Os jovens investidores brasileiros têm uma preferência nítida na hora de alocar seus recursos. Segundo levantamento exclusivo feito pelo Trademap, as empresas com histórico de boas pagadoras de dividendos estão entre as preferidas desse público.
Os dados foram compilados a partir das carteiras de 46.600 investidores com até 25 anos que fazem parte da base de usuários da plataforma. O levantamento foi feito no fim de abril.
A ação preferida deste público é a Itaúsa (ITSA4), que está presente entre os investimentos de 45% dos usuários desta faixa etária.
Em segundo lugar, aparece o fundo imobiliário Maxi Renda (MXRF11), com presença em 33% das carteiras. E a ação da varejista Magazine Luiza (MGLU3) fecha o “top 3”, com 28% de participação.
Veja a seguir as dez ações e os fundos imobiliários preferidos dos jovens investidores. A lista completa, com 30 ativos, está ao fim da reportagem:
Nome | Código | Presença em carteira |
Itaúsa | ITSA4 | 45% |
Maxi Renda | MXRF11 | 33% |
Magazine Luiza | MGLU3 | 28% |
WEG | WEGE3 | 24% |
BTG Pactual Fundo de Fundos | BCFF11 | 21% |
Taesa | TAEE11 | 21% |
Banco do Brasil | BBAS3 | 21% |
Fleury | FLRY3 | 21% |
Energias do Brasil | ENBR3 | 21% |
B3 | B3SA3 | 20% |
Segundo o estrategista da RB Investimentos, Gustavo Cruz, os integrantes da lista têm uma característica em comum: são conhecidos por serem bons pagadores de dividendos e rendimentos.
“Itaúsa, Banco do Brasil e até a Weg trazem um perfil mais de dividendos. São empresas que não têm grande valorização, mas tem resultados consistentes.”
A Itaúsa, por exemplo, pagou dividendos equivalentes a 4,42% do preço da ação nos últimos 12 meses, segundo dados disponíveis na plataforma TradeMap. Em 24 meses, essa taxa sobe para 7,14%. No caso do Maxi Renda, o percentual (conhecido também como dividend yield), é ainda maior: de 10,4% em 12 meses e de 19,02% em 24 meses.
Segundo Cruz, a exceção é a ação de Magazine Luiza. O dividend yield deste papel foi de 0,35% nos últimos 12 meses e de 1,59% em 24 meses, mas a presença dele na lista de preferências dos jovens tem explicação.
“Essa ação é muito sugerida em podcasts e vídeos, ficou bastante famosa pela posição de alguns fundos, então essa é mais fácil de entender por que uma população mais jovem e que entra nas redes vai direto na Magazine Luiza, além da valorização muito expressiva”, pontua Cruz.
Investidor está ficando mais jovem
O ano de 2019 é apontado como ponto de inflexão na pirâmide etária dos investidores no Brasil. Foi a partir dali que a Bolsa registrou mudanças apontando para um rejuvenescimento de seu público.
A primeira delas foi que investidores com 25 a 39 anos passaram a ser o grupo majoritário, representando 46% do total de cadastrados na B3. Em 2018, o percentual era de 37%. Ao mesmo tempo, a base de investidores com 40 a 59 anos perdeu espaço – saindo de 37% para 31%, na mesma comparação.
Foi a partir de 2019 também que pessoas com menos de 25 anos começaram a ganhar participação no total de investidores cadastrados na Bolsa. Esse público representava 4% da base total em 2018. Em 2019, passou para 8% e, no primeiro trimestre de 2022, estava em 12%.

O analista de dados Júlio Assis, de 23 anos, diz ser o primeiro da família a aplicar no mercado financeiro. Ele investe uma vez por trimestre cerca de 30% do que ganha, e os ativos vão desde títulos do Tesouro Direto até ações brasileiras e criptomoedas.
