta das taxas desses papéis. Aqui vale lembrar que quando as taxas dos títulos caem, os preços sobem.

Além disso, o surgimento da nova variante do coronavírus na África do Sul, a Ômicron, acendeu um sinal de alerta para a recuperação da economia global, o que provocou um movimento de queda das taxas de juros nos mercados.

Em novembro, o índice IMA-B 5+, que acompanha o desempenho de uma carteira com papéis do Tesouro atrelados à inflação com prazos acima de cinco anos, subiu 4,47%, liderando os ganhos.

Apesar de oferecem maior potencial de ganho, os títulos atrelados ao IPCA com vencimentos mais longos são mais voláteis e trazem maior risco de perda.

Os títulos do Tesouro prefixado também tiveram boa performance mês passado. O índice IRF-M, que acompanha uma carteira teórica com esses papéis, subiu 1,79%  no mês passado, ficando no topo dos ganhos em novembro junto com o IMA-B.

Fed mais duro nos EUA não deve mudar trajetória para Selic

A sinalização do Fed de que pode  acelerar a redução dos estímulos não deve ter impacto na política monetária no Brasil, na avaliação dos gestores.

“A perspectiva de crescimento está mais baixa, os preços das commodities caíram e devem trazer um alívio para a inflação. Além disso, até a próxima reunião do Copom [em dezembro], já devemos ter a votação da PEC dos Precatórios no plenário do Senado, o que pode reduzir a incerteza fiscal”, diz Luiz Eduardo Portella, sócio-gestor da Novus Capital.

Nesse cenário, o CIO da SulAmérica Investimentos, Luis Garcia, vê oportunidade de investimento na taxas prefixadas de prazos mais curtos. “A curva de juros reflete uma alta da Selic para próximo de 13% no fim do ciclo, mas entendemos que o BC deve encerrar o ciclo com a taxa básica próxima de 11,5%. Por isso, achamos que existe prêmio razoável na curva de juros”, afirma.

Portella também vê oportunidade nas taxas de juros prefixadas, com vencimento entre janeiro de 2025 e janeiro de 2027, esperando um ciclo de aperto monetário menor que o refletido hoje no mercado.

Se esse cenário se concretizar, as taxas tendem a cair e quem estiver posicionado nesses ativos poderá ganhar dinheiro.

Apesar de os papéis prefixados estarem oferecendo um prêmio atrativo, Cote Gil ainda prefere os títulos públicos e de crédito privado atrelados à inflação, que oferecem maior proteção para a carteira diante de um cenário de maior incerteza.

“Os papéis com boa qualidade de crédito estão pagando um retorno de inflação mais uma taxa de 5,5% a 6% ao ano, e são emitidos por emissores de setores mais protegidos de discussões de curto prazo”, destaca Cote Gil.

As debêntures incentivadas oferecem isenção de Imposto de Renda sobre os rendimentos para pessoas físicas e costumam pagar uma taxa prefixada maior que os papéis do Tesouro por envolveram um risco mais elevado que os dos títulos soberanos.

Apesar de barata, Bolsa brasileira ainda tem muita volatilidade

O Ibovespa encerrou novembro com o quinto mês consecutivo de queda, com perda de 1,53%, aos 101.915,45 pontos, o menor patamar desde 6 de novembro de 2020.

“A alocação em bolsa vai depender do horizonte de investimento do investidor. Hoje, é difícil achar um papel que não esteja barato do ponto de vista de fundamento, mas, olhando o curto prazo, estou sentido falta de um gatilho para termos uma virada na bolsa”, diz Garcia. “A renda fixa deve continuar sendo a queridinha por muito tempo.”

Portella também ainda vê a bolsa sob pressão diante do movimento de migração dos investidores da renda variável para a renda fixa, provocando resgate nos fundos de ações. “A Bolsa antecipou muito uma piora do cenário com as eleições,”

A alta de juros também continua atrapalhando o desempenho dos fundos imobiliários. O índice Ifix, que reflete o desempenho dos FIIs listados na bolsa, encerrou o mês em queda de 3,64%.

Alocação no exterior segue como alternativa de diversificação

A alocação em ativos no exterior segue uma tendência como alternativa para diversificar o risco Brasil. Enquanto o Ibovespa acumula queda de 14,37% no ano, por exemplo, as bolsas americanas batem recordes de alta em 2021.

O diretor do Julius Baer Family Office afirma que, apesar do câmbio em um patamar já elevado, ao redor de R$ 5,60, e da perspectiva de mais alta de juros no Brasil, a alocação no exterior sempre vai ter espaço como perspectiva de diversificação geográfica.

Em novembro, o dólar Ptax divulgado pelo Banco Central recuou 0,41%. “O real teve desempenho melhor que os pares emergentes em novembro porque já estava em níveis bastante descontados. A percepção é que vamos ter que ver uma deterioração adicional para vermos uma desvalorização maior do câmbio”, diz Garcia.

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