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Natura (NTCO3) e CVC (CVCB3) lideram altas do Ibovespa, que sobe após 8 quedas à espera do Fed

Natura (NTCO3) e CVC (CVCB3) lideram altas do Ibovespa, que sobe após 8 quedas à espera do Fed

Ibovespa se recupera após oito tombos consecutivos, e opera em alta durante a tarde. Pares internacionais também sobem

Grafico de ações

Foto: Shutterstock

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Enquanto os investidores aguardam a divulgação dos próximos passos da política monetária nos Estados Unidos com a decisão do Federal Reserve e o que o Banco Central do Brasil fará em relação aos juros por aqui, o Ibovespa se recupera após oito tombos consecutivos, e opera em alta durante a tarde.

Às 13h05, o índice subia 1%, perto dos 103.054 pontos, e via Natura (NTCO3) liderar as altas subindo 8,79% após anunciar uma dança nas cadeiras nos cargos de diretoria. A empresa de cosméticos anunciou nesta quarta-feira (15) que o atual CEO do grupo e presidente-executivo da empresa, Roberto Marques, deixará as funções, com a intenção de se aposentar no final de 2022.

Ele, no entanto, permanecerá como conselheiro para auxiliar o processo de transição. O atual presidente do comitê de pessoas, Fábio Barbosa, assumirá o posto de líder do grupo Natura.

A dança das cadeiras é geral – a companhia disse que “funções importantes no grupo, como líder de crescimento sustentável e líder de transformação, deixarão de existir ou serão reavaliadas na nova estrutura”.

Empresas ligadas ao turismo sobem em bloco no pregão e se recuperam de perdas recentes. CVC (CVCB3) dividia a maior alta do dia com Natura e subia 8,49%. Enquanto isso, Gol (GOLL4) crescia 7% e Azul (AZUL4) valorizava 5,36%.

O presidente Jair Bolsonaro vetou na terça-feira (14) a regra aprovada pelo Congresso que restabelecia o despacho gratuito de bagagens em voos comerciais que operam no país.

Na visão de Armstrong Hashimoto, sócio e operador da mesa de renda variável da Venice Investimentos, o movimento de subida do Ibovespa é mais técnico, e mostra um reajuste frente à queda de pouco mais de 9% registrada pelo índice desde a última vez em que ele fechou em alta, em 2 de junho. 

Superquarta no radar

Contudo, o grande evento desta quarta fica por conta da Superquarta. Enquanto por aqui o mercado espera uma alta de 0,5 ponto porcentual (pp) na taxa básica de juros (a Selic), nos EUA, após a divulgação recente de dados de inflação acima do esperado, os investidores preveem alta de 0,75 pp.

As bolsas globais já precificaram que o Fomc (comitê de política monetária do banco central americano), que anuncia sua decisão às 15h (de Brasília), irá acelerar o passo em relação aos aumento de juros anterior.

Hashimoto, da Venice, ressalta que, “independentemente da alta, o mercado ficará atento aos próximos passos da instituição”.

Depois da divulgação do documento, às 15h30, o presidente do Fed, Jerome Powell, discursará e provavelmente trará pistas acerca da trajetória futura dos juros americanos.

Por aqui, Hashimoto acredita que a alta de 0,50 ponto já está “precificada”, mas ressalta que os investidores irão observar os próximos passos da instituição para entender quando acabará o ciclo de altas de juros. Caso o aumento se concretize, a taxa de juros por aqui chegará a 13,25%.

Petrobras cai com falas de Bolsonaro

Dentre as poucas quedas do pregão, os papéis da Petrobras (PETR4) recuavam repercutindo algumas declarações do presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista à jornalista Leda Nagle, ele afirmou que “existem dois problemas no Brasil: impostos e a Petrobras”. Nesta tarde, o papel preferencial recuava 0,41% e o ordinário 0,28%.

Segundo o presidente, o  lucro da Petrobras está sendo “muito extorsivo”, e houve um “exagero” ao implementar política atual de preços da companhia, o PPI (paridade de preços internacional).

“A Petrobras está tendo lucros astronômicos. Quanto mais aumento o petróleo lá fora, mais a Petrobras fatura aqui. E não podia ser assim”, comentou. Por fim, Bolsonaro afirmou que a mais recente troca no comando da empresa “resolverá a questão dos combustíveis”.

A troca foi justamente uma sinalização do presidente em relação ao seu descontentamento com a alta no preço do diesel e da gasolina no Brasil.

Relembre:

Petrobras (PETR4) confirma: troca no comando exigirá eleição de oito novos membros do conselho

Para além disso, Armstrong Hashimoto ressalta que os investidores aguardam uma sinalização da companhia acerca de novos reajustes no preço dos combustíveis. De acordo com dados da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis),  o diesel já apresenta uma defasagem de 18% em relação aos preços internacionais. A gasolina também não fica de fora, e já está 14% abaixo do valor de fora do Brasil.

Já são 97 dias desde a última alteração no preço da gasolina e 37 no do diesel. Para alguns analistas do UBS-BB, manter a paridade é essencial para não faltar diesel no Brasil, já que o país precisa importar de 20% a 30% de diesel para manter sua oferta. O restante é abastecido pela Petrobras.

Outras quedas do pregão

Ademais, na ponta negativa, Weg (WEGE3) perdia 1,32%, BRF (BRFS3) recuava 1%, CSN Mineração (CMIN3) caía 1% e Rumo (RAIL3) desvalorizava 0,76%.

No caso da primeira, Armstrong Hashimoto atribui o movimento negativo pelas incertezas quanto à economia chinesa, que é um mercado relevante para a Weg.

Após semanas com lockdowns para conter o avanço da Covid-19 em diversas cidades do país, o governo chinês anunciou que as medidas restritivas chegariam ao fim. Contudo, algumas províncias voltaram a registrar casos, o que resultou em novas medidas restritivas.

Bolsas internacionais

Os mercados pelo mundo também operam no positivo nesta quarta, enquanto investidores aguardam a decisão de política monetária do Federal Reserve. Como se as decisões sobre os juros nos EUA e no Brasil fossem pouco, o BCE (Banco Central Europeu) decidiu fazer uma reunião de emergência para discutir o comportamento das taxas de juros dos países da zona do euro.

Assim como em outras regiões, as taxas de juros dos títulos de dívida de países europeus dispararam depois que o mercado começou a esperar uma alta mais intensa dos juros nos Estados Unidos.

O problema é que esse movimento na zona do euro não foi uniforme – nos países em que as contas públicas estão numa situação mais frágil, as taxas subiram mais rapidamente. Os juros da dívida da Itália, por exemplo, subiram mais rápido que os da Alemanha, país com sólida posição fiscal.

Em Wall Street, Dow Jones subia 0,46%, S&P 500 crescia 0,84% e o índice Nasdaq ganhava 1,52%. Na Europa, já perto do fechamento, o Euro Stoxx 50 valorizava 1,61%, o FTSE 100 alçava 1,42% e o DAX apontava em 1,55% para cima.

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