PIB fraco e menos necessidade de choque de juros: os sinais da pesquisa de serviços de setembro

Queda nos serviços retira pressão do Banco Central para alta mais intensa na Selic

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Os dados do volume de serviços em setembro, divulgados nesta sexta, dia 12, ajudaram a enterrar qualquer dúvida sobre o enfraquecimento da atividade econômica neste final de ano. Como indústria e comércio, a divulgação da última das três grandes pesquisas mensais realizadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) também veio bem pior do que as apostas do mercado: houve queda de 0,6%, enquanto a mediana dos analistas projetavam alta de 0,5%.

O desempenho ruim retirou força da hipótese um pouco mais otimista de que o consumidor, com a reabertura da economia, está adquirindo menos bens (o que ajudaria a explicar parte da queda de 1,3% nas vendas do comércio e o recuo de 0,4% da indústria) para substituí-los por mais serviços.

Essa transição até está acontecendo, mas o maior peso nessa equação é mesmo a disparada da inflação junto com taxa de desemprego elevada, acima de 13%.

E o que uma atividade bem mais fraca significa, em termos práticos? Em primeiro lugar, o trio de levantamentos do IBGE retira pressão do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) para uma alta ainda maior nos juros básicos na próxima reunião, em dezembro.

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No último encontro, o BC acelerou o ritmo de aperto monetário para 1,5 ponto percentual, a 7,75% ao ano. Mas parte do mercado defendeu um choque ainda maior na taxa Selic como a resposta mais adequada a um verdadeiro terremoto para as contas públicas: a decisão do governo de mudar o teto de gastos para abrir quase R$ 100 bilhões a mais no Orçamento de 2022.

Essa possibilidade perde força, na medida em que fica cada vez mais claro o quanto a economia chega debilitada neste final de 2021. Para alguns analistas, o dado até abre a discussão sobre uma evental alta menor que 1,5 ponto percentual no próximo Copom, como afirmou a economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória, no Twitter.

PIB de 2022

Além disso, o desempenho ruim de serviços também deve provocar uma nova onda de revisões para baixo no PIB (Produto Interno Bruto) do ano que vem –o último Boletim Focus, pesquisa semanal do BC, mostrou que a mediana das projeções já é de alta de somente 1%.

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“Com o número de hoje temos os dados fechados do terceiro trimestre das principais pesquisas do IBGE, e é seguro dizer que a economia parou no trimestre encerrado em setembro”, afirmou o economista-chefe da Necton, André Perfeito. “O Brasil está sem nenhum pólo dinâmico no momento, e com a renda em queda por conta da inflação e do elevado desemprego, o prognóstico se mantém de desaceleração”.

A Necton revisou a sua estimativa de PIB em 2022 de alta de 1% para 0,3% após a divulgação do levantamento. “A elevação de juros se mostra inócua, uma vez que a inflação não se trata de demanda aquecida, pelo contrário. O objetivo de se elevar os juros tem apenas um efeito no curto prazo, que é controlar mais o dólar”.

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