A ação da Vale (VALE3), a companhia de maior peso no Ibovespa, operava entre as maiores altas do pregão da Bolsa nesta sexta-feira (3), acompanhando a valorização do preço do minério de ferro no mercado internacional, que atingiu a máxima dos últimos oito meses.
Por volta das 13h05, a empresa tinha valorização de 0,71% e ia na mesma direção do principal índice da Bolsa, que subia 0,88%, aos 104.240 pontos. Além da Vale, CSN Mineração (CMIN3) ganhava 2,26%. Dentre as siderúrgicas, o destaque de alta ficava com a CSN (CSNA3), que se valorizava 3,43%.
O contrato do minério de ferro mais negociado da Bolsa de Dalian, na China, teve uma alta de 1% no pregão da manhã, com sua tonelada cotada a US$ 133,15, o maior preço visto por lá desde julho de 2022. Segundo informações da Reuters, o mercado chinês está otimista com a demanda futura de aço no país.
Um analista ouvido pela agência de notícias afirmou que as usinas têm aumentado a produção, mas seus estoques de minério de ferro estão relativamente baixos, o que acaba sustentando os preços da commodity.
Ainda na China, o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) de serviços do país avançou de 52,9 pontos em janeiro para 55 pontos em fevereiro, segundo dados da pesquisa S&P Global/Caixin. Os dados sinalizam o maior avanço na atividade das empresas locais desde agosto passado.
Ação da Minerva dispara
A ação que mais se valorizava nesta tarde era a da Minerva (BEEF3), com alta de 7,55%. Mais cedo, o Goldman Sachs resolveu incorporar os resultados do quarto trimestre da empresa em sua análise sobre o papel e, diante disso, aumentou seu preço-alvo da ação de R$ 17,10 para R$ 18,10 ao final de 2023, mesmo mantendo sua recomendação neutra para a companhia.
Na avaliação do banco, as aquisições recentes, os comentários da administração para 2023 e as tendências recentes do setor são pontos positivos para a empresa.
“Na teleconferência para mostrar os resultados do quarto trimestre de 2022, a administração continuou a compartilhar um tom otimista para 2023, indicando espaço para um crescimento de receita com a reabertura da China e lucratividade sequencialmente melhor com base em um ciclo de melhoria na América Latina”, pontuou o analista Thiago Bortoluci, do Goldman, em relatório enviado a clientes.
Somado a isso, o caso de doença da vaca louca registrado no Pará na semana passada foi considerado “atípico” por um laboratório de referência da OMSA (Organização Mundial de Saúde Animal) – ou seja, sem risco de transmissão a outros animais.
A confirmação do caráter atípico de doença da vaca louca significa que o caso descoberto no Brasil ocorreu por causas naturais em um único animal de 9 anos de idade, o que deve facilitar ao governo convencer as autoridades da China a reabrir o mercado do país à carne brasileira.
A notícia também impulsiona a alta de outros frigoríficos na Bolsa. JBS (JBSS3) subia 1,53%, Marfrig (MRFG3) avançava 0,45% e BRF (BRFS3) se valorizava 0,09%.
Do outro lado do Ibovespa, a ação da Hapvida (HAPV3) dava sequência às perdas recentes e recuava 4,11% nesta tarde. A empresa, vale dizer, recuou 33% na quarta após divulgar seu balanço do quarto trimestre de 2022. Apesar de a receita mais do que dobrar no último trimestre de 2022, a empresa registrou um prejuízo líquido de R$ 316,7 milhões, revertendo o lucro de R$ 200,2 milhões anotado no mesmo período de 2021.
Para se ter uma ideia da frustação, o desempenho veio abaixo, inclusive, da expectativa mais pessimista do mercado. A Genial Investimentos esperava prejuízo de R$ 208 milhões, enquanto o Santander, com a visão mais otimista, projetava lucro líquido de R$ 293 milhões.
Em relatório publicado na quarta, a XP classificou os resultados como “decepcionantes em relação ao crescimento e às margens”. Segundo a corretora, os números da empresa continuam pressionados pelas despesas financeiras. Depois da Hapvida, Magalu (MGLU3) perdia 3,18%, São Martinho (SMTO3) caía 2% e Raízen (RAIZ4) apontava em 1,77% para baixo.
Bolsas internacionais
Nos Estados Unidos e na Europa, o movimento das bolsas é positivo nesta sexta. Lá fora, os olhares estarão voltados a dois discursos de membros do Federal Reserve com direito a voto na reunião de juros do Fomc (colegiado de política monetária do banco central dos Estados Unidos).
Às 16h30, discursam Lorie Logan, do Fed de Dallas, e a diretora Michelle Bowman, ambas com direito a voto no encontro que definirá a próxima taxa de juros americana – assim como no caso do Copom, a reunião acontece entre os dias 21 e 22 de março.
Ontem, as bolsas americanas comemoraram a fala do presidente do Federal Reserve de Atlanta, Raphael Bostic, em defesa de uma alta de juros mais gradual – comentário que veio em oposição a manifestações recentes de outros membros do banco central americano. Vale ressaltar que Bostic é apenas suplente no Fomc neste ano – ou seja, só tem direito a voto na ausência de outro membro votante do comitê.
Na Europa, os investidores ainda repercutem os dados econômicos publicados durante a semana. O Índice de preços ao produtor (PPI) da Zona do Euro caiu 2,8% em janeiro ante dezembro, resultado melhor do que o esperado pelo consenso. Já o Índice de Gerentes de Compras (PMI) composto da região para 52,0 pontos em fevereiro.