Menos com menos… Veja a jornada da Embraer (EMBR3) por recuperação de vendas

Redução no volume de venda de aeronaves comerciais afetou negativamente os resultados da companhia

Foto: Shutterstock

A Embraer (EMBR3), empresa especializada na fabricação e comercialização de aeronaves, registrou um resultado trimestral abaixo do obtido no intervalo de abril a junho do ano passado. O menor volume de vendas, principalmente no segmento de aviação comercial, foi o que afetou negativamente o desempenho da empresa no período.

O lucro da companhia, por exemplo, teve queda de 15% na comparação anual, de R$ 438,1 milhões para R$ 372,6 milhões.

No segundo trimestre, ainda sob efeitos da pandemia, o setor aéreo de turismo foi impactado por menor demanda por voos, o que levou a um menor volume de compras no período.

Além disso, a área tem enfrentado outros desafios, como aumento dos preços dos combustíveis, cenário macroeconômico de juros a dois dígitos e redução do poder de compra do consumidor.

Todos esses fatores impactam diretamente o resultado financeiro de empresas aéreas, que, consequentemente, reduzem o volume de pedidos às fabricantes. A Embraer, portanto, sofre com a redução no volume de vendas de aeronaves comerciais.

Neste segundo trimestre, a receita da Embraer com o segmento de aviação comercial caiu 27%, para R$ 1,48 bilhão, em comparação com o mesmo período de 2021.

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Por outro lado, a margem bruta do segmento foi bem superior e atingiu 13,2% frente aos 4,7% registrados em igual trimestre do ano passado. O resultado demonstra capacidade da empresa em repassar os custos da inflação para os clientes.

No desempenho consolidado, esse indicador cresceu 3,9 pontos percentuais (p,p.) e fechou em 22,9% no segundo trimestre.

Mas outro ponto negativo visto no balanço foi a redução da receita de vendas no segmento de Defesa & Segurança. A queda foi de 31%, para R$ 629 milhões, frente ao segundo trimestre de 2021. Além disso, a margem da área não suportou a pressão dos preços e teve queda de 5,7 pontos percentuais, para 28,2%.

No fim, a receita líquida apresentada pela Embraer no segundo trimestre foi 14,8% inferior, somando R$ 5 bilhões, em relação ao mesmo período anterior.

Além disso, a empresa ainda não conseguiu recuperar os resultados atingidos no mesmo período antes da pandemia, em 2019. A receita do segundo trimestre de 2022 ficou 6% abaixo dos valores registrados no mesmo período daquele ano, mas já veio 74% superior em comparação a igual intervalo de 2020, mostrando uma potencial recuperação da receita de vendas pela companhia.

Faca de dois gumes

A Embraer tem a maior parte das operações e negócios no exterior, ou seja, o dólar é a moeda que mais influência o preço de vendas de aeronaves e serviços da companhia, além de impactar as despesas financeiras e os custos.

Portanto, uma valorização do real frente ao dólar pode trazer uma redução na receita da empresa. Foi o que ocorreu no segundo trimestre. A divisa americana desvalorizou 6,9% em relação à moeda nacional no intervalo de abril a junho.

Essa variação deve ter impactado negativamente o Ebitda (lucro operacional antes dos juros, impostos, depreciação e amortização), que diminuiu drasticamente – 46%, para R$ 550,5 milhões – em comparação com o mesmo período de 2021. A margem Ebitda registrou queda de 6,6 p.p..

Por outro lado, as despesas financeiras da empresa foram 11 vezes menores, no total de R$ 61 milhões, em relação a igual período de 2021. Isto porque a empresa possui dívidas dolarizadas, e a valorização do real frente a moeda estrangeira trouxe menores despesas com juros.

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Além disso, a Embraer reduziu a dívida líquida em 31,8%, para R$ 6,2 bilhões em um ano. A empresa desembolsou R$ 2 bilhões em recompra de títulos que foi compensado pela venda das instalações da empresa em Évora, Portugal, no mês de maio.

No período, a empresa manteve um fluxo de caixa positivo de R$ 486,2 milhões, que incrementou o robusto caixa, totalizando R$ 5,4 bilhões. Se incluído investimentos financeiros, o total vai a R$ 10,3 bilhões.

Esse montante traz flexibilidade para a Embraer utilizar o caixa, uma vez que, as dívidas da empresa estão concentradas no médio e longo prazos, principalmente a partir de 2025.

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