Nem mesmo a alta de Vale (VALE3), empresa com maior peso na Bolsa, ajuda o Ibovespa no último pregão da semana, que sofre com um mau humor externo após a divulgação de dados de emprego nos Estados Unidos.
Após cinco pregões consecutivos em alta, o principal índice da B3 recuava 0,10% às 13h10 e operava aos 117.439 pontos.
A ação da MRV (MRVE3) liderava as perdas do índice com um recuo de 5,16% no mesmo horário, após anunciar, na véspera, que desistiu de buscar um parceiro e uma injeção de capital na Resia (ex-AHS), subsidiária da empresa nos Estados Unidos.
Em comunicado enviado ao mercado na quinta-feira (7), a empresa disse que o cenário adverso nos EUA levou a tomar essa decisão e que o processo será retomado no futuro. “Com isso, o crescimento da operação americana, neste momento, se dará com a mesma estrutura de capital que a companhia já vem adotando para os empreendimentos”, afirmou a MRV.
No mercado, há quem não tenha gostado muito da notícia. Em análise, a Genial Investimentos destacou que a venda de participação na Resia fazia parte da tese de destrave de valor para as ações da MRV, “que já não acontecerá tão cedo”.
“Ainda assim, vemos o arrefecimento na inflação, melhorias no uso do FGTS para o Casa Verde e Amarela e na situação macroeconômica brasileira, além de valuation descontado como motivos suficientes para manter a recomendação de compra para os papéis”, acrescenta a corretora, em análise enviada ao mercado nesta sexta-feira (7).
O Credit Suisse também reprovou a iniciativa. A instituição reduziu o preço-alvo de R$ 16 para R$ 15. Ainda assim, o Credit manteve a recomendação outperform (equivalente a compra) para a ação, acreditando que a empresa está “bem posicionada para recuperar seu core business no segmento de baixa renda do Brasil”.
Na sequência, papéis que se valorizaram recentemente figuravam entre as perdas: Hapvida (HAPV3: -4,69%), Petz (PETZ3: -5%), Rede D’Or (RDOR3: -3,58%) e Sulamérica (SULA11: -3,58%).
Os papéis do Bradesco (BBDC4 e BBDC3) recuavam, respectivamente, 4,10% e 3,93%. Mais cedo, o JP Morgan cortou a recomendação para as ações preferenciais banco de compra para neutra. De acordo com o site Infomoney, isso ocorreu devido às altas recentes dos papéis da empresa após resultados das eleições do primeiro turno.
No entanto, o JP manteve o preço-alvo de R$ 22,00 para o final de 2023, o que ainda configura um potencial de valorização de 4,9% nas ações em relação ao preço atual.
O recuo em bloco dos pares internacionais também contribui para a performance negativa do Ibovespa.
Mais cedo, a Secretaria de Estatísticas Trabalhistas dos EUA (BLS) mostrou que o país criou 263 mil postos de trabalho em setembro, dado que veio em linha com o esperado pelo mercado, que projetava entre 250 mil e 275 mil novas vagas. O dado, porém, representa uma desaceleração em relação a agosto, quando foram criados 315 mil empregos.
Na avaliação do mercado, a queda no desemprego é sinal de mais pressões inflacionárias à frente, dificultando o trabalho do Federal Reserve (banco central dos EUA) no combate à alta de preços, a maior das últimas décadas.
Para o estrategista-chefe da Guide Investimentos, Alex Lima, o dado reforça as expectativas de um aperto monetário de 1,25 ponto-percentual na taxa de juros americana até o final de 2022.
“Vejo um aumento de 0,75 p.p. em novembro e de pelo menos 0,50 ponto-percentual em dezembro. O mercado de trabalho continua bem forte e o crescimento de salários não mostra nenhum sinal de desaceleração“, argumenta Lima.
Altas da Bolsa
Após um dia de baixas, papéis ligados à mineração operam em alta nesta segunda. Vale (VALE3) lidera os ganhos com uma alta de 4,81%, seguida por Bradespar (BRAP4 +2,93%) e Gerdau (GGBR4 +2.51%). Nem mesmo a alta da Vale, que representa 15% do Ibovespa, consegue dar ímpeto ao principal índice da B3.
Vale ressaltar que essas empresas estão sem a referência do preço do minério de ferro no mercado internacional esta semana, já que as bolsas de Dalian e Qingdao, na China, estão fechadas devido ao feriado nacional da Golden Week.
Ademais, Prio (PRIO3) ganhava 2,53%, CSN (CSNA3) subia 2,24%, CIelo (CIEL3) valorizava 1,80% e Americanas (AMER3) avançava 1,80%.
Mercados externos
Ainda refletindo os dados de emprego nos EUA, o chamado payroll, as bolsas internacionais recuam nesta sexta.
Após a divulgação, que aconteceu às 9h30, os índices futuros americanos, que operavam sem direção única, passaram a cair ou aprofundaram a queda. Já nesta tarde, o Dow Jones caía 1,54%, o S&P 500 recuava 2% e o Nasdaq, índice de ações ligadas à tecnologia e que é especialmente sensível a um cenário de alta de juros, tombava 2,81%.
Já na Europa, os mercados operavam próximo do fechamento, mas também em queda. O índice Euro Stoxx 50, que reúne empresas de toda zona do euro, perdia 1%. Já o DAX 30, de Frankfurt, na Alemanha, caía 1,36% enquanto o FTSE 100, de Londres, operava perto da estabilidade.