Já o perfil de Mário Gandini, estudante de 22 anos, é um pouco diferente. Ele foi influenciado pelo avô, que é adepto dos investimentos em renda fixa. “Comecei a investir quando estava de férias na pandemia. Consegui guardar um dinheiro e coloquei R$ 200 em Tesouro Direto e R$ 200 em fundo imobiliário.”
Hoje o estudante mantém aportes mensais de 15% do que recebe. Quando começou, o valor era de 25% de sua renda.
Mídias sociais abrem o caminho
Um dos motivos para o interesse crescente dos mais jovens no mercado financeiro pode recair sobre o aumento da disseminação de informações sobre investimentos e finanças pessoais nas mídias sociais, conforme indicam dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).
De acordo com levantamento feito pela associação, a audiência dos influenciadores de investimentos, os chamados “FInfluencers”, chegou a 91,5 milhões de seguidores em dezembro de 2021, um aumento de 5,5% em relação a fevereiro do mesmo ano, quando o estudo foi publicado pela primeira vez.
Alguns dos influenciadores mais conhecidos são Nathalia Arcuri, do canal Me Poupe!, Thiago Nigro, do Primo Rico, e Murilo Duarte, do Favelado Investidor.
O investidor e influenciador Luiz Mind, de 24 anos, da Mind Infinity, conta que foi iniciado no mundo das finanças por meio das mídias sociais. Ele começou procurando, aos 19 anos, informações sobre como economizar o salário de estagiário para comprar um notebook.
“Tive que descobrir uma maneira de gastar melhor o dinheiro. Ou seja, não gastar tudo e que sobrasse pelo menos uma porcentagem para que eu pudesse comprar o notebook que eu queria comprar há muito tempo. A partir de então, fui procurando alternativas”, conta Mind.
“Foi ali que eu descobri algumas pessoas que fazem vídeos para o YouTube, como a Nathalia Arcuri, que comecei a acompanhar e me explicou um pouquinho mais sobre a organização financeira”, acrescenta.
Júlio Assis diz que as redes sociais estão entre as fontes de informação que ele usa para buscar informações sobre investimentos, como YouTube, além de sites mais direcionados a finanças e em blogs.
Já Gandini tenta balancear as informações que procura na rede. “Assisto canais do Youtube sobre investimento e sigo páginas do mundo financeiro, nada muito profundo, porque me considero iniciante e não quero me saturar de informações para depois me cansar do assunto.”
Lista completa
Confira a tabela com as 30 ações e fundos negociados em bolsa preferidos dos investidores com menos de 25 anos:
Nome | Código | Presença em carteiras |
Itaúsa | ITSA4 | 45% |
Maxi Renda | MXRF11 | 33% |
Magazine Luiza | MGLU3 | 28% |
WEG | WEGE3 | 24% |
BTG Pactual Fundo de Fundos | BCFF11 | 21% |
Taesa | TAEE11 | 21% |
Banco do Brasil | BBAS3 | 21% |
Fleury | FLRY3 | 21% |
Energias do Brasil | ENBR3 | 21% |
B3 | B3SA3 | 20% |
BB Seguridade | BBSE3 | 19% |
CSHG Logística | HGLG11 | 18% |
Ambev | ABEV3 | 18% |
Engie Brasil | EGIE3 | 17% |
XP Log | XPLG11 | 16% |
Via | VIIA3 | 16% |
Sanepar | SAPR4 | 15% |
Petrobras | PETR4 | 13% |
XP Malls | XPML11 | 13% |
Iridium | IRDM11 | 13% |
Kinea FII | KNRI11 | 12% |
Bradesco | BBDC4 | 12% |
Vale | VALE3 | 12% |
Oi | OIBR3 | 11% |
iShares S&P 500 | IVVB11 | 10% |
Vinci FII | VISC11 | 9% |
Hectare | HCTR11 | 9% |
Itaú Unibanco | ITUB4 | 9% |
Copel | CPLE6 | 8% |
Méliuz | CASH3 | 8% |