A JBS, uma das maiores empresas de alimentos do mundo, se valeu do fato de produzir e vender em em diferentes países, como Estados Unidos e Austrália, para driblar a aceleração da inflação e terminar o primeiro trimestre do ano com um lucro líquido de R$ 5,1 bilhões, crescimento de 151% em comparação a igual período do ano passado.
Nos primeiros três meses do ano, a receita líquida da companhia atingiu R$ 90,8 bilhões, expansão de 20,8% em relação a igual intervalo do ano passado.
A companhia viu o faturamento crescer em todas as unidades de negócios. A maior expansão foi vista na JBS Brasil, que teve aumento de 24,2%, para R$ 14,3 bilhões. A segunda maior alta foi da Pilgrim’s Pride, empresa americana que pertence à JBS e teve aumento de 23,9%, para R$ 22,9 bilhões.
Um dos destaques foi a Seara, que conseguiu ampliar a receita mesmo com a suspensão temporária das habilitações para a Arábia Saudita e a desaceleração das exportações de carne suína para a China. O faturamento líquido do negócio cresceu 21% no primeiro trimestre, para R$ 9,4 bilhões.
Inflação pesa
Ainda assim, tanto a JBS Brasil quanto a Seara sofreram com a inflação. Segundo a companhia, o aumento dos preços continua “desafiador”.
No caso da Seara, a empresa destacou que o custo médio do milho e do farelo de soja subiram 13% e 4% no primeiro trimestre, respectivamente, em comparação ao primeiro trimestre do ano passado. “O aumento do custo vem sendo parcialmente compensado pelo repasse do preço, aliado a um melhor mix de mercados, canais de produtos, além do foco da gestão da companhia em eficiência operacional e inovação”, disse a companhia, no balanço.
Segundo a JBS Brasil, que é responsável pela marca Friboi, o cenário macroeconômico tem pressionado o consumo de carne bovina, “que já atinge um dos menores patamares já registrados historicamente”, enquanto o preço do gado sobe.
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Não por acaso, o mercado externo foi o destaque da JBS Brasil, com aumento de 45,2% na receita líquida no primeiro trimestre, quase o dobro do ritmo da expansão registrado pelo negócio como um todo.
A Seara, mais pressionada, é que apresenta mais dificuldades para a empresa na margem Ebitda.
A unidade de negócio foi a única que teve queda na margem Ebitda no primeiro trimestre em relação a igual período do ano passado, de 11,9% para 6,5%. “Estamos atuando na Seara para a retomada na margem nos níveis históricos de dois dígitos”, disse o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni, em mensagem no balanço.
O grupo teve um Ebitda ajustado de R$ 10 bilhões no primeiro trimestre, expansão de 46,7% em comparação aos três primeiros meses do ano passado. A margem ficou em 11%, alta de dois pontos percentuais em um ano.