Como amplamente esperado, a redução da oferta de gado nos Estados Unidos e a derrocada da BRF (BRFS3), já que a Marfrig (MRFG3) detém pouco mais de 30% da companhia, levaram os resultados da companhia para o vermelho no quarto trimestre de 2022.
No período, a empresa controlada pelo empresário Marcos Molina registrou prejuízo líquido de R$ 628 milhões, revertendo o lucro de R$ 650 milhões anotados no mesmo período do ano anterior.
Mesmo com o resultado negativo, a Marfrig encerrou 2022 com lucro líquido de R$ 4,16 bilhões, praticamente estável em relação a 2021.
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O resultado do trimestre surpreendeu negativamente o mercado. Entre as entidades consultadas pela Agência TradeMap, a XP possuía a expectativa mais pessimista, um prejuízo de R$ 15 milhões. Já o BTG Pactual previa lucro de R$ 78 milhões, enquanto o Santander esperava saldo positivo de R$ 204 milhões.
Porém, como consequência dessa redução da oferta de gado, o lucro operacional e as margens da empresa se mostraram apertados. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado totalizou R$ 2,22 bilhões no último trimestre de 2022, queda de 46,8% ante o mesmo intervalo de 2021.
Apesar do recuo, o resultado veio melhor do que os analistas previam. O Santander tinha expectativa de R$ 1,3 bilhão, número próximo da XP, enquanto o BTG Pactual estimava R$ 1,74 bilhão.
A margem Ebitda, por sua vez, atingiu 6% no trimestre, queda de 11,5 p.p ante o mesmo período do ano anterior.
Por outro lado, impactada pelo mercado interno, a receita líquida da Marfrig entre outubro e dezembro do ano passado somou R$ 37,4 bilhões, aumento de 56,2% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Do total, o mercado interno foi responsável pela maior parte do montante, de R$ 25,4 bilhões, uma alta de 35,3% na base anual. Já a receita externa mais do que dobrou, para R$ 11,9 milhões, variação positiva de 132,5%.
A receita veio além do projetado pelos analistas. O BTG Pactual estimava resultado de R$ 23 bilhões, enquanto a XP tinha previsão de R$ 22 bilhões.
Além disso, o CPV (custo de produto vendido) totalizou US$ 2,81 bilhões, aumento de 16,7% ante o último trimestre do ano anterior.
EUA
A redução das margens operacionais nos EUA continua pressionado os resultados do frigorifico. Na região, as vendas caíram 10,3%, somando R$ 16,1 bilhões, enquanto o Ebitda caiu 81%, a R$ 751 milhões, com margem Ebitda de 4,7%. A Marfrig opera na região por meio da National Beef.