Refletindo a redução de 3,6% nos custos com pessoal, resultado de um programa de demissão voluntária bem-sucedido, o lucro líquido da Copasa fechou o segundo trimestre deste ano em R$ 180 milhões – resultado superior às estimativas do mercado.
Por volta das 15h, a ação era negociada em alta de 5,52%, a R$ 12,62.
O lucro superou as previsões da Safra Corretora em 15%, da Santander Corretora em 26%, e do BTG Pactual em 31%. Também ficou 24% acima das expectativas do consenso do mercado compilado pela Bloomberg. No entanto, foi 29,3% menor que o do mesmo período do ano passado.
O Ebitda, por sua vez, foi de R$ 492 milhões, estável na comparação anual e 6,4% acima das estimativas de consenso, segundo a Safra Corretora.
A XP Investimentos esperava que a Copasa apresentasse um resultado mais forte. O lucro da companhia ficou 8% abaixo do previsto pela corretora. A surpresa negativa veio principalmente por causa do crescimento em despesas gerais.
No segundo trimestre, diz a XP, excluindo os custos com pessoal, a Copasa teve aumento em todas as linhas de gastos gerenciáveis, com destaque para serviços de terceiros, PPP Rio Manso e materiais.
A corretora menciona ainda o aumento de custos não gerenciáveis como outro fator negativo, refletindo principalmente o aumento anual de 24,4% em materiais de tratamento e de 45,2% em combustível.
A XP, no entanto, reconheceu que, embora os volumes faturados pela Copasa tenham crescido pouco – 3,4% para água e 3,7% para esgoto -, o desempenho representa uma melhoria na comparação com o registrado no segundo trimestre do ano passado.
Outro destaque negativo do trimestre foi a postergação, pela Arsae-MG (Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário do Estado de Minas Gerais), do reajuste de tarifas que deveria ter sido aplicado em 1º de agosto, devido à necessidade de realizar mais estudos para definir o reconhecimento da inflação sobre os custos regulatórios.
Isso, de acordo com Alexandre Kogake, analista da Eleven, pode pressionar ainda mais os resultados do terceiro trimestre.
Mercado dividido
Depois dos resultados, Herbert Suede e Maíra Maldonado, analistas da XP, reiteraram sua recomendação de venda para o papel da Copasa, com preço-alvo de R$ 15 – o que corresponde a alta de 25% em relação ao valor do fechamento de terça-feira (2), de R$ 11,96.
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O Safra, por sua vez, indica a compra da ação, principalmente devido a seu preço atual, que considera baixo. O preço-alvo fixado pelo banco é de R$ 18,4 (potencial de alta de 54%). Na mesma linha, a Genial elevou sua recomendação, de neutra para compra, também citando os preços atuais.
“Nossa alteração de recomendação é baseada meramente nos níveis de avaliação que a CSMG3 está negociando atualmente, barata demais para ser ignorada”, diz Vitor Sousa, analista da Genial. O preço-alvo da corretora para a ação é de R$ 20, equivalente a alta de 67%.
No meio do caminho, a Eleven mantém classificação neutra para o papel, por considerar os resultados neutros, com preço-alvo de R$ 15.