Nubank (NUBR33) tem espaço para crescer, mas preço da ação já reflete potencial, diz BofA

Banco americano tem classificação neutra para a ação, com preço-alvo de US$ 5,50

Foto: Shutterstock

O Nubank tem um amplo caminho para crescer na América Latina, impulsionado por seus baixos custos de aquisição de clientes, na avaliação de analistas do Bank of America. O preço das ações, porém, já reflete esse potencial, mesmo considerando a desvalorização de 50% desde o IPO, na avaliação do BofA.

Diante disso, Mario Pierry, Flavio Yoshida, Antonio Ruette e Ernesto Gabilondo, analistas do banco americano, elevaram o preço-alvo para a ação do Nubank, de US$ 5,00 para US$ 5,50, após incluir os resultados do segundo trimestre na conta, mas reiteraram sua classificação neutra para o papel. A nova estimativa corresponde a alta de 9% na comparação com o valor da ação no fechamento da última quinta-feira (8), de US$ 5,06.

“Ainda que a ação esteja mais barata, ela não necessariamente está barata”, afirmam, em relatório distribuído nesta sexta-feira (9). Por volta das 13h45, o papel, negociado em Nova York, tinha alta de 5,83%, a US$ 5,36.

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Do lado positivo, o BofA destaca os fortes números de adições líquidas de clientes e de engajamento, o potencial momento de inflexão nos custos de capital e os ganhos de eficiência recentes do Nubank.

Do outro lado, porém, a desaceleração no crescimento de empréstimos pessoais, os números artificialmente inflados de receita média por cliente ativo (ARPAC) e a deterioração na qualidade dos ativos levantam preocupação, na visão dos analistas.

Visão otimista

As adições líquidas e o engajamento da base de clientes do Nubank têm sido melhores do que o esperado, de acordo com o BofA, e superam os números registrados por concorrentes como o Inter. Na visão do BofA, isso reflete a marca forte e a qualidade dos produtos do banco digital, assim como o sucesso na conquista de novos mercados.

Outro ponto que joga a favor do Nubank neste momento é a possibilidade de os custos de capital estarem chegando a um pico, podendo cair daqui para frente junto com a taxa Selic e, em resposta, impulsionar os lucros. Além da política monetária, uma mudança interna do Nubank, que passou a remunerar as contas de seus clientes após 30 dias, em vez de diariamente, também deve diminuir seu custo de capital.

Nessa frente, porém, o BofA levanta preocupações sobre a capacidade do Nubank de manter um baixo custo de capital sem prejudicar a lealdade de seus clientes.

Finalmente, do lado positivo, o BofA destaca os ganhos de eficiência registrados recentemente, que comprovam a forte alavancagem operacional da plataforma. No período de um ano, a taxa de eficiência do Nubank passou de 69,4% para 55,1%, apontam os analistas.

Visão pessimista

Do lado oposto, um dos principais pontos de preocupação levantados pelo banco é a desaceleração na originação de empréstimos pessoais, consequência de uma piora na qualidade dos ativos. Na análise do BofA, essa tendência pode indicar que o Nubank enfrentará desafios para expandir seus produtos além de cartões de crédito.

“Ainda que não acreditemos que a estratégia seja equivocada, ela coloca em questão se o Nubank será capaz de diversificar seus produtos de crédito para além dos cartões”, afirmam os analistas, que também questionam os impactos da desaceleração na originação sobre a rentabilidade futura, uma vez que os empréstimos pessoais costumam ter ROEs (retorno sobre capital) mais elevados.

Além disso, o BofA aponta que o Nubank já tem uma grande participação no mercado brasileiro de cartões de crédito, o que faz com que possa ser mais difícil ganhar terreno daqui para frente.

Outra questão são os números de ARPAC (receita média por usuário), que, na visão dos analistas, têm sido “artificialmente” impulsionados pelas taxas de juros elevadas. Na estimativa do Nubank, seu ARPAC mensal passou de R$ 22 para R$ 39 em um ano. Porém, se os efeitos dos juros forem desconsiderados, a estimativa do BofA é que esse crescimento foi de R$ 16 para R$ 23.

Por fim, outro ponto que joga contra o Nubank é a deterioração na qualidade dos ativos, mascarada artificialmente por uma mudança na contabilidade da companhia, que agora passa a dar baixa em contas inadimplentes após 120 dias, contra 360 anteriormente.

 

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