Navegue:
Lucro de R$ 329 milhões marca “transformação” nos números da Simpar (SIMH3), diz CFO

Lucro de R$ 329 milhões marca “transformação” nos números da Simpar (SIMH3), diz CFO

Lucro da companhia quase dobrou, apesar de impactos da inflação sobre os custos

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

Por:

Compartilhe:

Por:

Apesar da inflação nos preços dos combustíveis e de escassez na produção de veículos, o lucro líquido da Simpar (SIMH3) quase dobrou no primeiro trimestre deste ano. De acordo com o balanço divulgado pela companhia na noite desta quinta-feira (5), os ganhos somaram R$ 329 milhões no período, alta de 92% em relação ao primeiro trimestre de 2021.

De acordo com Denys Ferrez, CFO da companhia, os números reportados pela Simpar, especialmente em meio a um cenário repleto de desafios, marcam uma “transformação” – o que, segundo o executivo, é resultado de uma estratégia de longo prazo.

A Simpar é uma holding que controla seis empresas independentes: a JSL Logística (JSLG3), a locadora de veículos Movida (MOVI3), a locadora de caminhões e máquinas Vamos (VAMO3), a CS Brasil, focada em prestação de serviços a órgãos públicos, a rede de concessionárias Original e o banco focado em transporte BBC Digital.

Desta forma, seus resultados são diretamente afetados pela inflação e por interrupções nas cadeias de produção, sobretudo pelo aumento nos preços do diesel e pela oferta reduzida de veículos novos.

Apesar disso, o Ebitda da companhia teve alta de 106%, para R$ 1,5 bilhão, e a receita líquida de serviços subiu 60% para R$ 3,6 bilhões.

Para o CFO, o fato de os resultados da Simpar terem resistido à pressão se deve à característica de suas áreas de operação, que são essenciais. Por isso, segundo o executivo, a companhia consegue ser resiliente em diferentes momentos econômicos. Inclusive, a crise pode abrir oportunidades para a Simpar, diz Ferrez.

“Quando a bonança acaba a pessoa precisa racionalizar o uso do dinheiro. E aí, matematicamente, alugar um carro ou um caminhão se mostra mais benéfico do que comprar, e ter a JSL Logística olhando para as operações traz ganho de produtividade para as empresas”, diz.

Outro ponto que jogou a favor da companhia neste momento adverso, de acordo com o CFO, foi a diversificação, com empresas em diferentes segmentos de atuação.

“Não é que o cenário seja simples. Tem desafios. Mas a expectativa é absolutamente positiva”, diz.

Vamos

Uma das controladas da Simpar, a Vamos (VAMO3), que atua no setor de locação de caminhões e máquinas, apresentou expansão de 66,4% no lucro líquido na comparação com os mesmos três meses de 2021, de 66,4%, indo para R$ 121,9 milhões – o mais alto da história da companhia.

Leia mais:
Vamos (VAMO3) bate um terço da meta para investimentos e CFO já fala em novo alvo

A receita líquida, por sua vez, subiu 81,6%, para R$ 945,2 milhões; o Ebitda avançou 77,2%, para R$ 361,5 milhões, e a receita futura contratada (backlog) fechou o primeiro trimestre em R$ 8,9 bilhões, crescimento de 111,3%.

O estoque de caminhões e máquinas novos, ainda não locados, é um dos pontos fortes da companhia, de acordo com o CFO da Vamos, Gustavo Moscatelli, em entrevista à Agência TradeMap. Este estoque fechou o primeiro trimestre avaliado em R$ 1,3 bilhão, segundo o executivo.

Esta estratégia, na visão de Denys Ferrez, foi muito acertada. “Ter produtos a pronta-entrega assegura o crescimento neste ambiente de incerteza em relação às cadeias de suprimentos”, diz.

Movida

A Simpar também controla a locadora de veículos Movida, que anotou um lucro líquido de R$ 258,1 milhões nos primeiros três meses de 2022, crescimento de 135,7% em comparação a igual intervalo do ano passado.

Veja também:
Movida (MOVI3) caça terrenos de concessionárias falidas para expandir rede de seminovos

A receita líquida com aluguel de carros somou R$ 594,7 milhões, alta de 62,9% em relação ao primeiro trimestre do ano passado, enquanto o faturamento do segmento de gestão de frotas foi de R$ 397,4 milhões, expansão de 140,4% contra os mesmos três meses de 2021.

Com isso, Ferrez afirma que a Movida vem se tornando mais estável com o crescimento do segmento de gestão e terceirização de frota, que tem contratos com prazos mais longos.

Porém, o executivo destaca que o segmento de aluguel de veículos vem se destacando em relação às concorrentes. “A Movida conseguiu ser a empresa que, em termos relativos, recebeu mais carros novos. Hoje a Movida tem a frota mais nova”, explica. A frota da Movida encerrou o primeiro trimestre deste ano 56,5% maior do que se encontrava no mesmo período de 2021.

Além disso, a locadora tem sido capaz de, por meio do aumento nas tarifas, repassar os custos de capital mais altos. A diária média aplicada pela Movida no primeiro trimestre foi de R$ 127,5, alta de 56% versus os mesmos três meses de 2021.

JSL

Foi na operadora de logística JSL que o impacto da inflação bateu mais forte, devido principalmente à alta nos preços do diesel, parte importante dos custos da companhia. De fato, entre o primeiro trimestre de 2021 e o mesmo período deste ano, os custos totais da empresa cresceram 48,4%, para R$ 1,09 bilhão.

Assim, apesar do crescimento de 49,3% na receita líquida, para R$ 1,3 bilhão, o lucro líquido da JSL caiu 21,5% entre os dois períodos, para R$ 33 milhões.

Neste momento, Ferrez aponta que uma das características que costumava jogar a favor da JSL se virou contra a companhia: o fato de ser leve em ativos. Boa parte da operação da JSL não se dá por meio de caminhões próprios, mas por “terceiros agregados” – ou seja, motoristas que prestam serviços para a companhia.

Com a alta nos preços do diesel, muitos desses terceiros não seriam capazes de manter a operação, de modo que a JSL precisou atuar para garantir a continuidade das atividades para, em um segundo momento, renegociar contratos e ajustes de taxas com os clientes. “É um problema temporal”, diz o executivo.

Nesse sentido, apesar de reconhecer o impacto, Ferrez destaca a estrutura dos contratos da JSL, que oferecem certa proteção contra a inflação, e a qualidade da carteira de clientes, com baixa inadimplência.

“Esse é o desafio. Mas a JSL tem demonstrado uma capacidade de manutenção de margens, está repassando os custos”, diz.

Compartilhe: